quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O bar do seo Biu

Catei num fórum da corretora Fator, aonde tenho conta de investimento. Não lembro do link nem da autoria, mas achei genial o didatismo com que o autor explica a atual crise nos mercados...

O 'seo' Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).O gerente do banco do 'seo' Biu, um ousado administrador com curso de MBA, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento do 'seo' Biu tendo o pendura dos pinguços como garantia.Uns seis Zé-cutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CCB, CDC, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer. Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (são as tais cadernetas do 'seo' Biu). Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o bar do 'seo' Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.


Se preferir, a Folha tem um jeito mais formal de explicar a atual bagunça financeira...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Eli Stone

Eli Stone é um seriado muito bem escrito. Bons atores. Mulheres belíssimas. A trama é baseada numa premissa um tanto irreal, porém estranhamente fascinante. Eli era um advogado de sucesso, sua vida era uma pintura do sonho americano em todas suas cores, brilhos e formas. Prestes a se casar com uma belíssima loira e no auge da sua carreira profissional, um dia é acometido por uma visão mágica, surreal que irá afetar o rumo de sua vida para todo o sempre: George Michael cantando "Faith" na sala de estar do seu apartamento. A partir deste incidente, coisas como alucinações, aneurisma cerebral inoperável, profecias, visões, relacionamentos ameaçados, acupunturista mistico, viagem a uma montanha longínqua e centilhões de outros ingredientes muitas vezes absurdos, mas muito bem amarrados em roteiros fantásticos tornarão Eli Stone um dos seriados mais interessantes e divertidos de se assistir nesta fall season. Episódios saindo quentinhos do forno logo mais em 10 de outubro...
E para quem perdeu a primeira temporada, episódios com legenda aqui.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

E a bolsa furou...

E a bolsa continua caindo, rolando ladeira abaixo com seus índices e valores monetários. E as maleditas análises gráficas apontando que as coisas podem ir mais para baixo ainda... Tinha um dinheirinho enfiado lá. Principalmente nas ações das Lojas Americanas (LAME4), com mais de 50% de prejuízo acumulado desde o início do ano. Pode desvalorizar ainda mais, mas nem vou mexer, estou cansado, meio estressado e já conformado com todo o leite já derramado no piso das minhas reservas econômicas...
Mas fico cá imaginando como deve estar a cabeça de alguns peões aqui. Infelizes que depositaram tanta fé em fazer multiplicar uns tostões minguados sem muito esforço e se vêem agora sob o risco de perder grande parte dele num piscar de olhos deste verdadeiro apocalipse financeiro. Conheço gente que colocou todo o fruto de anos de suor penosamente laborando aqui na ilhota, numa aposta cega em siglas obscuras da Bovespa.
Não tem como condenar o pobre diabo que se deixou seduzir pelo doce canto de sereia das bolsas de valores. O sujeito lê na mídia insistentes notícias de gente ganhando fortunas, milhões, dinheiro a rodo, sem qualquer trabalho, dor de cabeça, é claro que vai querer participar da festança. Lucra um pouquinho aqui e ali e a ambição chuta fora a razão da sua consciência. Acaba viciando no "game" e termina colocando até o que não deveria na mesa traiçoeira da jogatina especulativa.
Uma triste constatação é que no universo capitalista não se ganha dinheiro de verdade trabalhando, não mesmo... Chavão velho e verdadeiro. Na realidade parece que não se ganha dinheiro de forma alguma, riqueza parece ser algo destinado a uns poucos iluminados que carregam uma bola de cristal mágica debaixo do braço ou se é supra-talentoso ou genial em alguma arte ou esporte. Para nós, reles mortais, resta o consolo de pelo menos conseguir ganhar o pão nosso de cada dia e quiçá juntar uns trocados para comprar uma cabana lá na terrinha. E nem seguindo os conselhos daquele famoso documentário idiotizante ou ficar rezando fervorosamente em cultos crentes, as coisas parecem se resolver facilmente para nós.

Que saco... É ficar meio chateado para pensamentos negativos fumegarem no ar. Afinal, o que é um prejuízo de 12 milas nesta brincadeira?

