quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Adeus ano velho (e f.d.p.), feliz ano novo!!!

2009. Arrê. Definitivamente um ano difícil. Tenebroso. Em certos momentos me senti desolado como uma mosca debaixo de um copo. Ô ano dos diabos!!! Sinto calafrios só de olhar para o retrovisor e tentar contabilizar os fatos cronologicamente com alguma sensatez. Salário miúdo. Expectativas frustradas. Objetivos pausados. Tretas no trampo. Tensão. Depressão profunda. Mas o que realmente importa é que superei as dificuldades. Aprendi a comer em prato pequeno. A ranger mais os dentes e xingar de menos. Principalmente, e mais primordial, parar de perseguir cenouras como um burro teimoso. E assim, bem ou mal, sobrevivi, e cá estou, vivinho, lépido e intrépido; de peito aberto para enfrentar qualquer dragão de 7 ou mais cabeças que vier pela frente.
Em 2010 retornarei à terrinha após 5 anos de sol nascente castigando o lombo. Em janeiro estarei de mala, cuia e iMac rumando para San Pablo. Eita ciudad que me causa certo terror. Mas paradoxalmente minha intuição diz que lá estarão as portas que me descortinarão novas possibilidades de progresso.
É isso. A emoção (copiosas lágrimas de felicidade escorrem pela minha face) que sinto ao deixar este ano lazarento para trás, tanto me afeta neste instante que minha inspiração para tentar escrever algo decente esgotou-se.

Enfim, o que importa mesmo é estar de pé, ter forças para recomeçar e acreditar em um futuro melhor.
Que venha 2010!!! Pode vir quente e fervendo que estou preparado!!!

Um Feliz e Próspero Ano Novo para todos que por ventura tropeçaram por este blog.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Carlo e o Katsu-kare

Saí para comer um katsu-kare. Não imaginava o que iria acontecer. Estava comendo sossegado, quando me atacou um espasmo de riso ao assistir um comercial esquisito na TV. Cabei babando kare e pensei que o destino da gosma apimentada seria o piso. Então tranquilo. Nem liguei. Depois descobri que tinha pingado na calça. Meu jeans favorito. Tentei remover. Disfarçadamente esfreguei com um guardanapo. Não deu certo e ainda esparramou mais a mancha. Fui embora com a marca amarelada do meu desajeitamento estampada na altura do joelho esquerdo.
Moral da estória: "Se comer kare, não ria". Ou não aponte os olhos para comerciais japas estranhos durante a comilança. Básico.

Ôôô ano miserable que esta demorando a passar...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cézão e a bala perdida

Conversando com um camarada das antigas, o Cézão, via MSN:

- Carlooooooo! blz broda?
- +ou-. Aliás, na mesma droga de 1 ano atrás… qt tempo hein?
- tah em crise ainda??
- Pois é… E tu?

- Tah feio por aqui tb vei.voltei em janeiro e to ai na mesma. parado.sai atraz de trampo. distribui curricolos mas nao deu nd certo ateh agora.
- to estudando p/ concurso pelo menos assim os veios nao pegam tanto no pe. ce tah em shimane ainda?

- No. Fui kubi no ano passado, dezembro, tô trampando num bentoya em Kobe.
- bentoya ainda tem neh
- Tem ainda. Mas tô voltando no mês que vem.
- fala serio na real?
- na real, poh. Japão tá zuado d+. E são 5 anos direto. To estressado, cansado e o meu saco tah quase estourando. Vo dar um tempo aê e depois penso se volto ou não volto mais. Sei lah…
- soh tem gente desempredado aqui tb
- to ligado… Mas eu soh to pensando em dar um tempo mesmo. Depois eu vejo.
- vai p onde?/
- tô indo pra sampa.
- sampa?????? ce naw era de curitiba???????????
- Era. Não sou mais. não sou de lugar algum. Pelo menos aê é perto de Cumbica. Como esta a city? Continua alagada? Levo uma boia?
- kkkkkkkkkkkkkkkk
- e a bandidagem? Vou precisar de um colete a prova de balas? ;-)
- olha vai sim. olha ai.



- uma barata? colete para esmagar uma barata?
- kkkkkkkkkkkkk ce tah zuando. eh um buraco de bala perdida vei.
- caracus!!! Fala sério? Verdade mesmo?
- serio meu. por sorte tava no quarto do lado
- Afff. Pensei que isto soh acontecia no hell de Janeiro.
- sorte vei. kkkkkkkkkktraz a boia e o colete kkkkkkkkkk

- Já tô pondo na mala… :-}
- Bye Cezao, vou dar um rolê por aê…

- chau. liga quando chegar
- falooo broda…

domingo, 13 de dezembro de 2009

WTF!?!

Por Zeus! Alguém consegue me explicar isto?!?



Algumas teorias:




É mais uma daquelas coisas que só acreditamos porque dizem que foi no Japão. ;-)

Mais detalhes sobre este acidente escabroso aqui.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Miauuu!!!!!!!!


Chove e faz um frio glacial em Kobe-shi.
Sou um gatinho miudinho, tristinho, um tanto resignado, um tanto incerto, um tanto indefeso, necessitando de cuidados, carinho, ao menos uma cosquinha na cabeça, para seguir adiante. Para continuar minha caminhada solitária por sinuosas ruas sombrias e em meio a humanos gigantescos, indiferentes, maus e agressivos.

Mas é só uma fase ruim. Sou na verdade um felino escaldado dos diabos! Quando o sufoco passar, voltarei a ser o gatão malandro pra caray!
Crise existencial é para fracos. Pronto, falei.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Carlo e a cenoura


A figura do burro atrás da cenoura retrata isso mesmo. O burro iludido caminha na direção do tubérculo que vai se afastando na mesma velocidade, mantendo a distancia sem nunca lograr alcançá-lo. Triste e deprimente, desta forma o burro pode insistir eternamente na busca da recompensa que ela nunca virá. É isso. Cansei de bancar o burro teimoso. Ganhar um tutu legal com esta vida de peão terceirizado já estava sendo uma ilusão. E agora se amarrar como "patto" direto com o bentoya, fode de vez. Cansei. Encheu o saco. Vou dar um tempo. Já marquei o retorno para o ban… oh, uhn.. terrinha! Estou revoando para lá no mês que vem. Daqui a menos de dois aninhos estamos de volta. Apostando na certeza de que a economia japonesa renasça das cinzas como uma fênix radiante. E também preciso urgentemente dar uma renovada na minha estratégia. Porque assim não vou comer cenoura alguma…

domingo, 6 de dezembro de 2009

A epopéia continua...

Já escutei muito aquele velho ditado afirmando que alegria de pobre dura pouco. Devo ser um completo indigente miserável então, porque mal completei dois meses neste último trampo e o bentoya resolveu de forma unilateral e repentinamente, encerrar o contrato com a empreiteira na qual estou empregado. É a administração da bagaça sedenta em diminuir mais custos ainda, além do corte de pessoal que houve recentemente.
Pior é que o destino me pegou de calças arriadas outra vez. Pelo que me consta isto só deveria acontecer no início de 2011. Arre…
Desta forma acabei sendo "convidado" a participar do mesmo tipo de acerto que me fez desistir do emprego anterior: o degradante contrato direto no sistema de "part-time", sem nenhuma garantia de estabilidade, moradia por conta própria e pagamento integral de todos os impostos previstos na legislação trabalhista. E para completar a desgraçeira, redução no valor do salário/hora. Um belo de um chute nas minhas bolas já tão castigadas… Labutar tão duramente pelo pouco vil metal que virá, não vale a pena. Ganhar só o suficiente para a comida não é o bastante para mim. E a diversão, a arte e as tranqueiras tecnológicas que estava acostumado a queimar a grana? ;-)
Já fiz uma pesquisa básica por outras paragens, mas só senti cheiro de coisa provisória.
Tipo contratinho temporário de uns poucos meses, e depois se a fábrica não precisar mais, sayonara peão… Feroiz. Dekassegui hoje em dia parece gato em teto de zinco quente, tem que ficar saltitando de um lugar para outro senão queima as patinhas, não tem lugar perene para fincar a barraca nestas bandas orientais. A não ser que seja um cara abnegado e se contente em suar horrores só para o sustento pessoal.

Fico refletindo nesta frase filosófica que Bah colocou num post: "Quando as mudanças precisam acontecer, elas acontecem, com ou sem a sua permissão e temos que nos adaptar ou seremos prejudicados pela resistência."
Pois é… E fico a refletir se não estou cometendo uma tremenda tolice em ficar perseverando nesta porcaria de situação econômica. Talvez seja o caso de mudar de mala, cuia e iMac de volta para o ban…, ops! terrinha...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Carlo perdeu a benção

A situação esta tão preta, que quase parti em caravana com um pessoal cristão (e desesperado) daqui, lá para Aichi, receber a benção financeira de um tal Valdemiro Santiago. Pois é... Fico agora matutando com meus botões se não aconteceria um milagre se para lá "peregrinasse". E uma vez ungido e abençoado, será que não arrumava um trampo melhorzinho? Ou ganhava na loto 6? Ou chovia do nada, dinheiro na minha conta? Ou... sei lá. Tantas possibilidades legais e "divinas" povoaram a minha mente por alguns instantes.
Mas como não tive grana nem para a vaquinha da caravana, muito menos para o ingresso do show do pa$tor milagreiro, fiquei escutando solito na minha humilde toca esta bela musiquinha gospel que conseguiu tocar fundo até mesmo a insensível alma agnóstica deste escriba dekassegui.

