sábado, 31 de outubro de 2009

Grotesque

Esse filme realmente é para fortes.


O "Desejos Mortais" parece desenho da Disney perto desta "coisa". Foi o filme gore mais sanguinolento que já tive oportunidade de assistir. Roteiro minimalista. Um maníaco sequestra um casal e os submete a uma longa sessão de tortura até a morte derradeira. Só isto. Não existe qualquer explicação ou causa. É pura violência e carnificina. Teve cenas que me incomodaram tanto, que tive que desviar os olhos e dar uma respirada para continuar. Mas se você aguentar tranquilo, nada neste mundo te perturbará, como quando… Bom, deixa pra lá. Vale acrescentar que "Grotesque" foi censurado na Inglaterra por conta das cenas de extrema brutalidade.

Skittles



Passeando por Amagazaki, topei com um missezinho velho escondido no fundo de uma galeria encardida. Que por acaso estava lotada de Skittles até o teto. Por impulso acabei levando um pacote para casa. Abri e atirei tudo sobre o futon. Verde, amarelo, roxo, vermelho… E rememorei um ritual secreto dos meus tempos de piá: separei em montinhos por cores diferentes formando um círculo e fui comendo um de cada cor em sentido anti-horário ao mesmo tempo em que apertava levemente o lóbulo da orelha esquerda.
Existem certos hábitos infantis que não consigo abandonar, por mais ridículos que pareçam: sempre pisco o olho esquerdo quando vejo uma menina bonita, as vezes falo com amigos imaginários e dependendo de quais cenas aleatórias de filmes que assisti e que de súbito sobressaltam minha mente, rio sozinho ou faço caretas. Weird!!! Pelo menos não futuco mais as narinas com dedo mindinho. Talvez ainda consiga corrigir outras coisas, se me esforçar. Mas não sei se conseguirei parar de exagerar nas coisas que aprecio e principalmente, finjir esquecer das que me desgostam…

sábado, 24 de outubro de 2009

Ruindows 7 Fail

Os japas até fizeram fila para adquirir o windows 7 e rapidinho o novíssimo SO da micro$oft decepcionou dando uma empacada básica num programa televisivo da Fuji. O ancora do programa estava testando o novo recurso de zoom, mas o sistema não respondeu de acordo. Mesmo assim ele termina a apresentação frustada concluindo que o 7 é mais veloz que o vista.



Não demorou muito para o ruindows 7 tropeçar de novo em outra demonstração:



É de dar vergonha alheia assistir coisas assim.

Fizeram uns testes comparativos com o Snow Leopard da Apple, e o Seven não fez feio, ficou parelho em termos de performance. Isso sem a tradicional instalação de anti-vírus, anti-malware, anti-spyware, firewall e outras arapucas semelhantes rodando em background para tornar o ruindows minimamente resguardado, que no OS X é perfeitamente dispensável, fique bem claro.

O pesadelo do Carlo

O avião pousou no aeroporto internacional de Cumbicas às seis horas de uma manhã nublada do dia 25 de dezembro de 2009. Desembarquei com a bizarra sensação do mundo estar girando trezentas vezes mais rápido e só eu estar paralisado no mesmo lugar. Fui buscar a bagagem. Suava. Coração batendo a mil. Antevendo que minha vida seria daqui em diante algo como um daqueles filmes de guerra num cenário macabro ao estilo "Cidade de Deus", com direito a tiroteio rolando solto e explosões de granada. Procurei por toda parte, mas não consegui encontrar minha bagagem. Perguntei a alguns funcionários e as únicas respostas que obtive foram sonoras gargalhadas. Ai percebi que minha carteira tinha sumido também. Apertei forte os punhos, rangi os dentes e segurei alguns palavrões que estavam prestes a escapar da minha boca. "Tudo continua como sempre". Resmunguei em silenciosa indignação. Resignado com o prejú, segui com a cabeça baixa em direção a saída do aeroporto como se estivesse percorrendo o corredor da morte. Parecia que havia chegado o momento em que tudo estava escorrendo como água pelas minhas mãos e não sentia afinal, senhor de si em nenhuma porcaria de situação.

