sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Livro fodão!!!



Sabe o que é chegar em casa todo destruído, estressado, sonolento depois dum inesperado e indesejado yakin de doze horas, começar meio por acaso a ler um livro e não conseguir desprender-se dele mesmo quando precisa ir ao banheiro?
Achei tão fodão o "Nos Bastidores da Universal" que mesmo num estado físico miserável, durante três horas estive tão compenetrado na sua leitura que o mundo pareceu ter estopado ao meu redor. Muito além de ser uma mera reportagem-denúncia ou biografia, é um livro de fortíssimo conteúdo humano. Sob o olhar privilegiado e perspicaz de Mario Faustino, ex-pastor, o submundo da igreja universal do reino de deu$ é visceralmente escancarado ao mundo sem meias palavras: uma verdadeira máfia que transformou a religião num negócio, dotada de sujas técnicas mercantis para confundir o "zé-povinho" (adjetivo com o qual o "bispo" carinhosamente denomina suas "ovelhas"), através duma releitura obscura da bíblia com o fim de amelhar dinheiro, mais dinheiro e só dinheiro. O livro é um potente chutão nos bagos do tal "bispo" macedo. Na verdade os podres desses vendilhões da fé que exploram, manipulam sem qualquer pudor a crença de milhares de almas humildes e inocentes, em nada me surpreendeu, aliás, é o que qualquer pessoa dotada de um pouco de bom senso e informação já deveria saber ou intuir. Mas o que de fato me captou a atenção, foi a toda a via-crucís pela qual Faustino bravamente trilhou para livrar-se do fanatismo religioso, do vício das drogas, da criminalidade, da AIDS entre tantos outros dramas e fatalidades que atravessaram seu caminho para uma vida mais equilibrada e feliz. Um exemplo real de como virar o jogo da vida e vencer, mesmo que num determinado momento esteja perdendo a partida de goleada.
Tudo é narrado num ritmo alucinante, ágil, digno de ombrear lado a lado com um best-seller de autoria dum Scott Turow ou John Grisham por exemplo. Mário Faustino, além de ser um herói no meu entender, pelas tantas advercidades que superou, é um excelente escritor, daquele tipo que possue o dom mágico de nos iluminar com o testemunho emocionante dos extremos que permearam sua vida. Seu livro, sem dúvida nenhuma vale uma leitura atenta.

Alguns trechos...

-Quando entrou:

O programa prendeu minha atenção e a partir dali me manteve cativo todas as noites. Esperava com ansiedade ouvir o tema de abertura e, quando isso acontecia, eu já tinha colocado sobre o radinho de pilha um copo cheio da água que beberia depois da "prece poderosa". Ainda hoje não estou bem certo do que me atraia naquela programação. Afinal de contas, tinha apenas quinze anos, uma fase em que a maioria dos jovens não ocupa a mente com determinados problemas que afligem os adultos. Porém, eu era diferente. Estava sempre preocupado com as dificuldades dos meus pais. Além disso, eu era uma criança profundamente triste. Desde muito pequeno, escondia-me pelos cantos do quintal. Era um obstinado que buscava indiscriminadamente a solidão. Em certas ocasiões, sem nenhuma razão aparente, passava horas calado e triste. Esse vazio acabou por impulsionar-me ao meu destino. Foi ele, o vazio, que me levou a sair de casa naquela noite rumo ao centro de São Gonçalo procurando o lugar onde, de acordo com o programa de radio, "um milagre espera por você". O milagre esperava por mim no velho prédio do Cine Santa Maria.


Quando foi expulso:

[...]Ora, não se faça de imbecil! Você sabe por que tem de ir. Mas vou refrescar sua mente. Você não pode mais ficar com a gente porque tem AIDS! Quando Edir Macedo, o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, me chamou em seu escritório, no fundo eu sabia que era isso que ele me diria.


O livro encontra-se esgotado nas livrarias, mas tem uma versão em pdf AQUI.

3 comentários:

Bah disse...

É... "Templo é dinheiro"... Não por nda, mas odeio essas pessoas que frequentam a igreja aqui no Jp. Já não gostava no Brasil. Principalmente evangélicos. Olha, não sei se encontro exceções. Mas dar 10% do salário daqui pra Deus reservar um espaço no céu? Aff tem que ser muito burro pra isso. Fé não mexe com dinheiro e não precisa servir a Deus ou a qq nome que queiram dar pra se ter fé ou acreditar em alguma coisa. Dizem que religião não se discute, mas não aguento as pessoas falando que tem que ter Jesus no coração enquanto fazem maldades com outras. Todas e SEM exceção dessas pessoas que eu conheci diziam a mesma coisa que tinha que dar amor e amar Jesus e no cotidiano elas são falsas, manipuladores, ladras, traiçoeiras e fofoqueiras. Eu vejo pra crer, se estou dizendo isso imagine...

Kisu!

Kisu

Hidemi disse...

durante muitos anos fiquei tentando explicar pra uns e outros pq nao entro em igrejas...
nao adianta... ignorancia eh muito dificil de curar mesmo...
eu sinto pena, relevo as abobrinhas que ouco, qdo muito insistentes eu simplesmente fico em stand by deixando a pessoa falando sozinha...
muitas pessoas matam e morrem por suas crencas religiosas... as pessoas parecem perder a capacidade de questionar, de pensar sozinho... e se a pessoa soh sabe repetir o que o padre, ou o pastor ou sei lah qm falou, nem gasto meu tempo argumentando qlq coisa com elas...
acho importante respeitar todas as crencas... ninguem eh dono absoluto da verdade, e as vezes, a feh que funciona pra uns nao funcionam pra outros... soh acho o fim, gente batendo na minha porta as 7 da manha de um domingo com uns papos tipo "o fim do mundo estah chegando, vc conhece jesus cristo?" (>.<*)

Carlo disse...

E assistam este vídeo também: http://jp.youtube.com/watch?v=JGwAEhkmsSU&NR=1

George Carlin consegue como poucos explicar o real "valor" da religião.