E cabei economizando para passar o resto do mês tranquilo e talvez até sobre uns mangos para ao menos celebrar este natal pindaizento com um mini panettone...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

"2012"

Bem que a Bah avisou que a coisa não era muito boa, mas ainda assim esta mula teimosa que lhes escreve foi assistir ao ultra-hiper-marquetizado "2012". Afê. Como dói pensar que ainda paguei ingresso no cinema para praticamente dormir e jogar preciosos minutinhos da minha vida na privada. "2012" é uma lástima. Longo demais. O roteiro é muuuuiiiittoooo previsível e chato. Tem a virtude de ser inundado por uma profusão de efeitos cgi's que enchem os olhos de qualquer um, mas chega uma hora que enjoa, porque a estoria é patética demais. Muito. Até mesmo para um acéfalo como yo… Se pudesse voltar ao tempo, nem desperdiçaria banda da internet baixando. Vá de retro filme ruim! Cruzes…

E oremos todos, irmãos e irmãs, para que "2010" seja um filme melhor.
Aliás, que seja bem melhor que "2009" também. Que convenhamos, não fica nada a dever para aqueles filmes Bês de qualidade duvidosa, grotescos e sanguinolentos, como o "Massacre da Serra Elétrica".
Eca.
Porcaria de "2009". Ano desgraçado, miserável, filho da puta e lazarento.
Pô. Vê se acaba logo, chispa daqui, ano pestilento dos infernos!!!
Amém...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Governo corta verbas do auxílio de retorno

Desde abril, até o mês de novembro, cerca de 16 mil nikkeis deram entrada no 帰国支援金(きこくしえんきん) kikoku-shien-kin para retorno aos seus respectivos países. Até o ano passado, cerca de 370 mil nikkeis da América Latina viviam no Japão, segundo as pesquisas do governo, 40 a 50 mil descendentes retornaram ao país sem o auxílio de retorno, devido a falta de emprego. O Primeiro Ministro Yukio Hatoyama cortou a verba do auxílo de retorno ao país de origem, que oferecia ao trabalhador 300 mil yenes e para cada dependente, 200 mil yenes.
Na província de Aichi, 4,485 pessoas solicitaram a ajuda. Shizuoka 3,486. Mie 1,241. No total são 14, 896 brasileiros e 600 peruanos.
Instituições que apoiam trabalhadores nikkeis pedem continuação do projeto de auxílio de retorno que dependerá da posição do novo governo.

FONTE: Comunidade "Brasileiros no Japão" do Orkut. A autora do post ainda aponta este link com o artigo na integra.

sábado, 21 de novembro de 2009

Quero ser Chuck Norris

Começando a fazer um frio desgramado em Kobe-shi. É o andar das mudanças climáticas anunciando que já estamos nos aproximando do final de mais um "annus terribilis" e quiçá do fundo poço também. Hoje estava folheando a última edição da revista Alternativa e notei com agradável surpresa, um número além do esperado de belas e coloridas páginas recheadas de trampos pelo Japão afora. Pena que os valores salariais não combinem nem um pouco com a beleza gráfica dos anúncios. Mas ainda assim peão mudo em nihongo não arruma trampo como antes. Surdo, menos ainda. Afê. Pois é… Muito provavelmente, granamente especulando, o ano que vem também não será nada abundante para os brasileiros na ilhota. Aliás, se bobear vai abundar mesmo é "kubi", com a nova lei restringindo a contratação de "haken shains" pelas fábricas.
Contudo, fica um certo alívio no ar, considerando que a água não está fervendo tanto como há uns meses atrás, acho que até podemos dizer que está morna, mas não a ponto de esfriar a crise de vez. Só espero que ao menos tragédias extremas como famílias passando necessidades básicas ou peões morando debaixo da ponte não sejam mais noticiadas. Pelo menos isto.
Cada vez mais estou firmando o pé na certeza de que não basta só nihongo fluente para o típico dekassegui resgatar o salário e a empregabilidade dos anos dourados. Na dura conjuntura que esta sendo brutalmente consolidada é preciso também se ajeitar numa profissão. Ou se conformar e fazer como muitos por aqui, que se submetem a um salário minguado de até ¥800 a hora, que mal cobre as despesas fundamentais. É dureza. Mas é a dura realidade, só aquele dekassegui "Chuck Norris": cara fodão em nihongo e qualificado profissionalmente, vai de fato conseguir fazer a grana jorrar da pedreira que se tornou o Japão. E eu ainda correndo atrás do primeiro requisito. Mas vamô, que vamô…

Estudar e estudar!!! Sempre que possível. Mesmo quando impossível. De grão em grão a galinha enche o papo. Qualquer avanço é importante. Um centímetro conta. Um "kotoba" a mais armazenado na cachola faz diferença. Um kanji aprendido vale muito. Um minuto de "benkyou" é sagrado. É o mantra do dekassegui se agarrando com unhas e dentes para não derrapar fora do arquipélago.

E assim gambateando e estudando,
firme e forte,
de peito aberto e incontinenti.
Se a ilhota não afundar de vez,
para o bananão,
Carlo,
o teimoso dekassegui,
discípulo do mestre Chuck Norris,
não vai se escafeder.
Espero...

domingo, 8 de novembro de 2009

Carlo e o estranho fenômeno...

Na manhã deste domingo cinzento, a cidade de Kobe-shi foi marcada por uma enorme hecatombe. Carlo, mais um dekassegui brasileiro nesta remota ilha chamada Japão, chocou a sua cabeça dura contra um poste durante a pedalada para o trampo e assim provocou a morte de dezenas de inimigos que guardava na memória. Os médicos dizem que não será possível ressuscitá-los. Este estranho fenômeno chamou a atenção do mundo inteiro.
Carlo, num testemunho à televisão local, por meio de um nihongo um tanto capenga, declarou à repórter: "Quando estavam vivos eu sonhava com a morte de meus inimigos. Agora que morreram, até sinto saudades."; num tom notadamente sarcástico em sua voz. Estranhamente só os desafetos surgidos durante a estadia no Japão, faleceram. Algumas mortes foram brutais e dolorosas. Alguns corpos não foram reconhecidos tal a potência do estranho fenômeno. Inúmeros caminhões tiveram que ser empregados no transporte dos cadáveres. E o mundo assombrado descobriu afinal que não deveria mais aborrecer o Carlo, nem nas pequenas coisas possíveis. Carlo passou a ser respeitado como um Deus. E assim, com o mundo a seus pés, Carlo imaginou que seria feliz para sempre. Só que o Carlo não imaginava que fosse acordar desse belo sonho e ainda ter de trampar nessa fria manhã de domingo. E sonhando que o sonho bizarro um dia se tornasse realidade, lá foi o Carlo sonolento e tremendamente mal humorado para mais um dia de trampo no bentoya.

sábado, 31 de outubro de 2009

Grotesque

Esse filme realmente é para fortes.


O "Desejos Mortais" parece desenho da Disney perto desta "coisa". Foi o filme gore mais sanguinolento que já tive oportunidade de assistir. Roteiro minimalista. Um maníaco sequestra um casal e os submete a uma longa sessão de tortura até a morte derradeira. Só isto. Não existe qualquer explicação ou causa. É pura violência e carnificina. Teve cenas que me incomodaram tanto, que tive que desviar os olhos e dar uma respirada para continuar. Mas se você aguentar tranquilo, nada neste mundo te perturbará, como quando… Bom, deixa pra lá. Vale acrescentar que "Grotesque" foi censurado na Inglaterra por conta das cenas de extrema brutalidade.

Skittles



Passeando por Amagazaki, topei com um missezinho velho escondido no fundo de uma galeria encardida. Que por acaso estava lotada de Skittles até o teto. Por impulso acabei levando um pacote para casa. Abri e atirei tudo sobre o futon. Verde, amarelo, roxo, vermelho… E rememorei um ritual secreto dos meus tempos de piá: separei em montinhos por cores diferentes formando um círculo e fui comendo um de cada cor em sentido anti-horário ao mesmo tempo em que apertava levemente o lóbulo da orelha esquerda.
Existem certos hábitos infantis que não consigo abandonar, por mais ridículos que pareçam: sempre pisco o olho esquerdo quando vejo uma menina bonita, as vezes falo com amigos imaginários e dependendo de quais cenas aleatórias de filmes que assisti e que de súbito sobressaltam minha mente, rio sozinho ou faço caretas. Weird!!! Pelo menos não futuco mais as narinas com dedo mindinho. Talvez ainda consiga corrigir outras coisas, se me esforçar. Mas não sei se conseguirei parar de exagerar nas coisas que aprecio e principalmente, finjir esquecer das que me desgostam…

sábado, 24 de outubro de 2009

Ruindows 7 Fail

Os japas até fizeram fila para adquirir o windows 7 e rapidinho o novíssimo SO da micro$oft decepcionou dando uma empacada básica num programa televisivo da Fuji. O ancora do programa estava testando o novo recurso de zoom, mas o sistema não respondeu de acordo. Mesmo assim ele termina a apresentação frustada concluindo que o 7 é mais veloz que o vista.



Não demorou muito para o ruindows 7 tropeçar de novo em outra demonstração:



É de dar vergonha alheia assistir coisas assim.

Fizeram uns testes comparativos com o Snow Leopard da Apple, e o Seven não fez feio, ficou parelho em termos de performance. Isso sem a tradicional instalação de anti-vírus, anti-malware, anti-spyware, firewall e outras arapucas semelhantes rodando em background para tornar o ruindows minimamente resguardado, que no OS X é perfeitamente dispensável, fique bem claro.

