terça-feira, 9 de setembro de 2008

Na praia... Na praia?!? Na ilhota.

Nunca estive tão feliz. Totalmente largado, esparramado numa espreguiçadeira a contemplar uma deliciosa paisagem praieira sob um resplandescente sol veranico. Ao longe um mar azul e um céu anil se fundem no horizonte quase completando-se numa coisa só. Ao perto belas mulheres, de todas as cores, formas e belezas exóticas circulam em passos sensuais e movimentos voluptosos... Parecem estar desfilando para mim... Disputando minha atenção com discretos sorrisos lascivos. Empunho um copo de uísque "on the rocks" na mão. Sorvo um longo gole, sinto aquele forte gosto etílico queimar minha garganta e uma deliciosa sensação de embriaguez rapidamente envolve meu ser. Um estado de liberdade absoluta sobrevém. Nenhum problema, compromisso ou crise existencial faz ruídos. Minha alma parece renovada, pura, límpida como água cristalina. O universo parece conspirar pela minha felicidade. Mas de repente percebo algo que me causa estranheza, algo que destoa neste ambiente ideal: meu antigo celular verdinho a lá pré-pago da Telefonica. Objeto tosco que uma vez me fiz comprar para procurar trampo na ilhota e que depois da utilidade provisória, na falta de melhor uso, acabou se tornando um mero despertador para meus compromissos fabris. E o treco deu para surgir agora, instantaneamente no meu campo visão, como um duende maligno tentando me surpreender. Parece que foi a séculos que arremessei-o ás profundezas de um saco de lixo... Antes de zarpar de vez da ilhota. O último toque de um ritual de despedida definitiva. Mas por que diabos este troço insiste em aparecer aqui? Não é que bastou notá-lo para que o bendito comece a tocar? Tento ignorá-lo. Mas não consigo ceder a tentação de atendê-lo. Abro (estavam fechados???) então os olhos e na negritude do meu quarto percebo que tudo não tinha passado de um sonho. Diabos!!! Ainda estou na ilhota??? Não quero acreditar nesta possibilidade. Miro os dígitos esverdeados do celular e leio 18:55. Lembro com tristeza que as 19:30 tenho que pegar o buzão para o trampo... Não, não e não!!! Não pode ser!!! Não é possível...
Minha consciência ainda ébria de sono não consegue distinguir realidade de fantasia.
Mas luto desesperadamente para acreditar que ainda vivo no paraíso, dormi e me pus a sonhar que ainda estou labutando naquela vida miserável de dekassegui. Abro e fecho os olhos. Repetidas vezes. Esfrego-os com força. Não adianta. A praia, as mulheres, o mar e o sol não retornam. Tudo não passou mesmo de um belo sonho. Paralisado na minha frustração, fico a pensar que porra é esta vida lazarenta, como foi que me meti nesta, como é que vou sair desta, queria poder esquecer tudo isto, derreter, evaporar, sublimar, sumir daqui. Morrer e renascer noutro lugar. Quem sabe numa outra vida ressuscitar á imagem e semelhança dum negão de dois metros, jogador da NBA, com muita grana, fama e mulherada a la vonté...
Fúteis e inúteis divagações... Parece ser tanta coisa pensada, mas não duram nem sessenta e nove segundos para desintegrar-se no pó maledicente da vida real. O sonho de chutar tudo que me incomoda para alto, exilar-me na minha sonhada Pasárgada e ficar eternamente só a ver a grama crescer forte e verde parece ser algo tão distante...
Como sempre, uma vez mais a realidade modorrenta prevalece e naquela resignação diária de peão dekassegui me ponho de pé e me arrasto para mais uma noite enfadonha de trampo no Butantã...

Um comentário:

Anônimo disse...

tambem tenho muitos sonhos bons que quando acordo eu me pergunto queria ficar dormindo e sonhando pra vida toda kkkk pq a vida real ta sendo um pesadelo nessas fabricas arg