Pois é, agora não tem mais jeito... Esqueça esta merreca Tabuchi-san. Dê uma volta por ai, vá espairecer a cachola, comer um ramen, apostar uns números na "Loto 6", beba o resto daquele vinho vagabundo que sobrou do dia anterior e depois capote naquele seu colchão duro sem cama, porque hoje a noite tem ralo dos pesados no Butantã e tu ainda tem uma choupana pra erguer sabe-se lá aonde no brasiu...

Restou uma...

A passagem do Ike foi devastadora... Cerca de dois milhões de pessoas abandonaram seus lares por conta desta tempestade que se transformou num dos maiores furacões da temporada. Por sorte o Ike enfraqueceu, tornou-se uma simples depressão tropical e rumou para o norte. Mas antes causou um prejuízo de bilhões de verdinhas e ainda deixou centenas de milhares de pessoas sem água, energia elétrica e algumas mortes pelo caminho. Muitos perderam tudo que possuíam. Tiveram seus lares literalmente varridos do mapa.
Bem no centro deste rastro de destruição, um verdadeiro milagre aconteceu em Gilchrist, Texas. Esta casa, única entre milhares de outras ainda se manteve praticamente intacta. Parece que só o jardim foi meio prejudicado...



Da pra entender uma coisa dessa? Tomara que tenha esta sorte quando um taifu destes resolver bagunçar as coisas aqui em Izumo.

E teve outro sortudo...



E a coisa foi feia mesmo.
Confira mais imagens aqui.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Um sonho de lã rauze

Corria os últimos anos da década de noventa, havia muito zangyou, a peãozada brazuka na ilhota se arrebentava de trampar e juntar verdinhas. E ainda não existiam pedras como o shakai hoken, imposto municipal e o escambau para atrapalhar... Não perdi a oportunidade. Ralei até ao quase esgotamento total dos meus limites físicos e mentais. Economizei até o osso, estufei meu pé de meia até quase rebentar de Ienes e planejava, sonhava e constantemente fazia contas para conferir se já tinha o suficiente para dar uma de "entrepreneur" lá na terrinha. Ficar se arrastando no chão de fábricas já estava me deixando deveras sacudo e estressado. E a crise de desemprego de 2000 meio que começava a se prenunciar.
Ai então fixei uma data para retornar (junho/1999) e depois de longas matutações, num lance de epifania fake passei a considerar seriamente em abrir uma lan house. Na época parecia ser um negócio extremamente promissor, inovador e até sofisticado. Além de ter o privilégio de não ficar dependendo da lerdeza e instabilidade das conexões discadas que custavam uma fortuna em ligações telefônicas. Poderia navegar na net a vontade e ainda amealhar uns din-dins com a lan house. O casamento do agradável com o útil para a felicidade deste peão-nerd que vos fala.
Retornei para a terrinha e não sei porque, a idéia genial evaporou-se nalgum lugar no meio do trajeto Tóquio - São Paulo. Algum efeito colateral do jetleg do vôo maratônico deve ter enfiado um pouco de razão na minha cabeça entupida de projetos tolos.
Não entrei nesta furada, entrei em outras, verdade seja dita... Mas pelo menos nessa não. E pasmem, lan house se tornou um negócio tão pop que existe uma até em Jacuzinho, uma vila perdida lá nos cafundós do agreste nordestino. Deve estar disputando espaço com botecos, borracharias e templos evangélicos pelos mirréis de seus um mil e novecentos e sessenta e nove habitantes...



O interior é ainda melhor. Dê uma bisa no luxo tecnológico desta lã rauze.



Pelo menos o "criente" parece estar satisfeito...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Dexter, back again!!!



A data neste post promocional não está incorreto, os tubes gringos irão verter sangue das vítimas do matador serial mais cool do planeta, oficialmente, só no próximo dia 30 deste mês. Mas alguma alma caridosa já fez a gentileza de subir com o arquivo do primeiro episódio desta temporada na net. Já se espalharam seeds e legendas nos sites habituais... Já baixei, assisti e curti adoidado. O homi continua sanguinolento, muito sanguinolento, as always...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Na praia... Na praia?!? Na ilhota.