O pesadelo do Carlo

O avião pousou no aeroporto internacional de Cumbicas às seis horas de uma manhã nublada do dia 25 de dezembro de 2009. Desembarquei com a bizarra sensação do mundo estar girando trezentas vezes mais rápido e só eu estar paralisado no mesmo lugar. Fui buscar a bagagem. Suava. Coração batendo a mil. Antevendo que minha vida seria daqui em diante algo como um daqueles filmes de guerra num cenário macabro ao estilo "Cidade de Deus", com direito a tiroteio rolando solto e explosões de granada. Procurei por toda parte, mas não consegui encontrar minha bagagem. Perguntei a alguns funcionários e as únicas respostas que obtive foram sonoras gargalhadas. Ai percebi que minha carteira tinha sumido também. Apertei forte os punhos, rangi os dentes e segurei alguns palavrões que estavam prestes a escapar da minha boca. "Tudo continua como sempre". Resmunguei em silenciosa indignação. Resignado com o prejú, segui com a cabeça baixa em direção a saída do aeroporto como se estivesse percorrendo o corredor da morte. Parecia que havia chegado o momento em que tudo estava escorrendo como água pelas minhas mãos e não sentia afinal, senhor de si em nenhuma porcaria de situação.

Lá de longe notei um velhinho vestido de vermelho. Lembrei que era natal. O sórdido e deprimente comércio natalino de sempre. Tentei passar despercebido.
- Alto lá!!! - Berrou o velhinho.
Virei-me e notei um trezoitão sinistro apontado para minha direção. Instintivamente fiz o que a razão proibia e minhas pernas ordenavam: corri em fuga do pressuposto assalto. Larguei toda a bagagem, e agarrado ao meu iMac disparei por uma avenida escura e logo depois, no meio da penumbra de um descampado notei alguns vultos. Pedi por socorro e quando estava me aproximando de uma animada turba dançando ao ritmo de um baile funk, percebi que eram todos mortos-vivos maltrapilhos vestindo camisas mofadas e rasgadas do corintians. Percebendo o risco mortal bem a tempo, desviei para um matagal e com a multidão de mortos vivos no meu encalço e mais as balas disparadas pelo papai noel triscando as minhas orelhas, abracei a única opção que restava: prendi a respiração, fechei os olhos e saltei para um mergulho cego no rio Tiête. Péssima escolha, para o meu desespero, senti meu corpo ser lenta e dolorosamente desintegrado e fazer parte da água lodosa e ácida do rio ultra-mega-poluído. E quando estava escorrendo para as profundezas de um esgoto fétido, acordei suando frio, trêmulo, porém ileso no meu apato em Kobe-shi. Nossa, pensei que não fosse me safar desta…

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A crise e um ano depois...

Mais um documentário broxante sobre dekasseguis no canal da NHK. Desta vez o foco esta no futuro incerto das crianças brasileiras e seus pais incapazes de manter uma vida estável no arquipélago, mas que ainda assim insistem em tocar a carroça por aqui. Bons tempos aqueles em que o único e premente objetivo do dekassegui típico era estufar o quanto antes o seu pé-de-meia para zarpar rapidinho de volta a nossa doce e saudosa republiqueta das bananas.


Algo a se notar é que os protagonistas deste documentário aparentam não "nihongar" praticamente nada. Quem domina pelo menos o básico, mesmo com certa dificuldade, ainda teve a chance de conseguir outra colocação e se virar de alguma forma.

A culpa de estarem nesta situação ruim pode ser atribuída a eles mesmos, que não souberam se precaver adequadamente. Mas é triste ver este povo perdido em caminhos circulares, sem chegar a lugar algum. E arrastando consigo quem ainda não tem capacidade de decidir seu futuro...

sábado, 17 de outubro de 2009

Empregos, empregos e empregos!!!

Bem, não custa nada dar uma força para quem precisa. A Koma Corporation esta admitindo. As vagas são para trabalhar em indústria de alimentos na região de Kobe.
Maiores informações com Akemi (090-1466-5198).
Email: koma-kobe@kcc.zaq.ne.jp
[]'s e boa sorte.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

アホな走り集

Impressionante como esses japas se esforçam para parecer esquisitos. E com certeza conseguem... Dá um certo desconforto assistir este vídeo, mas até que arranca umas boas risadas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Bate-e-volta



Síndrome do regresso, falta de oportunidades, violência e sei-lá-mais-o-quê esta empurrando a dekassegada de férias forçadas no bananão para a ilhota novamente... Ferrada a nossa situação. Se o Japão não esta para dekassegui, o bananão menos ainda. E a gente fica nesse bate-e-volta eterno. Até o Sidival, lembram-se dele? Alcoólatra, treteiro, não parava em serviço nenhum, acabou homeless e passou a ganhar a vida catando trastes na rua. A mídia fez um tremendo estardalhaço em cima da imagem dele. Sua triste figura deu as caras tanto na telinha brasileira quanto na japonesa. Ficou um tempão mamando nas tetas generosas do Seikatsu Hogo. E quando acabou o prazo da mordomia governamental e sem conseguir arrumar emprego, teve que retornar ao bananão do mesmo jeito que pisou aqui: sem nenhum mango no bolso. Agora, todo largadão, mas pelo jeito trampando, ainda assim quer voltar para cá. Esperto ele. Deve ter percebido que o "esmola-família" do lula nem se compara com as gordas benesses sociais do Japão, que ainda oferece trezentão para quem não teve a sabedoria básica de se precaver ao pior da crise. Sorte que este país é rico, pode sustentar quantos Sidivais que o bananão conseguir expelir para cá...

sábado, 10 de outubro de 2009

Tocando em frente. Como sempre...

Estou até gostando do novo trampo. O salário-hora é melhor. Mais dias de folga. A chefia parece ser sossegada. Os japas são camaradas e ainda por cima não tem conterrâneos babacas no setor para atrapalhar. Se bem que a primeira semana sempre é maneirosa, todos são simpáticos e cordiais. Mas enfim, o serviço promete. E minha doce vida de solteirão imprestável nessa maravilhosa Kobe-shi parece que irá perdurar mais um tantinho. Infelizmente algumas pessoas que eu curtia foram embora, mas a vida de dekassegui é assim mesmo, as pessoas vem e vão o tempo inteiro. É meio desgostante ter aquela sensação de que as piores são as que ficam mais tempo por perto, mas fazer o quê, assim é o mundo, aqui pelo menos.

No geral, percebo com certa reserva que a situação na ilhota esta aos poucos melhorando. A economia esta longe de raiar fulgurante como um sol nascente numa resplandecente manhã de verão, mas está capengando adiante… Quando as vezes dou uma bisolhada no noticiário econômico fico imaginando se não estou assistindo ao voo desengonçado de uma galinha. Ora os índices melhoram um pouco e logo em seguida pioram outro tanto, e vice-versa. Mas deve ser o meu pendor a enxergar as coisas sob um ponto de vista meio crédulo, ensinucado as vezes. Em meados do ano que vem a ilhota (assim espero) deverá bombar de trampos novamente. Alguns conhecidos que estão morgando no bananão já estão planejando voltar para cá. É assim mesmo, de crise em crise, o ciclo das indas e vindas continua. Dekassegui é bicho persistente, apesar de tudo que possa haver de ruim, não desiste jamais. Parece que desenvolvemos uma síndrome semelhante á das esposas que apanham direto e não conseguem largar do marido brutamontes por não saber viver outra vida. O Japão pode judiar a vontade, mas a dekassegada insiste em tentar fazer a vida aqui...

domingo, 4 de outubro de 2009

It's Baltimore gentleman, the gods will not save you.... "The Wire"

Cabei de assistir as três primeiras temporadas do "The Wire" (A Escuta) nesta ultima semana. Uma maratona de 36 horas de episódios. E pô, se isto não é diversão, então não sei mais o que é. Seriado animal! Particularmente achei-o superior ao "Família Sopranos", cuja temática é bastante recorrente. "The Wire" trata basicamente da crueldade visceral do mundo cão na cidade americana de Baltimore sob uma ótica tremendamente realística sobre tráfico de drogas, corrupção política, criminalidade e outras consagradas desgraceiras relacionadas a bandidagem barra pesadíssima em estado puro.


Ao contrario desses CSIs da vida, não é um mera série policial. É praticamente um estudo sociológico dos atuais desvios da urbanidade suja e miserável através de roteiros boladérrimos e personagens bastante reais, cada um com sua estória pessoal, sua visão particular sobre a vida e seu papel de bandido ou mocinho, numa cidade praticamente sem lei ou ordem...
Uau!!! Por sorte ainda me restam duas temporadas pela frente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

She and Her Cat

Gostei deste curta do Makoto Shinkai, mesmo diretor do "5 Centimeters Per Second". Adorei a arte bastante detalhista dos cenários em contraste com a forma simples como foram desenhados os animais e a personagem humana. São 5 minutos de uma estoria delicada e tocante sobre o relacionamento platônico entre um gatinho de estimação e sua bela proprietária. Simplesmente delicioso de assistir!



Tentando evitar preocupações e vivendo mesmo sem conseguir...

