segunda-feira, 22 de junho de 2009

Takasugi-an

O chá é um elemento dos mais tradicionais na cultura e nos costumes japoneses. Tão importante que existe um centenário ritual artístico para produzí-lo, chamado sadôo ou chanoyu. Talvez inconformado com a agitação da vida moderna que não proporcione paz suficiente para o pleno exercício desta complexa e tão delicada arte, o arquiteto Terunobu Fujimori resolveu construir a mais alta casa de chá do Japão:



Esta inusitada e aparentemente frágil estrutura foi construída sobre dois troncos de pinheiros, usando principalmente materiais naturais como argila e bambu.

É bem compacta, mede aproximadamente 4 tatamis e meio no seu interior, mas ainda assim mais espaçosa que o quarto do meu micro apato.



O Fujimori-san escolheu um belo local para situá-la. Longe de tudo e todos, na companhia silenciosa das montanhas de Nagano-ken.



Sempre quis morar num lugar assim. Este desejo fica ainda mais fortalecido quando sou acordado as três horas da madrugada por um conterrâneo berrando ensandecidamente ao telefone. Por coisas assim que existindo a oportunidade de escolher meu endereço, evito locais aonde residem muitos latinos. Não quero parecer elitista, preconceituoso ou algo parecido, mas a realidade é que morar próximo de conterrâneos é quase sempre sinônimo de suportar inconvenientes irritantes tais como buzina de carro, TV ou música em alto volume, falatório aos berros, baderna, isto tudo, obviamente, no horário que der na telha do malaco fazê-lo. E por consequência destes fatos falhos de terceiros (brasileiros), ser discriminado por ações pelas quais que você não cometeu, mas que lhe será imputado por simplesmente compartilhar da nacionalidade de uns favelados tupiniquins. Viver no gueto verde-amarelo no Japão é uma desgraça. Isto para quem é minimamente civilizado e se importa com sua imagem, é claro.
É por estas e outras que resisto tanto á ideia de retornar ao bananão e ter de aturar a enojante inexistência de civilidade do nosso (bobo) alegre povo bananeiro, incapaz de respeitar até mesmo o simples e fundamental direito do seu vizinho ter uma noite de sono tranquila depois de um estafante dia de trabalho.

Um comentário:

Bah disse...

Ahh fala sério, morar ai em cima ainda em Nagano? Tá doido, vai que o barraco vai pelos ares numa tempestade de neve? Tô fora.

Kisu!