quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Bái pipou...

 Foi muito legal brincar com vocês.

Já repararam que faz muito tempo não escrevo mais.

Cansei.

Obrigado a todos que passaram por aqui e deram um alô vez ou outra. Foi uma boa experiência.

Mudei muito nos últimos tempos — e não parece que não vou parar de mudar. Espero que para melhor. Não me reconheço em mais nada do que já escrevi. Este blog parece uma caixa cada vez menor, que cabe cada vez menos ideias e temas. Houve uma fase de imensas amarguras, mas já passou...



Quero começar uma vida nova em 2013. Estou jogando fora todas as tranqueiras que não me interessam mais. O blog é só uma delas.

Há um mundo lá fora que quero conhecer. Espero encontrá-los por aí…

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

2011 promete...

Começo de ano e alguém já tenta me ofender xingando (via comentário) de ser uma comédia negra, um babaca, um idiota, um sujeito negativo e maníaco-depressivo.
LOL! O tiro saiu pela culatra. Me pareceu mais uma descrição fiel do meu estado atual. Meus posts recentes escancaram tudo isso. Que falta de originalidade! Fico imaginando porque certas pessoas fazem questão de ficar ressaltando o óbvio ululante.
O interessante da coisa toda é que a intenção original da autora era reatar uma "amizade" que ainda acreditava existir entre nós. Francamente.
Cada vez entendo menos as pessoas e sua incapacidade de agir de forma mais lógica e coerente.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Adeus ano velho, feliz ano novo!

Tava pensando em usar estes dias mortos de final de ano para organizar o próximo, fazer um balanço geral, relembrar as coisas relevantes que aconteceram, aquela baboseira tradicional. Mas acho que vou fazer melhor, vou tomar um porre atrás do outro. E como não estarei em condições de postar algo aqui, estou aproveitando este momento de rara sobriedade e já vou adiantando um feliz ano novo para vocês! Nos encontramos em 2011, se o meu fígado não colapsar de vez.
Forte abraço!

sábado, 11 de dezembro de 2010

BENNIE K - Monochrome


BENNIE K - Monochrome

Monocromático

Eu nem pretendo
Pedir desculpas inúteis
Mas eu sei que
Não posso esperar para me satisfazer

Mas eu estou tentando voar
Tenho a sensação
De que posso me libertar algum dia
E eu quero acreditar que
Tudo o que eu fiz foi me iludir
Estou tão farto destes dias
E de continuar assim

(oh, oh) É hora do show (hora do show)
Meninas peguem as coisas
Gucci Fendi Louis Vuitton
Chanel também, me dê mais
Tudo sem atrasar, o nome tem um preço
Quanto você vale?
Gucci Fendi Louis Vuitton
Chanel, sem eles eu não posso medir o tempo

Nascido na potência japonesa, acha que pode mudar alguma coisa cantando?
Ondas furiosas que chamamos de realidade
O que eu aprendi é que "A vida é ganhar ou perder"
Vou fazer antes que você faça?
Vai se acostumar a ser apenas um perdedor?
Todas as noites, por que não termina isso?
Hoje também não há tempo suficiente

Machucando e dizendo que é apenas ansiedade
Reclamar e invejar outra pessoa
Mesmo que esteja sorrindo
A verdade é que eu não entendo mais
Eu me odeio quando eu estou deprimido
Amizade superficial, eu não preciso disso
Não me importa o quanto que valho
Estou farto de emoção, eu não preciso disso

Oh...
Mas eu estou tentando voar
Me perdi
Quando corria atrás dele,
Mas eu não consegui alcançá-lo
Tudo que tenho feito é esconder a minha auto piedade
E continuar mentindo
Mas eu não poderia dizer que...

As histórias
Que uma vez eu disse que foram revestidas
Endurecidas
Eu construí as paredes
e ficaram enormes para me proteger.
Por que me sinto seca?
Eu encontrei a felicidade.
Mesmo que eu nunca possa amar de novo.