Terminei de ler o "Como Evitar Preocupações E Começar A Viver" do Dale Carnegie e para minha surpresa, até que gostei. Ainda desacredito da maioria dos livros de auto-ajuda, mas este título achei bacana. Até me despertou um pouco mais de amor a vida, fé de que as coisas podem dar certo, por mais que fiquem emperradas no meio caminho. Pensamento positivo, otimismo, crença no progresso e outros sentimentos legais que nos fazem despertar levemente felizes, mesmo que tudo esteja uma bela droga…

Mudando completamente de assunto, os brazukas estão vazando daqui. Depois da limpa no bentoya, alguns estão voltando ao Brasil, alguns arrumaram trampo em outra região. Esta evasão até que não foi tão ruim. Melhorou bastante o ambiente no cortiço aonde moro, faz um par de semana que não escuto mais sons de TV e música brega em volume ensurdecedor, gente berrando ao telefone de madrugada, manos urrando e relinchando alto pelos corredores, lixo jogado de qualquer maneira e até pancadaria. Isto se considerar que brasileiros e latinos não eram nem 1/5 dos residentes no prédio, mas pareciam causar incomodo pela cidade inteira…

Pena que o também foi kubi nessa ultima leva e decidiu retornar ao bananão. Até tinha arrumado trampo para ele também, mas o velhinho sucumbiu ao peso da saudade de viver longe da família e a constante aporrinhação da mulher, que já estava de mala, cuia e filhos, prontinha para se mandar lá para os confins da Paraíba se ele vascilasse muito por estas bandas. No final desta semana estará embarcando de volta para lá.
Acho que voltarei a sentir falta de ter um amigão, aquele tipo de pessoa a quem você sempre pode contar quando se encontra em aperto. Parafraseando um personagem daquele seriado policial "The Wire": aquela pessoa que você chama depois de ter matado alguém e que irá lhe ajudar a dar sumiço no cadáver, sem questionar ou reclamar de nada. ;-)
Pois é, amigos, amigos verdadeiros não são vendidos em lojas e muito se encontram em qualquer esquina. Não mesmo. São verdadeiros milagres que raramente acontecem na nossa breve passagem por esta pedregosa existência terrena.

E não obstante o meu grande ânimo, mês que vem inicio num trampo novinho em folha e vamos tocando a boiada pra frente, enquanto não damos de cara com uma porteira trancada ou um rio entupido de piranhas famintas…

sábado, 19 de setembro de 2009

O Zôo

Meu nome é Cão. Tem dias que me cago todo de tanto balançar a rabeta. Babo, deito e rolo. E como com satisfação a ração que meu Paizinho me concede com carinho. Por amor a ele fico ganindo na madrugada fria até o sol raiar. Paizinho é muito bom. Babo entorpecido com o seu afetuoso tratamento.

Meu nome é Paizinho. Sou japa e também o chefão desta bagaça. Mando e desmando e se alguém me despeitar, peitar ou peidar, vai sem dó, desembocar direto lá na rua da amargura.

Meu nome é Cobra. Sou réptil venenoso e tinhoso. Mordo, estrangulo e pico quem atravessa desprevenido as picadas traiçoeiras que permeiam este bentoya. Dia desses me enganei, mordi a própria cauda e quase morri com o meu veneno. Mas Paizinho gosta de mim e com o remédio que providenciou, renasci e agora estou boazinha.

Meu nome é Samambaia. Não me mexo. Não saio do lugar. Nem sirvo como enfeite. Nem sou bonita. Mas Paizinho não enxerga nada bem e pensa que sou uma rosa sem espinhos. E me trata tão bem. Tão bem que fico a parasitar ao meu bel-prazer, sem ninguém a me perrear.

Meu nome é Jão.
Posso levar um tapão,
que esta tudo bão,
se no prato tiver feijão
e IPC na televisão...

Meu nome é Pombo. Gosto muito de Jesus. Mas não quero morrer pregado na cruz. Por isso gosto também do Paizinho. Minto como o diabo. Treto como o Satanás. Todo dia estou orando. Todo mês estou ofertando. Desta forma, meu cantinho no céu comprarei, no ladinho da mansão do Macedão.

Meu nome é Gúgrou. Penso que tudo sei, mas nada sei. Canto todo dia. E penso que todos me escutam. Mas nem eu mesmo me escuto.

Meu nome é Carlo. Me chutaram fora desta bagaça. As vezes me revolto e passo a comportar como uma mosca na sopa. Mas sou mesmo um conformado. Nada muda. Nada se transforma. Nada melhora. E um tanto estarrecido, sei muito bem que este zoológico me acompanhará, aonde quer que eu vá, até nos quintos do Japão…

domingo, 13 de setembro de 2009

Yeps...

Santa crise, Batman! As últimas semanas passaram-se aos trancos e barrancos. Mal começou o mês de setembro e já tomei um kubizão, felizmente já me arrumei em outro galho, também não muito firme, também não muito carregado de frutas, mas que ao menos manterá este macaco velho a respirar ares nipônicos por mais algum tempo. É outro bentoya, só para não perder o costume. Saíram alguns peruanos de lá e agora só querem brazas. Começo no mês que vem. Vamos ver até quando dura a bagaça. E enquanto o juízo final da economia global não me atinge em cheio, vou lendo o "Como Evitar Preocupações e Começar a Viver" do Dale Carnegie. Não sou muito fã de livros de auto-ajuda, mas este até que ajuda. Ou engana bem. Pelo menos é melhor do que tentar afogar sentimentos ruins na cachaça. Falo por experiência própria. ;-)
Sei que o negocio é relaxar, preocupar-se a toa não resulta em nenhum progresso e coisa tal… Mas na real, já estou sacudo com esta situação caótica que vivemos. Cansado de ficar patinando nesta vida dekassegui. E já resolvi que se a vaca for para o brejo desta vez. Que vá!!! Fique por lá e se refestele a vontade na água barrenta. E eu me vou para uma longa temporada de férias no bananão e só volto em meados de 2.011.
É isso. E para que este post não fique tão deprê e desiludido, deixo para vocês este magnifico soneto do Bocage, que adoro reler quando estou meio dãum:


Soneto da Dama Cagando

Cagando estava a dama mais formosa,
E nunca se viu cu de tanta alvura;
Porém o ver cagar a formosura
Mete nojo à vontade mais gulosa!

Ela a massa expulsou fedentinosa
Com algum custo, porque estava dura;
Uma carta d'amores de alimpadura
Serviu àquela parte malcheirosa:

Ora mandem à moça mais bonita
Um escrito d'amor que lisonjeiro
Afetos move, corações incita:

Para o ir ver servir de reposteiro
À porta, onde o fedor, e a trampa habita,
Do sombrio palácio do alcatreiro!


Fodão este Bocage, não? Sou fanzoca desse cara…

domingo, 6 de setembro de 2009

Unk-Unko-Unko!!!

WTF!!!!



Alguém por favor pode me explicar isto?!?

sábado, 5 de setembro de 2009

Ula!!!

E ai pipou?!?
Fiquei um tempo na estrada caçando emprego por esses dias, era trampar a noite toda e sair para uns mensetsus marcados de dia. Aê nem sobrou tempo para atualizar o muro de lamentações que se tornou este blog. Yeps, as coisas em Kobe-shi continuam naquele "unko" de sempre. Nem tenho mais saco de ficar desperdiçando palavras para comentar a mesmice catastrófica de sempre. Na real, nem estou esquentando tanto a cachola com o que poSSA vir a acontecer. Ainda não desisti. Mas se nada de bom acontecer nos próximos meses, fazer o quê? Retornemos ao tenebroso, cruel e temido bananão. Antes lá num barraco qualquer, do que viver debaixo de uma ponte japonesa. Aliás, sinto que preciso aprender a gostar daquela terra novamente. Afinal, querendo ou não, é a minha pátria, nem tão querida ou acolhedora, mas foi naquele chão que nasci e que me proporcionou uma vida até, digamos, razoável. Pena que os últimos anos por lá tenham sido numa pindaíba desgraceira. Nem estou falando de um aperto ocasional, um determinado período de vacas magras, mas sim de uma falta constante de grana que oprimia, sufocava e sem exagero, chegava a contaminar a alma ao ponto de em certos dias ficar num estado de quase pânico. O mais contraditório de tudo é que não ganhava mal. A questão é que no brasil não conseguia ter a mínima disposição de manter minhas finanças sob controle. Era muita putaria, muito tetrahidrocanabinol na veia, cachaça e certas decisões tolas que sempre acabavam por consumir tudo que ganhava. E ai, dá-lhe da parentada encher-me o saco com recriminações e não a minha carteira com a bunfa que necessitava para torrar com as inutilidades costumeiras… Enfim, estava sem rumo, eira, nem beira por puro descaso com tudo. Shame on me...
Então num certo momento que você se cansa de tudo. Se liga que precisa mudar o curso que sua vida esta tomando, abandona tudo e vem para cá. E quando o objetivo inicial de juntar uns vintões se realiza tão facilmente e você se acostuma com a estafante vida de dekassegui, porém lucrativa e até tranquila (já que estou bem loooonnnngeeee da parentada chata), passa a nem cogitar no retorno á terrinha. Aliá, se não fosse esta crise que ainda esta a foder com tudo na ilhota, já teria deletado da mente tudo que se refere ao bananão e quem sabe até queimaria de vez as naus, como fez aquele general grego, o Agatoclis, naquelE clássico exemplo de ida sem retorno, vencer ou morrer, determinação ao limite extremo e o escambau…
Lamento amargamente não ter pavimentado meu caminho para uma vida mais estável por aqui. Poderia estar numa boa se tivesse aprendido a falar, ler e escrever corretamente o idioma local. E principalmente ter me ajeitado numa profissão de verdade. Oportunidades não faltaram, mas sempre deixei-as de lado, pela grana aparentemente mais cômoda e gorda das fábricas. Não há como culpar alguém ou as contingências atuais por qualquer coisa que seja. O culpado sou eu. E bom, agora também não adianta ficar nesta de autocomiseração, autopiedade e reflexões insones. Ultimamente tenho pensado seriamente no brasil e no desafio que será (sobre)viver por lá novamente. E obviamente, desviar das balas, escapar de assaltos, sequestros relâmpagos, etc e etecetera…
Não considero retomar a profissão anterior, trabalhar com administração de redes e remendar computadores fodidos não me apetece mais. Muito menos abrir um negócio próprio. Talvez parta para o desenvolvimento de softwares. Talvez estude para concursos públicos.
Talvez me adeque ao sistema, ao "way of life" tupiniquim e me torne pastor evangélico ou politico ladrão. Ou ambos. Se conseguir subtrair totalmente o que me resta de honradez, honestidade e vergonha na cara, sei que terei sucesso nestas duas "profissões".
Agora falando sério: quero viver num lugar aonde nunca tenha residido antes. Decididamente o meu barquinho vai se aventurar por mares nunca dantes navegados. Fico um tempão na busca da minha candidata a Pasárgada na internet. Ligo para corretoras de imóveis. Pesquiso em fóruns. Na minha modesta concepção, encontrar o lugar definitivo para morar é um processo muito parecido como o de escolher uma mulher para casar. Precisa de um certo tempo de convivência e namoro para tomar se tomar a decisão acertada. É preciso saber apreciar as virtudes e tolerar os defeitos. Nada é perfeito nesta vida. Sempre falta algo. Cabe a nós optar sabiamente pelo lugar que mais se adeque ao nosso perfil e estilo de vida, para aos poucos tornar a relação num casório estável e feliz.
Deve ser isto. Se bem que nunca casei e muito menos pretendo. Bom. Cansei. Muitas viagens rondam esta minha cabeça um tanto ébria no momento. A sensatez, a lógica e o bom senso estão jogados lá na esquina, pertinho do sunako da mama coreana. Jurei não ficar postando bebum de novo porque sempre sai uns posts peidados desse jeito, por demais chorados, mas fazer o quê… Talvez passe a borracha nisto tudo depois. Meio deprê. Hoje só eu estou a toa. Minha folga mudou. Tudo de bom pro cêis. Fui. Empacotei. ZZZZzzzzzzz…