Nunca estive tão feliz. Totalmente largado, esparramado numa espreguiçadeira a contemplar uma deliciosa paisagem praieira sob um resplandescente sol veranico. Ao longe um mar azul e um céu anil se fundem no horizonte quase completando-se numa coisa só. Ao perto belas mulheres, de todas as cores, formas e belezas exóticas circulam em passos sensuais e movimentos voluptosos... Parecem estar desfilando para mim... Disputando minha atenção com discretos sorrisos lascivos. Empunho um copo de uísque "on the rocks" na mão. Sorvo um longo gole, sinto aquele forte gosto etílico queimar minha garganta e uma deliciosa sensação de embriaguez rapidamente envolve meu ser. Um estado de liberdade absoluta sobrevém. Nenhum problema, compromisso ou crise existencial faz ruídos. Minha alma parece renovada, pura, límpida como água cristalina. O universo parece conspirar pela minha felicidade. Mas de repente percebo algo que me causa estranheza, algo que destoa neste ambiente ideal: meu antigo celular verdinho a lá pré-pago da Telefonica. Objeto tosco que uma vez me fiz comprar para procurar trampo na ilhota e que depois da utilidade provisória, na falta de melhor uso, acabou se tornando um mero despertador para meus compromissos fabris. E o treco deu para surgir agora, instantaneamente no meu campo visão, como um duende maligno tentando me surpreender. Parece que foi a séculos que arremessei-o ás profundezas de um saco de lixo... Antes de zarpar de vez da ilhota. O último toque de um ritual de despedida definitiva. Mas por que diabos este troço insiste em aparecer aqui? Não é que bastou notá-lo para que o bendito comece a tocar? Tento ignorá-lo. Mas não consigo ceder a tentação de atendê-lo. Abro (estavam fechados???) então os olhos e na negritude do meu quarto percebo que tudo não tinha passado de um sonho. Diabos!!! Ainda estou na ilhota??? Não quero acreditar nesta possibilidade. Miro os dígitos esverdeados do celular e leio 18:55. Lembro com tristeza que as 19:30 tenho que pegar o buzão para o trampo... Não, não e não!!! Não pode ser!!! Não é possível...
Minha consciência ainda ébria de sono não consegue distinguir realidade de fantasia.
Mas luto desesperadamente para acreditar que ainda vivo no paraíso, dormi e me pus a sonhar que ainda estou labutando naquela vida miserável de dekassegui. Abro e fecho os olhos. Repetidas vezes. Esfrego-os com força. Não adianta. A praia, as mulheres, o mar e o sol não retornam. Tudo não passou mesmo de um belo sonho. Paralisado na minha frustração, fico a pensar que porra é esta vida lazarenta, como foi que me meti nesta, como é que vou sair desta, queria poder esquecer tudo isto, derreter, evaporar, sublimar, sumir daqui. Morrer e renascer noutro lugar. Quem sabe numa outra vida ressuscitar á imagem e semelhança dum negão de dois metros, jogador da NBA, com muita grana, fama e mulherada a la vonté...
Fúteis e inúteis divagações... Parece ser tanta coisa pensada, mas não duram nem sessenta e nove segundos para desintegrar-se no pó maledicente da vida real. O sonho de chutar tudo que me incomoda para alto, exilar-me na minha sonhada Pasárgada e ficar eternamente só a ver a grama crescer forte e verde parece ser algo tão distante...
Como sempre, uma vez mais a realidade modorrenta prevalece e naquela resignação diária de peão dekassegui me ponho de pé e me arrasto para mais uma noite enfadonha de trampo no Butantã...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

House, só mais um pouco...



Logo mais no dia 16 deste mês, o doc mais genial e louco do planeta dará suas caras nos tubes americanos.
E como tradicionalmente acontece antes das aguardadíssimas premieres, spoilers dos primeiros episódios já vazaram na net, confira aqui. Parecem factíveis, mas se verdadeiros ou não, só dia 16 iremos saber... Eita ansiedade que só faz judiar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Só...

Muitas faces,
Olhares fugazes,
Passos velozes,
Mensagens abandonadas,
Palavras não ditas...

Sigo lentamente,
Fechado no meu mundo,
Perdido em meus pensamentos,
Acorrentado aos meus princípios,
Enclausurado às minhas idéias.

Não vejo ninguém,
Não percebo ninguém,
Ninguém me percebe.

Sempre em frente,
Sigo,
Sozinho no mundo...