quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Internet móvel e o ¥100 Netbook


Em tempos difíceis todo mundo fica de olho em barganhas.
Uma boa dica para quem precisa de computador e duma conexão com a internet seria contratar um plano de internet móvel (スーパーライトデータプランにねんMAX) numa das lojas da Bic Camera ou Yodobashi Camera. Dependendo do uso, o custo mensal varia entre ¥2.900 a ¥ 6.880 por mês por uma banda de cerca de 7.2Mbps, dependendo do local de onde estiver acessando. E no ato da inscrição, fica a sua escolha adquirir um netbook por ¥100 se os pagamentos forem efetuados via cartão de crédito ou por volta de ¥10.000 se optar pelo desconto na sua conta bancária. Como requisitos, é necessário ter gaijin toroku com endereço atualizado, um cartão de crédito ou conta corrente. A burocracia limita-se tão somente ao preenchimento duma ficha com seus dados pessoais. Feito isto, o serviço demora cerca de uma hora para estar disponível. Um pequeno dispositivel do tamanho dum pendrive fará o papel de modem. Basta conectá-lo numa porta usb do seu computador e pimba!!!, conecção á internet estabelecida. Fácil assim. Instalei um programinha (versões em japonês e inglês) que veio junto num encarte, mas acredito que basta só plugar o dispositivo numa porta usb. A velocidade da conexão é satisfatória (depende da região), dá para baixar filmes, música e o escambau, sem sentir tanta saudade duma hiper conexão hikari. Um porém é que você fica atrelado à provedora por pelo dois anos. Caso venha a romper o contrato uma multa será cobrada, cujo valor inicia em ¥69.600 e vai decrescendo conforme os meses de utilização até zerar ao fim de dois anos.
Minha amiga não quis, então acabei comprando para mim, através da inscrição dela, um Aspire One ZG5 bacaninha pela bagatela de ¥9.800 e ainda levei de brinde um pen drive de 7 gigas. Repetindo: se o pagamento das mensalidades fossem descontados no cartão de crédito, este netbook custaria ínfimos ¥100.
Fica ai a dica...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

2008, o ano do (sem)tenário

Final de ano e todo mundo aguardando ansiosamente a tal virada. Não faço assim o tipo ranzinza e fechadão, mas nessa época do ano procuro mesmo é me esconder, evaporar se possível. Desde piá tenho este hábito. Não curto estas festas. Aliás, não curto festa nenhuma. Mas desta vez, talvez um pouco abalado pela conturbação desgracenta deste ano velhinho que esta se esvaindo, quero começar este novo ano mais positivo.
Talvez esteja inspirado por esta reportagem pra lá de interessante que acabei ler agorinha mesmo. É sobre um porco que sobreviveu durante 36 dias soterrado por um terremoto na China, somente bebendo água lamaçenta da chuva e comendo carvão. 36 DIAS!!! O danado perdeu 2/3 do peso e virou herói nacional. Isto sim é que é ter vontade de viver!!! Uma tal lição de otimismo sem paralelos. Se fosse comigo já teria entregue os pontos no primeiro dia? Primeiras horas? Talvez nos primeiros minutos...
Pô...
Se um porco consegue ser assim tão positivo, diante de uma situação tão degradante, porque então yo, numa situação razoavelmente melhor, não posso ser mais otimista e aproveitar mais o que a vida tão fartamente me oferece? Preciso ler mais reportagens inspiradoras como esta. Realmente levantou meu astral. Estou até me sentindo mais leve...



E não é que me acabou caindo nas mãos a tal moeda de ¥500 do centenário da emigração? Estranhei quando a recebi de troco num kombini aqui pertinho. Já ia reclamar com a atendente, quando reparei que era a famosa moeda, cunhada especialmente para comemorar os cem anos de emigração. Tinha lido sobre ela num post do blog do Shigues... Ou da Bah. Não lembro direito. Por via das dúvidas torrei-a no primeiro jidouhanbaiki que me apareceu. Pelo menos vale os ¥500 estampados na face. Alívio...
Este ocorrido acabou servindo de mote para refletir que este foi mesmo o ano do (sem)tenário para muitos brazas aqui na ilhota, pois tem muito carinha perdido aê:
100 trampo,
100 dinheiro,
100 teto,
100 espectativa de melhora e pior,
100 grana para a passagem pro brasil...

Ô piadinha de mau gosto, né? Uma qualidade interessante de ser brasileiro é ter a capacidade de rir da própria desgraça... Mesmo com um chiste pobre destes.