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Que mêda!

Ele é tão aterrador quanto o bicho papão. E a possibilidade dele surgir amedronta. Pior que o anuncio derradeiro, que já esmaga totalmente qualquer esperança, é a eminência de sua visita. Qualquer probabilidade não vale um iene furado. Boatos se alastram como fogo no capim seco. O pânico se instala. Ele esta sedento por sangue. Ele é mauzão. Extremamente implacável. Não quer barganhar. Não quer uma parte, é tudo para ele. Não engulo isto muito bem. Aliás, tem muita coisa que não aceito. Mas isto? Não, não mesmo. Tenho recorrentes pesadelos com o bananão. Com zumbis favelados me assaltando. Com lajes, rebocos, lama e lixo. Desordem e atraso. Fome e miséria. Minha mente esta um caos. Durmo encolhido na cama. Sou mais um dekassegui sobrevivendo á crise dos mercados. "Ele" é o facão afiado que paira sobre o meu "kubi" indefeso.

sábado, 15 de agosto de 2009

Canção do Exílio - Paródia de um dekassegui

Minha terra tem políticos,
roubam ali, roubam acolá,
e o povo nada faz,
a não ser reelegê-los.

"Bispos" lá também existem,
muito mentem e enganam,
crentes fieis jamais descrentes,
que só sabem ofertar.

Tão distante eu estou,
ainda assim a fedentina,
do outro lado do planeta,
aqui na terra dos samurais,
muito se faz sentir.

Em cismar, sozinho, à noite,
nessa crise derradeira;
me entristeço a imaginar,
o que vou lá encontrar,
além de palmeiras e sabiás...

Não permita Deus que eu volte,
dekassegui trabalhador e honrado,
sem lá haver alguma ordem e progresso,
sem que os primores que aqui desfruto,
ao menos um pouco existam lá...


Uma paródia tosca da "Canção do Exílio" do Gonçalves Dias, só para espantar o pó neste blog meio largado...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Byôsoku 5 Centimeter

Ainda sobre o impacto de ter acabado de assisti-lo, o que posso dizer?
É um poema perfeito em forma de anime. Uma comovente estória sobre amor e distância (física ou emocional). Uma narrativa convincente sobre a dor sentida por não estar próximo da pessoa querida ou da incapacidade de declarar seus sentimentos a alguém que esteja ao lado.
5 centímetros por segundo. É a velocidade com que as pétalas de um sakura caem. Uma metáfora a respeito dos protagonistas, que iniciam um intenso relacionamento afetivo e com o tempo lentamente se distanciam, assim como as pétalas de um sakura espalhadas ao solo.

Shinkai Makoto é um artista excepcional. Tudo é muito bem talhado nesta fina obra de arte. Desde o roteiro bem escrito, trilha sonora, até o mínimo detalhamento de cada quadro, nota-se uma sensibilidade incomum. Não sei se algum dia ainda terei o prazer de assistir um anime tão excepcional quanto este...



terça-feira, 28 de julho de 2009

Vamos que vamos!!!

Salve, salve pessoal que me acompanha. As coisas até que deram um certo refresco por estas bandas. Na última hora a empreiteira conseguiu postergar até fevereiro do ano que vem o lance de tornar obrigatório o contrato direto com a fábrica e assim continuamos na batalha pelo pão-nosso-de-cada-dia cada vez mais complicado de se ganhar, aqui mesmo, na gloriosa Kobe-shi. Agora trocarei de setor, folgarei mais dias, por consequência menos bunfa nos bolsos, porém ainda assim é bem melhor do me amarrar como "patto" diretamente com o bentoya. O fato é que mesmo desta forma alguns colegas resolveram retornar para a terrinha. Se cansaram da dureza desses dias. Até yo, Carlo, estou considerando dar uma bronzeada numa ensolada praia catarinense e só retornar para o batente dekassegui em 2011, quando imagino uma situação mais arejada na ilhota, sem tanto estresse. Outra alternativa interessante, mas certamente dispendiosa, seria passar uns tempos na Austrália ou Nova Zelândia para estudar inglês e respirar novos ares. As ideias ainda não estão devidamente claras para tomar uma decisão derradeira. Acho que o cenário ainda pode modificar, pelo menos no médio prazo. Talvez para melhor. Se assim for, continuamos aqui na mesma peleja de sempre. Caso contrário, e se tudo o mais falhar, vou ter de buscar conforto naquela velha estorinha da vaquinha...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Brasileiros homelesses na TV japa

Os efeitos do tombo da economia japonesa ainda não deram sinais de arrefecer um tantinho que seja a situação dos brasileiros na ilhota. Assistindo esta reportagem da até a impressão que aumentou a quantidade de compatriotas desabrigados nas ruas. Não consegui descobrir quando estes vídeos foram transmitidos originalmente na TV japa, mas parece que não são tão antigos, talvez do mês passado?





Atualização: segundo um participante da comunidade "Brasileiros no Japão" do Orkut, o vídeo é do dia 15 deste mês.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Tá difícil...

Pois é caros amigos, a busca pelo novo trampo esta se revelando deverás infrutífero. Foram várias tentativas que acabaram afogadas nas águas tristes da desilusão. Chutei tantas bolas ultimamente, e nenhuma chegou sequer a triscar na trave. É dureza. Por mais que tente alimentar algum otimismo, só consigo enxergar a poeira, as trevas, a agonia e a solidão inimaginável num deserto árido de oportunidades.
Estou quase seguindo aquele conselho do bruxo Paulo Coelho: Sentar-se à margem do Rio Piedra e chorar. E sonhar que as minhas lágrimas pelo menos irriguem meu caminho de volta ao bananão e que daquela terra infértil brotem novos caules de esperança. :-]
Vida de dekassegui é foda. Mas nunca, nunquinha, desde que pisei nesta ilha, senti-me tão cansado, desamparado, desanimado, triste, fatigado, depressivo e tudo o mais que ofusca aquela gana de vencer que me fazia seguir adiante...
Como esta difícil acordar e antecipar que o dia não será nada fácil. Parece até que criei uma espécie de bloqueio mental que esta minando, dia após dia, minha confiança de que dias melhores possam realmente vir adiante.
Só sei que preciso urgentemente acreditar em pensamento positivo. Mas não está nada fácil...

Assim é a vida...

Assim é a vida,
pontuada de tentativas,
erros e acertos,
mais erros certamente...

Assim é a vida,
um tosco poema amador,
sem rima, nem métrica,
sem tanta beleza e significado...

Assim é a vida,
que confunde o dekassegui,
estendido no chão,
olhando perdido para o teto.

Assim é a vida,
que parece estar sempre contestando,
contrariando,
nossa felicidade.

Assim é a vida,
suas dores,
seus lamentos,
suas tristes lições...

Assim é a vida,
yakins, hirukins, zangyos,
horas, dias, semanas, anos,
consumidos nesta vida que parece não levar a lugar algum...

sábado, 18 de julho de 2009

Liberada a mendicância no brasil



O presidente lula não fica só no turismo vagabundo pelo mundo, não. Mal descansou da última viagem e já partiu para mostrar serviço revogando o art. 60 do Decreto-Lei no 3.688, de 3 de outubro de 1941 - Lei de Contravenções Penais.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o É revogado o art. 60 do Decreto-Lei no 3.688, de 3 de outubro de 1941 - Lei de Contravenções Penais.

Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 16 de julho de 2009.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso Genro


O texto revogado dizia o seguinte:
Art. 60. Mendigar, por ociosidade ou cupidez:

Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses.
Parágrafo único. Aumenta-se a pena de um sexto a um terço, se a contravenção é praticada:
a) de modo vexatório, ameaçador ou fraudulento.
b) mediante simulação de moléstia ou deformidade;
c) em companhia de alienado ou de menor de dezoito anos.