Nesta escuridão interminável
Não importa o quanto
E como
Eu grito bem alto
Eu percebi que
Tudo foi inútil
Mas eu não posso parar

Mas eu ainda tenho um sentimento
Eu posso ser um livre um dia
E é por isso que eu estou cantando
Não importa o quanto
Eu fique de mau humor
Eu ainda posso rir
E apenas olhar para a frente.

10 meses...

Mais uma madrugada estranha e insone. E eu aqui, vampirando na net, lendo um livro esquisito, escrevendo mais um post deprimente. Pensando nas coisas, remoendo e remoendo e remoendo e tendo pensamentos sombrios até ser devorado por um pessimismo que não se vai.

10 meses neste país, e ainda tenho aquela estranha sensação de que a casa esta caindo toda pra cima de mim. É como se de repente não possuir mais a capacidade de saber quem tá certo ou errado, com quem posso contar, aonde ir, o que fazer, ou seja, praticamente tudo esta virado de pernas para o ar, até o jeito como a droga deste mundo funciona. Poucas coisas da qual costumava achar que tinha certeza, se mantém. Perdi todas as malditas referencias. Até poderia jogar a toalha e voltar rapidinho para o Japão, como das outras milhares de vezes, mas estou cansado de desistir assim tão fácil, então por enquanto pretendo ficar aqui até entender tudo isso e achar umas respostas que me satisfaçam, quem sabe assim tudo acabe se ajeitando.

De qualquer maneira, por ora, tô muito bem: tenho um quarto, um livro para ler, computador, e até uma garrafa de Jonhy Walker Red Label pela metade. Só me falta mesmo uma luz, um empurrãozinho (que não seja para o precipício), aí quem sabe…

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Persistência



Não encontrei ainda. Tá foda. Mas continuo na busca de algo aqui no Bananão. Teimoso e besta como este bichano.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

2666


Levei um bocado de tempo para ler este livro. Com esta folga toda que tenho á disposição normalmente leio um ou até dois livros por semana. Dependendo do volume ou da motivação, leio em poucas horas. Um catatau de 852 páginas da imensidão de 2666, talvez conseguisse fechar a última página em uns 10 dias de leitura dedicada. Talvez duas semanas. Mas desta vez foi tarefa difícil. Levei cerca de 5 meses, em uma leitura que ia e vinha de acordo com minha vontade pendular até atravessar seu longo caminho até o final.
Normalmente, se não consigo mergulhar nas entranhas de um livro, deito ele de lado e sigo em frente com outras obras mais motivantes. Mesmo que seja um autor que realmente aprecie. Entretanto, com 2666 não foi assim. Li umas cem páginas em um dia, me aborreci, deixei encostado na estante por algumas semanas, depois fiquei curioso e resolvi reiniciar a leitura do ponto aonde tinha parado. No capítulo "A Parte dos Crimes" quase broxei de vez, mas a prosa em determinados momentos era tão vigorosa, que acabei sentindo estimulado a tentar compreender todo o contexto, na esperança de que tudo fosse somar em algo bacana, então persisti.
E finalmente terminei! Olhando para trás, percebi que li as três primeiras partes (capítulos) do livro em cerca de umas 2 semanas. Em seguida, penei horrores de tédio com "A Parte dos Crimes" que me tomou uns bons 4 meses. E a parte final, a quinta, li em pouco menos de uma semana.

A minha principal motivação para lê-lo veio de criticas favoráveis, principalmente do Tony Belloto, de vários blogs e fóruns literários. Considerado pela critica especializada como o lançamento do ano, além de ser o último trabalho do badaladíssimo Roberto Bolaño antes da sua morte. Sendo que aparentemente, o manuscrito foi entregue ao seu editor, enquanto estava morrendo em um leito hospitalar.

Segundo a introdução, o autor tinha a intenção de que as cinco partes de 2666 fossem publicadas em cinco volumes separados, e lançados no mercado com um ano de intervalo. Mas após sua morte, sua esposa decidiu publica-lo num único tomo, numa forma que lhe pareceu ser mais adequada literariamente. Adequada, porém pesada como um tijolo. Não é livro com jeito (peso) de ler confortavelmente na cama, isso é certo. Talvez a ideia de separar em cinco volumes não fosse tão ruim, afinal.

