sábado, 21 de novembro de 2009

Quero ser Chuck Norris

Começando a fazer um frio desgramado em Kobe-shi. É o andar das mudanças climáticas anunciando que já estamos nos aproximando do final de mais um "annus terribilis" e quiçá do fundo poço também. Hoje estava folheando a última edição da revista Alternativa e notei com agradável surpresa, um número além do esperado de belas e coloridas páginas recheadas de trampos pelo Japão afora. Pena que os valores salariais não combinem nem um pouco com a beleza gráfica dos anúncios. Mas ainda assim peão mudo em nihongo não arruma trampo como antes. Surdo, menos ainda. Afê. Pois é… Muito provavelmente, granamente especulando, o ano que vem também não será nada abundante para os brasileiros na ilhota. Aliás, se bobear vai abundar mesmo é "kubi", com a nova lei restringindo a contratação de "haken shains" pelas fábricas.
Contudo, fica um certo alívio no ar, considerando que a água não está fervendo tanto como há uns meses atrás, acho que até podemos dizer que está morna, mas não a ponto de esfriar a crise de vez. Só espero que ao menos tragédias extremas como famílias passando necessidades básicas ou peões morando debaixo da ponte não sejam mais noticiadas. Pelo menos isto.
Cada vez mais estou firmando o pé na certeza de que não basta só nihongo fluente para o típico dekassegui resgatar o salário e a empregabilidade dos anos dourados. Na dura conjuntura que esta sendo brutalmente consolidada é preciso também se ajeitar numa profissão. Ou se conformar e fazer como muitos por aqui, que se submetem a um salário minguado de até ¥800 a hora, que mal cobre as despesas fundamentais. É dureza. Mas é a dura realidade, só aquele dekassegui "Chuck Norris": cara fodão em nihongo e qualificado profissionalmente, vai de fato conseguir fazer a grana jorrar da pedreira que se tornou o Japão. E eu ainda correndo atrás do primeiro requisito. Mas vamô, que vamô…

Estudar e estudar!!! Sempre que possível. Mesmo quando impossível. De grão em grão a galinha enche o papo. Qualquer avanço é importante. Um centímetro conta. Um "kotoba" a mais armazenado na cachola faz diferença. Um kanji aprendido vale muito. Um minuto de "benkyou" é sagrado. É o mantra do dekassegui se agarrando com unhas e dentes para não derrapar fora do arquipélago.

E assim gambateando e estudando,
firme e forte,
de peito aberto e incontinenti.
Se a ilhota não afundar de vez,
para o bananão,
Carlo,
o teimoso dekassegui,
discípulo do mestre Chuck Norris,
não vai se escafeder.
Espero...

7 comentários:

Leh disse...

Gostei do Chuck Norris.
Quanto ao resto, você sabe a minha opinião né? ou não?
Você tem toda razão quanto ao futuro dos dekas, exatamente isso. Tem gente que ainda não caiu na real.
Resquícios da crise... pior que tem, mas nem sempre aparece.

kisses, lindinho!

BLOG VIDA disse...

Amém, espero que sua fé esteja no caminho certo o da anti crise. E olha que aqui em casa tem um monte de livros, livretos, tudo para melhorar o nihonguês, a coisa tá feia!

BLOG VIDA disse...

Amém, espero que sua fé esteja no caminho certo o da anti crise. E olha que aqui em casa tem um monte de livros, livretos, tudo para melhorar o nihonguês, a coisa tá feia!

andreia inoue disse...

a crise pelo jeito deu uma amenizada,com certeza esta muito longe de acabar e muito menos voltar a ser como era,mais ja eh um comeco,uma esperanca ne amigo?
infelizmente os 800 eh nossa realidade,se tiver umas horinhas extras ate que da para levar!
:)
abracao.

andreia inoue disse...

ahhahah...sabe q agora vc me deu uma otima ideia,vou fazer um curso la no senac quando voltar de fotografia e tirar bastante la das praias pernambucanas,
:)

Lou disse...

Como diz o meu pai: hoje em dia não adianta correr atrás, tem que correr na frente...
Boa sorte pra vc, a menos que esteja a fim de voltar para o bananão!

Bjo

Bah disse...

Nossa, cada dia que eu vejo vc descrevendo a situação por ai, esse seu desespero de se agarrar às últimas amarras no Japão, me deixa apreensiva. Entendo a situação, de querer ficar pq é cômodo, pq ter que ir embora é mais trabalhoso do que tentar, mas às vezes, digo às vezes é bom não remar contra a maré. Pense nisso. Às vezes fico saudosista pelo tempo q morava por ai, mas aos trancos e barrancos estou me virando como pode aqui na terrinha. Não estou na melhor fase da minha vida, mas seria melhor do que se ficasse especulando o que seria de nós por ai, o q já vinha rolando antes de tomar a decisão de voltar.

Kisu!