É isso ai lula. Já esta tratando boa parte da população brasileira como mendigos com o bolsa-esmola-família, agora tem mesmo é que liberar geral.

Bem, se não conseguir trampo por aqui e tiver de voltar, pelo menos não vou ter de me preocupar em não ter o que fazer por lá... Posso ficar a toa, vagabundo, mendigando de boa lá na nossa salve-se, salve-se, pátria desalmada, sem qualquer risco de ser chutado para um xadrez.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Você é forte.

Não curto muito estas coisas de auto-ajuda, espiritualismo, religião e tal. Mas esta palestra do Nick Vujicic, um deficiente físico que nasceu sem braços e pernas me fez pensar... A mensagem de superação apresentada na palestra é tão impactante que não tem como não ficar animado e carregado com energias positivas depois de assisti-la.





Comentário da minha amiga Vixen, do Untitled:

Já tinha visto o video, achei muito bonito 0)
Vários cientistas, pediatras e psicologos afirmam, que se o bebe nascesse pensando como um adulto, jamais conseguiria andar, pois sempre acharia impossivel se levantar sozinho e andar, andar, andar... A nossa mente é o nosso guia, se você pensa positivo, seu corpo obedece e atrai coisas positivas. ;)
Esse rapaz é especial, porque usa seu defeito pra ensiar as pessoas que NADA É IMPOSSÍVEL, que dá pra se levantar sim! ( E sem religião )

Albert Einstein e a lição sobre a crise

Sou um fã incondicional deste belo texto de autoria do Albert Einstein. Uma eloquente inspiração para todos os dekasseguis, que como eu, nestes dias tão difíceis lutam para vencer neste país tão distante do nosso.


Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.

sábado, 11 de julho de 2009

Tokyo Sonata



É um filme que a principio imaginava ser extremamente deprimente, triste, difícil de assistir. Mas para minha surpresa tem um final bastante otimista, considerando-se que boa parte de sua estória lida basicamente com crises. Crise econômica, familiar, existencial, educacional, conjugal, enfim, crise para qualquer desgosto possível.
Reflete de forma um tanto crua a realidade sócio-econômica de uma bastante provável família japonesa sobrevivendo nestes dias tão granamente bicudos. O patriarca perde o emprego e por vergonha decide esconder o fato da família. O filho mais velho, sem maiores perspectivas no país, decide alistar-se no exército americano. O caçula, a despeito da oposição dos pais, decide aprender piano. A mãe, impotente em cumprir o papel de agregadora da conturbada família, surta depois de ser vítima de um sequestro. Quatro personagens interessantes e complexos compartilhando o mesmo lar numa Tóquio depressiva, hostil e deserta de oportunidades. Quem aprecia o ritmo dinâmico e aquela batidíssima fórmula melosa dos filmes roliudianos não vai curtir esta bela película nipônica que parece muitas vezes estar engatada na marcha lenta de uma melancólica sonata. Mas não é nem um pouco maçante, é uma interessante estória narrada de uma forma bastante sensível e humana. Tem alguns momentos hilários de sutil ironia, quando por exemplo o patriarca acaba se esbarrando com um ex-colega de escola na fila da sopa para mendigos. Tentam em vão por um instante mascarar o motivo de estarem ali, para poucos minutos depois trocarem dicas de como esconder a humilhante situação de desempregados para suas respectivas esposas.
Não vou ficar aqui espoliando o filme a toa. Para encerrar, gostaria de recomendar que o assistam. É uma verdadeira lição, uma inspiração para seguir adiante, mesmo nos piores momentos da vida. Cair, mas ter forças para levantar-se bem mais forte...

sábado, 4 de julho de 2009

Coisas novas

Já assistiram "O silêncio dos inocentes?"
Adoro a cena que se passa quando o Doutor Lecter está no avião e o garotinho do assento ao lado pede um pouco de sua comida.
Ele, todo sorridente e solícito, diz:
- Claro, minha mãe sempre dizia que devemos experimentar coisas novas.
O petisco em questão era o pedaço do cérebro de um infeliz que cruzou o seu caminho e acabou virando bife. É meio macabro, mas achei tão engraçado que nunca esqueci deste trecho do filme.

Pois é... As coisas andam meio brabas por aqui. O bentoya resolveu rescindir o contrato com a empreiteira e contratar direto os brazas no sistema de "patto". Agora temos que arrumar apato por conta, pagar shakai hoken integral e no cúmulo da desgraceira o salário-hora terá um desconto de ¥50. A paga que já era pequena, ficou menor ainda.
Enfim, cabou para mim aqui. Não tenho a menor estâmina de continuar puxando esta carroça pesada e mal paga. Vou cumprir aviso prévio até o fim deste mês e bye, bye bentoya, para sempre.
Agora vou seguir o conselho do Hannibal Lecter, experimentar coisas novas. Sair do gueto verde-amarelo. Aprender a me virar solo. Decisão mais do que coerente, já que decidi de uma vez por todas que para o bananão não volto tão cedo. Com a ajuda de uma amiga comprei um daqueles kit mensetsu por ichiman, catei umas referências e já sai por ai fazendo algumas entrevistas. Estou procurando apato também. Quero ficar em Kobe mesmo. Gostei da cidade, conheci muita gente legal e fiz algumas boas amizades. Vai saber, talvez aqui seja a tal da Pasárgada que tanto andei procurando. Só falta mesmo é arrumar um trampo decente.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Embalagem de leite

A moda atual no Japão é projetar os trecos de uso diário da forma mais ecologicamente possível. Seguindo a risca este novo conceito, um designer nipônico projetou esta interessante embalagem de leite totalmente biodegradável.

É tirar a tampinha para ficar com uma vontade doida de tomar um leitinho fresco...



É tão fácil manuseá-la.


Seu formato é bastante compacto, se ajustando com facilidade em qualquer tipo de geladeira.

Desfazer desta embalagem é uma moleza.
Nada de ficar torcendo, amassando ou cortando aquelas embalagens de papelão duro que ainda assim ficam ocupando o maior espaço no lixo.
O genial inventor deste inovador produto ainda não recebeu nenhuma proposta oficial de uma empresa para a sua produção em massa.
Mas eu não perco as esperanças que o mercado acabe absorvendo esta magnifica ideia. Conta a favor o fato de que ultimamente os japas andam com uma fixação anormal por seios. Estes pudins por exemplo, fizeram o maior sucesso por aqui:


Já comi, gostei e recomendo.
E já vou avisando que apesar do pudim ser de leite, não adianta sugar que não vem leite.
Ugh. Eita piadinha infame...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Já viram este filme?


Traduzindo: "O samurai no banheiro".

E pensar que praticamente todo dia interpretamos este papel...

Takasugi-an

O chá é um elemento dos mais tradicionais na cultura e nos costumes japoneses. Tão importante que existe um centenário ritual artístico para produzí-lo, chamado sadôo ou chanoyu. Talvez inconformado com a agitação da vida moderna que não proporcione paz suficiente para o pleno exercício desta complexa e tão delicada arte, o arquiteto Terunobu Fujimori resolveu construir a mais alta casa de chá do Japão:



Esta inusitada e aparentemente frágil estrutura foi construída sobre dois troncos de pinheiros, usando principalmente materiais naturais como argila e bambu.

É bem compacta, mede aproximadamente 4 tatamis e meio no seu interior, mas ainda assim mais espaçosa que o quarto do meu micro apato.



O Fujimori-san escolheu um belo local para situá-la. Longe de tudo e todos, na companhia silenciosa das montanhas de Nagano-ken.



Sempre quis morar num lugar assim. Este desejo fica ainda mais fortalecido quando sou acordado as três horas da madrugada por um conterrâneo berrando ensandecidamente ao telefone. Por coisas assim que existindo a oportunidade de escolher meu endereço, evito locais aonde residem muitos latinos. Não quero parecer elitista, preconceituoso ou algo parecido, mas a realidade é que morar próximo de conterrâneos é quase sempre sinônimo de suportar inconvenientes irritantes tais como buzina de carro, TV ou música em alto volume, falatório aos berros, baderna, isto tudo, obviamente, no horário que der na telha do malaco fazê-lo. E por consequência destes fatos falhos de terceiros (brasileiros), ser discriminado por ações pelas quais que você não cometeu, mas que lhe será imputado por simplesmente compartilhar da nacionalidade de uns favelados tupiniquins. Viver no gueto verde-amarelo no Japão é uma desgraça. Isto para quem é minimamente civilizado e se importa com sua imagem, é claro.
É por estas e outras que resisto tanto á ideia de retornar ao bananão e ter de aturar a enojante inexistência de civilidade do nosso (bobo) alegre povo bananeiro, incapaz de respeitar até mesmo o simples e fundamental direito do seu vizinho ter uma noite de sono tranquila depois de um estafante dia de trabalho.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

É mole???


Italiana que perdeu voo Air France morreu em acidente automobilístico.

Uma italiana que perdeu o voo 447 da Air France, que desapareceu no oceano Atlântico, acabou por morrer agora, num acidente de carro na Áustria.

Segundo avança o jornal inglês The Times, Johanna Ganthaler passou férias no Brasil com o marido e um atraso fez com que não conseguissem embarcar no voo 447, no Aeroporto Internacional António Carlos Jobim, no Rio de Janeiro.

Ganthaler e o marido, Kurt, acabaram por embarcar de volta à Europa apenas no dia seguinte.

No entanto, esta quinta-feira, a mulher acabou por perder a vida na estrada, sendo que o The Times não avança com informações precisas sobre a causa do acidente, nem sobre o horário exacto.