Ok, ok, deixemos de enrolação e vamos á estória. Isso que é algo difícil de explicar. Qual das estórias é a estória? Se for julgar pelos quilos de palavras e páginas dedicadas á trama, então ouso afirmar que seria a respeito de uma série de assassinatos brutais que ocorreram numa cidade mexicana chamada Santa Teresa (depois de um goglada, descobri que é uma versão ficcional de Ciudad Juárez, situada na fronteira com os EUA, aonde de fato, aconteceram os crimes). Endereço de centenas de mulheres jovens que são brutalmente estupradas e assassinadas, durante uma década. Cada parte do livro, toca, uns mais outros menos, neste crime, e três das cinco partes tem como cenário exclusivo, a cidade de Santa Teresa.

Se for julgar pelo cerne do livro, o que (pelo menos para mim) é a verdadeira história, então trata-se da trajetória, da vida de um romancista alemão chamado Benno von Archimbald que foi tão procurado pelos críticos literários na primeira parte.

Bem. Vamos por partes como recomendava o velho Jack, o Estripador. :-)

Na primeira parte (A Parte dos Críticos), acompanhamos a saga de quatro literatas em busca de um misterioso, porém brilhante autor alemão, candidato ao Nobel de literatura, totalmente avesso a qualquer contato midiático, ou social.

Na segunda parte (A Parte de Amalfitano), ficamos na companhia de um excêntrico professor universitário de Santa Tereza, absorto em suas ideias malucas, quase alheio ao que se passa ao redor, incluído aí o perigo que sua filha adolescente se encontra em suas noites festeiras. O tal Amalfitano é tão pinel, que um dia resolve pendurar um livro de geometria num varal, por meses, para testar uma estranha teoria.

Na terceira parte ( A Parte de Fate), ficamos na cola de um repórter afro-americano, enviado para cobrir uma luta de boxe em Santa Tereza, mas acaba arrastado para dentro do submundo desta cidade, e por conseguinte, para as pessoas que podem (ou não) compartilhar da responsabilidade por muito dos assassinatos.

Na quarta parte (A Parte dos Crimes), durante umas trezentas e tantas páginas, são descritas de forma policialesca a descoberta de cada cadáver ligado ao crime dos assassinatos das mulheres em quase dez anos. A narrativa segue uma forma episódica, ora datadas, ora sequenciais. Chocante no início. Mas depois cansam, e se tornam tremendamente aborrecidas. Algumas vítimas são identificadas, outras não. Vários suspeitos são detidos, incluindo um alemão esquisito, que apesar da cidadania americana, resolve viver no México.
Este foi o capítulo mas difícil do livro, principalmente porque não existem muitos pontos interessantes, ou qualquer discussão paralela que valesse a pena. Salvo a estória da vidente. No geral, tudo parece se resumir a uma coleção de súmulas criminais narradas de forma oficial. É sempre igual: um corpo é encontrado, sua condição é descrita, alguns processos são acompanhados, e só. Encontramos muitos policiais e detetives diferentes tentando solucionar os crimes. Encontramos muitos criminosos. Seguimos a trajetória de um dos possíveis assassinos na prisão, testemunhamos uma sessão de tortura, de estupro entre presos, assassinatos, e a forma brutal de como a justiça é feita por trás das grades.
A única coisa que me motivava neste ponto, era tentar enxergar as amarras de fatos que poderiam ligar ao misterioso Archimbaldi, depois que esse passeio em Santa Teresa terminasse. Tinha a esperança de que no final, todas as peças se ajustassem logicamente como num desses policiais banais - mas não foi bem assim. Não mesmo. De qualquer maneira não foi surpresa alguma notar que o alemão (suspeito dos assassinatos) e o Archimbaldi tinham uma conexão, mas não foi exatamente este um elo fundamental.
É meio frustrante, mas você nunca vai saber quem é o responsável pelos assassinatos. Não saberá se o alemão misterioso tem algo haver com os assassinatos ou não. Não chega a qualquer conclusão para a estória do Archimbaldi. Exceto na primeira parte, você nunca mais vai ver ou ouvir os críticos literários outra vez. Nem vai descobrir o qual foi o destino do Amalfitano ou de qualquer outro personagem. Fiquei doido só de pensar a respeito. Me fez recordar com amargor do Lost e seus zilhões de pontas soltas.

