sábado, 31 de janeiro de 2009

Contos e mais contos... All Night Long!!!

Nossa... Passei a noite inteirinha lendo contos na seção de Ficção da revista "The New Yorker". Uma seleção fantástica. "Clara", do Bolaños foi o primeiro conto que verdadeiramente apreciei. O seguinte foi “The Dinner Party” do Joshua Ferris. Aliás, de longe o melhor no meu ranking. Causou-me forte impressão. Lê-lo foi o equivalente a receber uma tijolada na cabeça. Tipo de coisa absurda que só o lado negro do meu subconsciente poderia responder. Dê uma bisa neste resumo para ver se consegue se encorajar a ler o conto por completo:

É a história de um casal que espera um outro casal para o jantar. O casal anfitrião fica fazendo piadinhas sobre o casal visitante durante os preparativos. Eles fazem um monte de piadas sobre os futuros visitantes. De como os visitantes são previsíveis. O que eles dirão. A maneira como vão anunciar as coisas. As falsas surpresas. Eles planejam a maneira como irão sacanear e forçar a retirada do casal visitante. O marido, afinal de contas, é quem planeja todos os passos a serem dados no sentido de deixar as visitas sem graça e com pressa de ir embora. Por último, o cara planeja o golpe final, o modo como vai se livrar do vinho que o casal deverá trazer, como sempre. E de como abrirá ostensivamente uma última lata de cerveja na cara dos visitantes, sem oferecer nem uma gota para os convidados.
Mas, depois de muito tempo, fica claro que o casal de visitantes não irá aparecer. Então o casal anfitrião começa a se preocupar. Telefonam, não conseguem respostas. Ligam para os hospitais próximos. Deixam recados, esperam recados. Ficam realmente numa neura geral de preocupação.
Aí o maridão resolve procurar o casal furão. A esposa fica em casa, já de pijamas, para o caso de alguém de algum hospital ligar. E o maridão, ao chegar ao apartamento do casal, percebe que ali está acontecendo uma super festa, gente biritando, dando gargalhadas, aquelas coisas de festa com muita gente. E aí ele vê um cara superdivertido, que conheceu através do casal que estava dando a festa e que deu o cano nele e na esposa. E eles conversam um pouco e num instante o cara se dá conta de que não houve engano algum, o casal que ele adorava esnobar havia esnobado ele e a mulher.
Então o sujeito resolve sair de fininho. Mas é impossível, porque a mulher do casal está bem atrás dele e ela vai rebocando o cara para um canto da casa, onde possam conversar. E lá ela diz na cara do sujeito que ele não havia sido convidado. Que ele é um idiota convencido. E que ela só o aturou durante anos para não magoar a esposa dele. Mas que na verdade não iria mais aturar. E só falta cobrir o cara de surra, porque ela o destroça moralmente. Ele sai magoado, o maridão, acha que foi ultrajado. Quer poupar a esposa do mico da esnobação. E aí ele fica imaginando coisas idiotas, mentiras bestas para contar para ela.
E quando ele chega, a esposa ainda está acordada. E ele abre a boca e ela já entende tudo, não precisa mais falar nada, nem de mentirada, nem de meia verdade. Ela começa a fazer a mala. E é óbvio que o cara finalmente se dá conta de que é ele um grande panaca. Que é ele que envenena as coisas. Que é ele que cava fosso entre as pessoas. E, aliás, a esposa chora e pergunta porque é que ela tem uma vida daquelas. E ele se sente desimportante, virando átomo, piolho de poeira. E o sujeito percebe que ali, enquanto sua mulher chora, é como se ele nem estivesse no planeta Terra...


Yep, não é fodão?

2 comentários:

emezeto disse...

Tem muita literatura boa em portugues. Infelizmente nem sempre temos facil acesso.
Eu tbm gosto de ler e por coincidencia, esse fim de semana fiquei lendo e lendo e...
Tem um biblioteca em Nagoya com livros em portugues. Achei la o livro que postei (sem comentario meu) no meu blog. Achei-o muito interessante.Confira la!
Um abraco

Bah disse...

Adorei esse conto! Conheço um cara igualzinho a esse, pena que não digno de um conto, mas blz... rs...

Kisu!