Segundo o jornal britânico, o carro em que os dois seguiam entrou na faixa contrária de uma auto-estrada em Kufstein, na Áustria, e bateu de frente com um camião.

Enquanto Kurt ficou gravemente ferido no acidente, a mulher, Johanna, acabou por falecer na sequência do mesmo, informou o The Times.


Catei daqui.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Calorzão

Ás vezes dá até vontade de bancar aquele inglês maluco que mergulhou peladão no canal que circunda o palácio imperial em Tóquio.
Acho que esta imagem infeliz ficará gravada para o resto da vida na minha mente:



Ele ficou mais de horas brincando com a polícia japonesa:




Parecia que o Godzilla tinha baixado na área. O comportamento dos policiais neste incidente foi muito patético, para não dizer outra coisa. Parecia até que estavam lidando com um animal gigantesco e perigoso, e não com um bêbado qualquer.
Queria ver essa folga toda se fosse no brasil...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Fome...

Tripas, sangue humano, órgãos despedaçados, vísceras, tudo espalhado a esmo pelo galpão destruído do bentoya aonde até um par de semanas atrás estava labutando o pão nosso de cada dia. Sob a iluminação fosca proveniente da chama do fogão que improvisei como candeeiro observo o outro sobrevivente encostado na parede oposta, N..., chorando compulsivamente como um bebê abandonado.
- Não temos mais comida, vamos morrer de fome Carlo! E a gente tentou de tudo e não encontramos nenhuma forma de sair daqui.
- Calma N...! Desespero não vai levar em nada, vamos manter a calma. Vou tentar quebrar a parede da outra sala e...
- Já fizemos isso!!! Quantas tentativas frustadas serão necessárias, para se convencer que não adianta? Lembra da outra vez? Uma avalanche de entulho quase soterrou a gente. Não adianta. Vamos morrer!!!
- Isso N..., grite bem alto, gaste suas energias a toa e então não vamos mesmo conseguir escapar daqui. Respondi irritado.
Abandonei o gorducho lamuriando na outra sala e mais uma vez tentei divisar alguma saída no meio do breu. Frio. Muito frio. Escuridão. Bastava dar uns passos e sentia a sola do sapato pisotear óculos, pedregulhos, pedaços humanos. Mesmo assim tomei coragem e mergulhei na negritude sombria do ambiente, tateei e auscultei todas as paredes. Nada. Nenhuma brecha. Nenhum som. Nenhuma luz. Nenhuma esperança. Será que o mundo acabou lá fora? Desolado, retornei para a sala aonde estava o N.... Lá ficava a cozinha. E eu estava com fome. Muita fome.
- O que esta fazendo? Perguntou com voz trêmula, o meu companheiro chorão.
- Não esta vendo que estou assando carne?
- Carlo aonde você conseguiu? Porra!! É de gente!!!
Exclamou aterrorizado, enquanto saltava para trás.
- Meu caro, temos que comer algo se quisermos sobreviver até o resgate... Se é que vai haver algum.
- Tenho estômago fraco e ainda por cima sou evangélico, não posso comer de gente!!!
- Não seja fraco, olha só como a coxa da coreana é macia e suculenta. Acho que vou deixar o Hanchou por ultimo, a carne dele já parecia estragada quando vivo, imagina agora.
- É tanta tripa, sangue e banha... Não vou aguentar. Vou vomitar...
- Cê é mole demais! Temos que comer agora enquanto não apodrece, idiota.
- Não consigo. Não sou um animal desalmado como você. Jesus!!! Vou morrer.
Estava quase respondendo. Mas o meu desespero egoísta por sobreviver calou-me. só consegui pensar silenciosamente:
- Morra. Morra logo. Assim terei mais carne fresca para comer!

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Não é a toa que os Stephen Kings da vida ganham uma fortuna como escritores. É um amador qualquer tentar escrever contos de terror para surgir um troço bisonho como este...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Reportagem da NHK sobre brasileiros






A situação no Japão parou de piorar, mas ainda não esta apresentando qualquer sinal de melhora significativa. É triste ver tanta gente boa e esforçada sem trampo. E também é angustiante ser incapaz de fazer qualquer prognóstico para esta crise. De quando os dekasseguis poderão dar um suspiro de alívio e levar aquela vida ocupada, porém financeiramente satisfatória. Do jeito que esta agora, é cada um se segurar no seu barquinho do jeito que pode e aguardar a tormenta passar...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Viciado em Bloxorz

Fazia tempo que não encontrava um joguinho em flash tão bom e viciante como este tal de Bloxorz. O objetivo é fazer o bloquinho cair dentro de um buraco numa plataforma suspensa. Para isto terá que escolher a sequencia correta de movimentos sobre a plataforma usando as teclas de setas. Parece fácil não? Mas depois da fase 20...

Tô a três dias empacado na fase 30. Ai, ai, ai...

Acesse o maledito aqui.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

The Westler

Também conhecido lá na terrinha como "O Lutador". É fodão, espetacular, grandioso. Mickey Rourke detona!!! Na minha humilde opinião, o filme do ano. Estória insuportavelmente depressiva, dramática, angustiante ao extremo. Final trágico. De partir o coração da mais desalmada das almas. Não recomendo para qualquer um. Tem que ser forte para suportar o desenrolar de tanta tristeza e miséria humana. Veja por sua conta e risco. Só por precaução, evite assisti-lo numa dessas tardes chuvosas e cinzentas, tão comuns nestes dias...

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ugh!!!

Tava meio chateado, curtindo mais um desses momentos merda que costumam me assombrar ultimamente, quando botei os olhos nesta reportagem sobre um pedreiro que caiu de uma altura de três andares e acabou atacado por um pitbull. Vai ter azar assim lá na pqp...

Daí cabei me lembrando da estória de um cidadão chinês que durante o recebimento de sexo oral da amante dentro dum carro, teve o pênis decepado quando o veículo foi abalroado na traseira por um caminhão. É que assustada com o choque, a garota cerrou impiedosamente as presas no "bráulio" do chinês e ai degolou o "vingador careca". O drama continuou no hospital, pois foi lá que houve o encontro fatal entre a matriz e a filial do cara. Barraco montado e desmontado, a matriz desgostosa com a traição conjugal, deixou de ser a matriz. E a filial ao perceber que o braúlio não mais retornaria para o lugar de sempre, desistiu de ser a nova matriz e ainda abandonou a posição de filial. Como o fundo do poço pode ás vezes ficar mais fundo em certos momentos da vida, o veículo era de propriedade da empresa em que o infeliz era funcionário, com o agravante de que na ocasião em que estava sendo utilizado como motel, era horário de expediente. Quando o patrão soube de tudo, foi implacável, concedeu-lhe um belo bilhete azul pela peraltice impensada. E assim, de uma hora para outra, como se o céu tivesse desabado sobre sua cabeça, o azarado chinês terminou sem esposa, amante, emprego e o mais cruel de tudo, sem pênis...

De boa, reconheço que ás vezes fico me queixando de coisas sem o menor sentido. Ás vezes até fazem. Mas é ficar sabendo dumas estórias assim que me apercebo como as coisas podem ficar muito piores, que o buraco pode estar mais embaixo ainda. Tô fodido e mal pago, mas até bem demais da conta se comparar com uns tipos ai...

sábado, 30 de maio de 2009

Maru



Maru é um gato japonês muito parecido com o seu contraparte americano, o Garfield, também é gorducho, arteiro e bonachão. Adoro acompanhar o blog do bichano, ver suas fotos e proezas registradas em vídeo.
Espertinho, Maru sempre consegue se virar para conseguir o que deseja. Neste videozinho aqui, ele tem dificuldades, mas estuda, planeja e após várias tentativas finalmente consegue adentrar na caixa de papelão.




Que exemplo de persistência, não?
Queria ser como ele...

Interessante como foi mais fácil sair da caixa, parece até que foi ejetado ou tinha uma turbina no rabo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O canto do dekassegui fodido

Depois de um dia corrido,
nada melhor que uma asahi geladinha,
que não é uma skol,
mas também desce redondinha.

Mais uma vez cumpri o meu dever,
fiz o ordenado,
como um robô,
bem programado.

Como prêmio conquistado,
esta latinha geladinha,
na minha mão acaricio,
na solidão do meu apato.

Faço tudo o que posso,
se a vida não melhora,
e além disso não transpasso,
longe sonho e não choro.

Queria ter mais esperteza,
mais vontade de mudar,
algum dinheiro na carteira,
alguém para amar.

E assim tão ébrio,
minha alma se liberta,
meu espírito se aquece,
minha esperança se ilumina.

Sou dekassegui fodido e mau pago,
não nego, não reclamo,
adiante eu persigo,
o sonho de um dia vencer...



Afê. Mais uma tentativa de poetar bixada...
Um dia ainda escrevo algo que preste.

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Enfim uma notícia boa!
O Kurati, um colega dekassegui e blogueiro arrumou trampo. Nesta crise braba o carinha safou-se ao conseguir um. Toda torcida por ti, broda! Sucesso na nova empreitada!!!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Daichi, o beatbox japa

Este é o Daichi, o japurunga muito fera em beatbox que vai defender as cores da ilhota no "Beatbox Battle World Championship" em Berlim, no final deste mês.
Doidera pura esta performance:



Ele é tão bão na arte, que esta sendo considerado o favorito disparado a faturar o título de campeão deste ano. Pois é... Parece que vai ter mais um japa campeão mundial em algo esquisito. Lembram-se do Mãosanobu? Ganhou de novo, e quebrando mais uma vez o recorde! Quem consegue segurar estes japas e suas estranhas habilidades?

sexta-feira, 22 de maio de 2009

两个婆娘一个郎

Trabalhar neste bentoya, bem no meio da peãozada multi-étnica até que esta sendo culturalmente interessante. Em que outro lugar eu teria a oportunidade de receber uma dica musical interessante como esta:



Segundo a tradução de uma amiga chinesa, a canção narra a romântica estória dum carinha pulando a cerca. A garota seduzida alerta o rapaz que a esposa traída pode descobrir a traição. Mas ele replica bravamente que não esta nem aí, o negócio dele é chifrar, bombar e tals... Na parte final eles ficam planejando como vai ser a brincadeira.