By the way, um novo ano se inicia daqui um pouquinho.
E na onda do heróico porco chinês, neste próximo ano vou tocando a canoa, dia após dia, sobrevivendo, na esperança de que as coisas voltem para aquela tão saudosa (e lucrativa) normalidade.

É isso...

UM FELIZ 2009.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O trenó do papai Noel quebrou...

E não será consertado a tempo para o natal deste ano. E pior, as renas estão em greve porque o papai Noel não tem como pagar seus salários.

A barra está pesada aqui. Ninguém sabe se melhora, se piora ou mais cruel, se acaba o Japão de vez para nós, meros peões terceirizados...
A única certeza é que não teremos a ceia farta neste natal, peru gordo ou outro bicho saboroso. Servidos á mesa, prontinhos para levar umas fatiadas, só os "kubis" dos dekasseguis que ainda se encontram empregados. Queria ter a capacidade de ser mais otimista. Acreditar que a "Lei da Atração" resolvesse tudo. Ajudaria muito se tivesse fé numa religião ou algo que de alguma forma ao menos lograsse me enganar, retirar da minha mente estas ondas de pessimismo que insistem em chocar-se contra a superfície da minha conciência e me fazem ficar em permanente estado de alerta para a zorra que se tornou este país.
É dose. Grande parte dos meus amigos e conhecidos já se foram para o brasil... Até uns camaradas blogueiros.
Neste dias negros, são despedidas raramente comemoradas, sempre lamentadas.
Nunca dei qualquer importância ao natal e datas afins, mas desta vez sinto um grande vazio, uma melancolia, uma imensa saudade da felicidade alheia dos amigos, colegas, que de uma forma jamais imaginada, no íntimo me contagiava, me transmitia uma baita alegria...

Mas deixemos esta crise de lado, nem que seja só por um instantinho...

 
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Galera, desejo de coração um FELIZ NATAL para vocês. Espero que consigam comemorar como nos anos anteriores, todavia não exagerem, guardem o dinheiro da passagem pelo menos... ;-)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Livro fodão!!!



Sabe o que é chegar em casa todo destruído, estressado, sonolento depois dum inesperado e indesejado yakin de doze horas, começar meio por acaso a ler um livro e não conseguir desprender-se dele mesmo quando precisa ir ao banheiro?
Achei tão fodão o "Nos Bastidores da Universal" que mesmo num estado físico miserável, durante três horas estive tão compenetrado na sua leitura que o mundo pareceu ter estopado ao meu redor. Muito além de ser uma mera reportagem-denúncia ou biografia, é um livro de fortíssimo conteúdo humano. Sob o olhar privilegiado e perspicaz de Mario Faustino, ex-pastor, o submundo da igreja universal do reino de deu$ é visceralmente escancarado ao mundo sem meias palavras: uma verdadeira máfia que transformou a religião num negócio, dotada de sujas técnicas mercantis para confundir o "zé-povinho" (adjetivo com o qual o "bispo" carinhosamente denomina suas "ovelhas"), através duma releitura obscura da bíblia com o fim de amelhar dinheiro, mais dinheiro e só dinheiro. O livro é um potente chutão nos bagos do tal "bispo" macedo. Na verdade os podres desses vendilhões da fé que exploram, manipulam sem qualquer pudor a crença de milhares de almas humildes e inocentes, em nada me surpreendeu, aliás, é o que qualquer pessoa dotada de um pouco de bom senso e informação já deveria saber ou intuir. Mas o que de fato me captou a atenção, foi a toda a via-crucís pela qual Faustino bravamente trilhou para livrar-se do fanatismo religioso, do vício das drogas, da criminalidade, da AIDS entre tantos outros dramas e fatalidades que atravessaram seu caminho para uma vida mais equilibrada e feliz. Um exemplo real de como virar o jogo da vida e vencer, mesmo que num determinado momento esteja perdendo a partida de goleada.
Tudo é narrado num ritmo alucinante, ágil, digno de ombrear lado a lado com um best-seller de autoria dum Scott Turow ou John Grisham por exemplo. Mário Faustino, além de ser um herói no meu entender, pelas tantas advercidades que superou, é um excelente escritor, daquele tipo que possue o dom mágico de nos iluminar com o testemunho emocionante dos extremos que permearam sua vida. Seu livro, sem dúvida nenhuma vale uma leitura atenta.

Alguns trechos...

