sábado, 2 de maio de 2009

Nada fácil. Nem cá, nem acolá...

O Globo Repórter desta semana apresentou uma reportagem sobre o retorno de alguns de nossos colegas e seus desafios frente a uma realidade também nada fácil pelos cantos de lá.



Confesso que fiquei um tanto deprimido com as "novas oportunidades" que surgiram para o dekassegui que retornou. O suficiente para sentir o peso doloroso da malfadada síndrome do regresso na consciência, sem nem mesmo precisar regressar. Tenho acompanhado a trajetória de alguns colegas retornantes, da Bah, e torço de coração para que a situação deles normalize, estabilize... O difícil no meu caso é que NUNCA consigo estar otimista com o brasil, por mais que tente, por mais que me digam que a república bananosa esteja prosperando, por mais que o Japão esteja difícil.
Infelizmente é isso, em matéria de brasil, sempre estou não com um, mas com os DOIS pés, firmes e fixamente grudados para trás.

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E é desolador constatar que a vida da maioria dos dekasseguis parece não progredir. Seja lá, seja cá... Vai-se levando, levando, como sempre...
Numa análise á la Arnaldo Jabour, dá para se descrever o dekassegui típico como um Prometeu da modernidade acorrentado a um sonho capitalista que nunca se concretizará. Uma larva proletária que nunca se transmutará numa resplandecente mariposa burguesa. Um naufrago desgraçado que nada, nada, nada,..., nada, nada eternamente e nem mesmo terá o alento de morrer na praia. Acaba sempre com o seu sonho de alçar as graças do dourado paraíso burguês afogado nas ondas do alto-mar revolto das crises econômicas, dos infortúnios, dos azares diversos, do canto maligno da sereia traiçoeira que invariavelmente o atrai para as decisões mais infrutíferas, que acabam por engolir implacavelmente o suado capital financeiro que aqui na terra dos samurais, do Doraemon, do Pokemon, do Pikatchu, duramente amealhou em anos de modorrenta e exaustiva labuta. O dekassegui é como um Hammlet atormentado, totalmente perdido numa indecisão infinita em ser um cidadão de terceira categoria, num país do primeiro mundo ou ser um cidadão de primeira numa republiqueta das bananas de quinta categoria.
É triste, caros colegas, mas o dekassegui é isto, um esforçado Frajola, que por mais que tente, nunca comerá o apetitoso Piu-piu. E mesmo quando o pequeno ser amarelo já está alçado em sua boca faminta, totalmente indefeso, prestes a ser devorado, algo sempre acontece. Sempre tem que acontecer. Cofres despencam do espaço. Trens descarrilam subitamente. Pianos desabam sobre a cabeça teimosa do felino. E nós ficamos a rir do infortunado Frajola sem perceber que estamos rindo na verdade, é de nós mesmos. Pobres diabos dekasseguis...

4 comentários:

ShigueS disse...

Carlo, adoro seus textos. São críticas ácidas sobre a vida que levamos, nós nipo-brasileiros, mas que por outro lado me fazem refletir se tudo isso vale a pena. Essa coisa de viver longe, trabalhar igual um jegue e ser visto como um reles apertador de botões. Mas eu prefiro pensar que também existem histórias com final feliz. E todo mundo sabe que por mais feliz que seja o final, o interlúdio é sempre amargo.

M-FUSION disse...

Caro Carlo... primeriamente gostaria d dzr q me sinto igual a você, com os pés atrás... achei o post fantástico, embora trazer a tona uma verdade tão triste, tão difícil. E agente segue assim, sem saber o q fzr, sem saber no q vai dar, continuamos nadando... nadando...

andreia inoue disse...

adorei o video,mostrou pessoas do tipo que admiro,que caem,mais sabem se levantar e dar a volta por cima,o que detesto de coracao sao pessoas q so fazem se lamentar e nao arregacam as mangas para trabalhar,nesse video vi pessoas que estao lutando pra viver dignamente la!!!
e nada de pensamento negativista,achei o seu texto barbaro,um tanto pessista mais nao tem como nao falar que nao eh bom,beijao.

Bah disse...

Ahhh eu assisti esse video no Globo reporter, na sexta... Meu pai falou: vai passar reportagem dos deka que voltaram. Minha irma falou que no Parana eles estao esperando receber muitas pessoas e contrataram ateh uma professora de japones pra ensinar as criancas que soh sabem falar nihongo... pra adaptacao ser mais facil... Triste mesmo dessas pessoas. Pra gente aqui nao afetou, a volta afeta, mas nada como um dia apos o outro pra acostumar, afinal, todos nos nos adaptamos a qq ambiente depois q moramos fora. Vou escrever um post daqui a pouco e falar justamente dessa minha adaptacao e do que o futuro talvez reserve pra nos.

Kisu e obrigada pelos votos!