Esta aqui é mais animada, tem um ritmo bem dançante:



Tinha certeza que alguém tava tirando um barato da minha cara, mas depois fiquei surpreso ao saber que esse trio (nem lembro mais o nome) faz bastante sucesso lá nos rincões interioranos chineses. De qualquer maneira não consegui ouvir nenhuma das maleditas até o final, em todas as tentativas, me deu dor de cabeça, gastrite, enxaqueca, depressão. Foi uma experiencia por demais cruel para os meus sensíveis ouvidos metaleiros. Música jacú é dose em qualquer parte do mundo. Vou me vingar mostrando um clipe do Tiririca pra eles... O pior é que é bem possível que eles gostem.

domingo, 17 de maio de 2009

Gripe suína em Kobe/Osaka

Infecção da gripe suína se alastrando em Kobe/Osaka. Mais de 90 casos comprovados nesta manhã de segunda-feira, (18/05)

Recomenda-se o uso de máscaras protetoras, lavar as mãos e fazer gargarejo ao voltar para casa. Não sair para locais congestionados.


Esta reportagem da TV japonesa dá o tom de como as coisas estão por aqui:




Ruas praticamente vazias na Chinatown de Kobe. Lojas e farmácias com o estoque de máscaras esgotadas. Tradicional festival cancelado.

FAÇA AQUI O DOWNLOAD DO PANFLETO QUE CONTÉM A LISTA DE PRECAUÇÕES A SEREM TOMADAS CONTRA ESSA NOVA INFLUENZA (EM PORTUGUÊS).

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Word Builder

Fiquei impressionado com este vídeo. Um puta efeito visual pra neguinho nenhum botar defeito.
É uma estorinha meio cliché, mas um tanto emocional sobre um carinha que constrói um mundo virtual com ferramentas holográficas para a sua amada que esta em coma.



Aperte no botãozinho escrito HQ, para assistir em alta resolução, o salto na qualidade de reprodução é brutal.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sorte de hoje no Orkut

"Almas ocupadas não têm tempo para se intrometer na vida dos outros." (Austin O`Malley)

Talvez almas ocupadas também não tenham tempo para dirigir criticas covardemente veladas a respeito de opiniões, até posso dizer assim, pessimistas, porém realistas dos outros...
Talvez almas desocupadas se ofendam com algum post supostamente pessimista porque vestiram a carapuça de um tal dekassegui fracassado. Mas enfim, talvez seja mesmo "m
elhor cada um refletir sozinho" e não ficar alfinetando os outros por puro capricho ou por não entender o que pretendi expor.
Pensamentos positivos, otimistas podem até ajudar, mas embriagar-se em tais sentimentos incorre na armadilha de se iludir que tudo esta bem, quando na realidade não está. Por isso mesmo é que tem tanto dekassegui falido e até mendicante neste Japão. "Enxergar a vida com o coração" é uma frase bonita, bem ao estilo daqueles livretos de auto-ajuda descartáveis, mas se não enxergá-la com o cérebro também, principalmente quando se tem filhos para cuidar, é ser por demais irresponsável...

domingo, 10 de maio de 2009

O desabafo do W*****

Mais um "interessante" desabafo orkuteiro num daqueles pedreguentos fóruns dekasseguis rendendo post:

Por W*****:

eu ja vi brasileiro ser mandado embora por causa de um brasileiro que viu o cara fumando num cantinho escondido da fabrica,chamou o chefe, dai os dois brasileiros sairam no tapa, e o brasileiro que estava fumano levo a pior,era so relevar um pouco e imaginar que o brasileiro estava la porque precisava trabalhar ja que tinha filhos pra cuidar,mas o brasileiro quis ferrar o colega,e caso raro?tudo bem concordo,mas ve as intrigas que brasileiro faz por causa de coisa tao insignificante, se nao e cigarro e limpeza de banheiro,e um pequeno atraso no kiukei, tem muitos que fazem de proposito,mas as vezes o kiukei e tao curto que nao tempo do cara fazer nada,fora o que disse a X****,cara que se mete a fiscalizar o seu servico pra pegar furio e te ferrar,leva o chefe la e mostra o que vc fez,so que ele leva na hora que vc nao esta,na hora do almoco,vc nao vai la meter o naris no servico dele,purque num tira remela do prpio nariz,mas nao ele faz questao de puxar o saco do chefe,fora aqueles que vc suando a camisa e finge que nao ve nada,nao te ajuda,faz cera pra caramba,enrola no banheiro,fica shupano o sacu do chefi,vi cada coisa por ai que dava vontade de matar o filho da puta,talves se um viado desse nascesse mudo seria bem melhor,assim nao ficava fazendo entrigas.


É dose. Pena que a sacanagem supere em muito a brodagem neste nosso adorável gueto verde-amarelo presente na ilhota. Costumo dizer que trampar nessas fábricas entupidas de conterrâneos é tão arriscado quanto ser funcionário do instituto Butantã. Por mais que se tome cuidados profiláxicos, cedo ou tarde uma traiçoeira cobra tupiniquim vai te picar... Não tem jeito.
Quando isso lhe acontecer meu caro colega, por favor, seja mais esperto que o vacilante conterrâneo fumante citado no desabafo acima. Resolver as coisas muito energicamente (na porrada) aqui no Japão, normalmente resulta em degola. Independente de se estar certo ou errado. Todo mundo aqui sabe disso. Ou pelo menos deveria...

É justamente por existir tantos dekasseguis babacões e brigões assim, que sinto uma profunda admiração pelo Sharkey, o pitbull. O bicho é poderosíssimo, uma máquina possante de destruição e morte, mas aguenta firme qualquer coisa sem partir para a ignorância descabida. Suporta quietinho até esta festinha de aniversário chata e deprimente:



É dose. Ele é forçado a vestir uma chapeleta ridícula e desconfortável. Tem que fazer vista grossa para a irritante galinha que insiste em ficar saltitando e cocoricando no pedaço. Fazer ouvidos moucos para a cantoria desafinada da sua neurótica dona. O aniversário é dele. Mas quem disse que ele teve ao menos o privilégio de convidar seus bródis pitbulls? Pô, que porcaria de festa... Pobre Sharkey, deve estar se sentindo um verdadeiro pit baitola na sua impotência servil. O que se tem de suportar para garantir a ração nossa de cada dia, não é bolinho não... Mas Sharkey é bicho esperto, sabe muitíssimo bem que se atender ao seu instinto animal (arregaçar a galinha em pedaços e morder a canela da dona), será kubi na hora.
É isso ai Sharkey!!! Parabéns por ser muito mais "cabeça" que tantos dekasseguis á solta por este Japão afora...

Tokyo!

Três diretores. Três visões. Três estórias. E um ótimo filme sobre Tóquio e alguns personagens bastante particulares.
A primeira estória, "Interior Design" descreve uma garota em meio a uma série de questionamentos e conflitos pessoais que num determinado momento não consegue mais enxergar qualquer propósito real na vida. Resolve sumir do mapa. Para tanto, transforma-se numa cadeira, numa metáfora bem ao estilo Murakami.

"Merde" não me caiu bem a ficha ainda, teve uma sequencia avassaladora no seu inicio, quando um gaijin europeu ganha as ruas de Tóquio a partir de um bueiro e passa a causar uma baita confusão por onde trasita. É preso e tem inicio um confuso julgamento, aonde um diálogo num idioma estranho (do leste europeu?), peça chave para entender a trama, me passou em branco porque não consegui ler a legenda em kanji.

Gostei bastante do "Shaking Tokyo". Uma não tão melosa estória de amor entre um hikikomori e uma graciosa entregadora de pizza. Após dez anos encerrado no seu lar, um misantropo japurunga decide bravamente romper com seus medos e fobias e buscar a companhia do amor de sua vida. Tudo é narrado a partir da ótica intimista deste angustiante personagem. Um final surpreendente, fantastic, sugoiii!!!!!!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ken Shimura, o "Baka Tono Sama"

Se você não consegue rir dos aprontes do humorista Ken Shimura tu és uma pedra ou esta em coma profunda. O cara é muuuiiiiitooooo engraçado!!! A primeira vez que assisti a um dos seus programas foi numa daquelas festas de fim ano na casa do meu avô quando ainda estava no braziu. E mesmo sem saber nadica de nihongo, quase cuspi tudo que estava comendo enquanto assistia meio distraído a um quadro do "Henna Odisan" ao subitamente gargalhar. Como este em que ele fica aparvalhando umas nechans bonitinhas num café:



Lembram do Thriller? Já lá na distante época em que o Michael Jackson ainda era escurinho, o Ken Shimura bombava com suas paródias hilariantes na telinha japonesa com o infame "Daijoubu Dah":



Suas representações mais recentes encarnando o esquisito "Baka Tono Sama" são igualmente "geniais", demonstrando que mesmo com décadas de carreira e já quase sexagenário, Shimura-san ainda não perdeu o rebolado e tem pique de sobra para fazer muita gente gargalhar.



É um tipo de humor bem popular, 110% escrachado, apelativo e beirando o escatalógico ás vezes. Mas que é divertidíssimo, isso não tem como negar!!!