-Quando entrou:

O programa prendeu minha atenção e a partir dali me manteve cativo todas as noites. Esperava com ansiedade ouvir o tema de abertura e, quando isso acontecia, eu já tinha colocado sobre o radinho de pilha um copo cheio da água que beberia depois da "prece poderosa". Ainda hoje não estou bem certo do que me atraia naquela programação. Afinal de contas, tinha apenas quinze anos, uma fase em que a maioria dos jovens não ocupa a mente com determinados problemas que afligem os adultos. Porém, eu era diferente. Estava sempre preocupado com as dificuldades dos meus pais. Além disso, eu era uma criança profundamente triste. Desde muito pequeno, escondia-me pelos cantos do quintal. Era um obstinado que buscava indiscriminadamente a solidão. Em certas ocasiões, sem nenhuma razão aparente, passava horas calado e triste. Esse vazio acabou por impulsionar-me ao meu destino. Foi ele, o vazio, que me levou a sair de casa naquela noite rumo ao centro de São Gonçalo procurando o lugar onde, de acordo com o programa de radio, "um milagre espera por você". O milagre esperava por mim no velho prédio do Cine Santa Maria.


Quando foi expulso:

[...]Ora, não se faça de imbecil! Você sabe por que tem de ir. Mas vou refrescar sua mente. Você não pode mais ficar com a gente porque tem AIDS! Quando Edir Macedo, o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, me chamou em seu escritório, no fundo eu sabia que era isso que ele me diria.


O livro encontra-se esgotado nas livrarias, mas tem uma versão em pdf AQUI.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Mar revolto e marujos perdidos...

Quando a maré esta boa, tudo vai bem, de vento em popa, o marujo não enjoa com o balanço da canoa e nem precisa saber direito para aonde vai. Quando o mar se torna revolto, traiçoeiro e o marujo não se dá conta do maremoto que esta por vir, ai então parece que todo vento, mesmo aqueles que sopram a favor, nunca satisfazem e até parecem ser contra.
Assisti este vídeo e senti um profundo desgosto da ignorância de certos dekasseguis.
Daqui a pouco estes cidadãos presentes no vídeo estarão na sarjeta ou debaixo da ponte passando fome e frio sem ter a menor idéia do porquê de estarem lá. Dá-me uma certa impressão de que falta orientação para este povo que esta aqui. Tem gente que parece não ter a menor ciência do breu que se tornou o nosso presente e futuro no Japão. É muito bonito e humano estas ações de solidariedade e tal, mas não adianta tapar o sol com peneira, é fácil concluir que tudo não passa dum mero paliativo para uma situação que só tende a agravar daqui em diante...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

...feeding a family of four on 10,000 yen a month.

"...alimentando uma família de quatro membros com somente ¥10.000 mensais."
É isto mesmo. Por mais irreal que possa parecer, esta frase esta no meio de uma interessante reportagem da agência Reuters sobre as artimanhas econômicas das patroas japonesas nestes tempos tão complicados. Ao terminar de lê-la, não tive como ficar aqui meio aturdido, pasmo, pensando em como conseguem tal feito...
Eu por exemplo, só em latinhas de café de "jidouhanbaiki" torro uns ¥ 13.000 mensais.
Só em restaurantes, fast foods, ramenyas e etc, lá se vão uns ¥15.000.
Só em pães, doces e besteiras variadas adquiridas em konbinis, lá se vão outros ¥15.000 e a conta prossegue até atingir algo em torno de uns ¥110.000 de custo mensal para me manter aqui, sem contabilizar aluguel, energia elétrica, água e gás que sempre vem descontadas direto na folha de pagamento.
Pois é, parece que vou ter de modificar meus hábitos consumistas por um tempo também, até porque meu salário atual não comporta tantos gastos assim...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Kobe

Começando tudo outra vez. Gostei da cidade, de Osaka que fica pertinho daqui e até do trampo (meio corridinho), mas principalmente do horário reduzido, sobra-me tempo pacas agora. Pena que granamente o salário não seja proporcional a minha satisfação com o restante das coisas, mas até que a borrasca econômica passe de vez, creio que estarei muito bem abrigado por aqui. Indústria de alimentos é sinônimo de estabilidade nesses dias carregados de incerteza, afinal, com ou sem crise o povo tem que se alimentar, não é?
E meio que estou um pouco aliviado por ter deixado para trás todo aquele lamaçal de estresse que inundava o Butantã, eita lugarzinho carregado de intrigas aquele... De qualquer maneira não posso de forma alguma cuspir no prato de comi, apesar de em alguns momentos ter degludido certos dissabores gratuítos, estresses desnecessários, suportado algumas pequenas e medíocres autoridades, a bagaça rendeu o que pode e as verdinhas que consegui economizar estão guardadinhas lá na minha conta corrente no brasil... No final das contas o que importa nesta vida dekassegui é isto: "dinheiro na conta", isto é o que realmente resume a dor sentida e o suor despendido na labuta diária por aqui.
O resto que não foi legal que se dane...