Enfim, quando finalmente você termina a quinta e última parte, fica com a impressão de que a continuação da estória poderia retornar á primeira página, e por conseguinte continuar a ler o livro num ciclo interminável, e ainda assim nunca obter qualquer resposta para as perguntas que se faz pipocar no decorrer desta obra. É um romance bastante diferente, pelo menos para mim. Até agora não sei dizer ao certo se é bom ou ruim. Fui surpreendido pela liberdade do autor em ignorar a maioria das convenções narrativas da qual estou tão acostumado a encontrar em outros romances. Em 2666, os personagens são mal educados, entram e saem sem pedir licença ou serem apresentados. Falam em pensam ás vezes de forma ininterrupta, de assuntos tão dispares, nonsenses, por páginas e páginas sem qualquer conexão com o tema anterior. Por exemplo, em um trecho um personagem resolve alugar uma máquina de escrever, e de repente corta! Daí saltamos para o ponto de vista de um lojista e sua estória de vida. E do nada, sem qualquer explicação, ele (o lojista) desaparece, nunca mais aparece novamente, e pior, não tem qualquer influência em qualquer outra parte da narrativa. No cúmulo da insanidade, a narrativa não continua a fluir naturalmente do ponto aonde ele (o lojista) entrou ou saiu! WTF!!!

2666 é inundado por sonhos. Parece até que todo mundo ali tem um sonho para contar logo que despertam. Sonhos vívidos e surrealistas, que muitas vezes não tinham nada a ver, tanto com a trajetória do próprio personagem, com outros personagens, ou com o próprio contexto.
Outro tema recorrente é a loucura, especialmente toda variedade de insanidade que envolve algum tipo de sacrifício em prol da arte.

Em minha humilde opinião, de leitor amador, medíocre, um romance como forma de arte e entretenimento tem de atender certas expectativas, regras, e 2666 é extremamente desestruturado, mesmo quando colocado diante das regras mais frouxas. É uma coleção incrível de centenas de estorietas bem contadas, bem escritas, mas mesmo assim, o fato de juntá-las e prensá-las entre duas capas, não faz com que seja um romance. Seria fantástico se a prosa genial deste livro tivesse sido combinada em um roteiro mais convincente, sem tantas pontas soltas e interrogações sem afirmações correspondentes.

Afinal, me pergunto: por que insisti em ler este livro? Porque ainda que não tenha gostado dele como um romance, tal como estou acostumado a ler, a apreciar, é muito bem escrito. Foi a prosa vigorosa, por vezes visceral, principalmente quando era colocada em prática para descrever mortes brutais, cenas violentas, filosofamentos malucos, pensamentos fluídos nonsenses, que me impulsionaram virar para a página seguinte, ainda que por muitos momentos espaçados.

Para encerrar, não posso recomendar abertamente 2666. Não é para qualquer um. É uma obra densa. Não chega a ser uma obra erudita. A linguagem é bastante compreensível. Mas... Mas talvez tivesse sentido mais sabor se fosse um cara mais escolado. Mais literata. De qualquer maneira foi uma viagem fantástica! Estou relativamente satisfeito, feliz, e, ainda que tenha sido exaustante, por vezes frustante, gostei!
Contudo foi uma viagem que talvez não tivesse quilometragem suficiente para repetir. Aí vai do gosto do freguês.

Uma pergunta ocorreu agora. Que diabos será que significa o título do livro: "2666"? Não tenho a menor ideia. :-P