Lá de longe notei um velhinho vestido de vermelho. Lembrei que era natal. O sórdido e deprimente comércio natalino de sempre. Tentei passar despercebido.
- Alto lá!!! - Berrou o velhinho.
Virei-me e notei um trezoitão sinistro apontado para minha direção. Instintivamente fiz o que a razão proibia e minhas pernas ordenavam: corri em fuga do pressuposto assalto. Larguei toda a bagagem, e agarrado ao meu iMac disparei por uma avenida escura e logo depois, no meio da penumbra de um descampado notei alguns vultos. Pedi por socorro e quando estava me aproximando de uma animada turba dançando ao ritmo de um baile funk, percebi que eram todos mortos-vivos maltrapilhos vestindo camisas mofadas e rasgadas do corintians. Percebendo o risco mortal bem a tempo, desviei para um matagal e com a multidão de mortos vivos no meu encalço e mais as balas disparadas pelo papai noel triscando as minhas orelhas, abracei a única opção que restava: prendi a respiração, fechei os olhos e saltei para um mergulho cego no rio Tiête. Péssima escolha, para o meu desespero, senti meu corpo ser lenta e dolorosamente desintegrado e fazer parte da água lodosa e ácida do rio ultra-mega-poluído. E quando estava escorrendo para as profundezas de um esgoto fétido, acordei suando frio, trêmulo, porém ileso no meu apato em Kobe-shi. Nossa, pensei que não fosse me safar desta…

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A crise e um ano depois...

Mais um documentário broxante sobre dekasseguis no canal da NHK. Desta vez o foco esta no futuro incerto das crianças brasileiras e seus pais incapazes de manter uma vida estável no arquipélago, mas que ainda assim insistem em tocar a carroça por aqui. Bons tempos aqueles em que o único e premente objetivo do dekassegui típico era estufar o quanto antes o seu pé-de-meia para zarpar rapidinho de volta a nossa doce e saudosa republiqueta das bananas.


Algo a se notar é que os protagonistas deste documentário aparentam não "nihongar" praticamente nada. Quem domina pelo menos o básico, mesmo com certa dificuldade, ainda teve a chance de conseguir outra colocação e se virar de alguma forma.

A culpa de estarem nesta situação ruim pode ser atribuída a eles mesmos, que não souberam se precaver adequadamente. Mas é triste ver este povo perdido em caminhos circulares, sem chegar a lugar algum. E arrastando consigo quem ainda não tem capacidade de decidir seu futuro...

sábado, 17 de outubro de 2009

Empregos, empregos e empregos!!!

Bem, não custa nada dar uma força para quem precisa. A Koma Corporation esta admitindo. As vagas são para trabalhar em indústria de alimentos na região de Kobe.
Maiores informações com Akemi (090-1466-5198).
Email: koma-kobe@kcc.zaq.ne.jp
[]'s e boa sorte.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

アホな走り集

Impressionante como esses japas se esforçam para parecer esquisitos. E com certeza conseguem... Dá um certo desconforto assistir este vídeo, mas até que arranca umas boas risadas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Bate-e-volta



Síndrome do regresso, falta de oportunidades, violência e sei-lá-mais-o-quê esta empurrando a dekassegada de férias forçadas no bananão para a ilhota novamente... Ferrada a nossa situação. Se o Japão não esta para dekassegui, o bananão menos ainda. E a gente fica nesse bate-e-volta eterno. Até o Sidival, lembram-se dele? Alcoólatra, treteiro, não parava em serviço nenhum, acabou homeless e passou a ganhar a vida catando trastes na rua. A mídia fez um tremendo estardalhaço em cima da imagem dele. Sua triste figura deu as caras tanto na telinha brasileira quanto na japonesa. Ficou um tempão mamando nas tetas generosas do Seikatsu Hogo. E quando acabou o prazo da mordomia governamental e sem conseguir arrumar emprego, teve que retornar ao bananão do mesmo jeito que pisou aqui: sem nenhum mango no bolso. Agora, todo largadão, mas pelo jeito trampando, ainda assim quer voltar para cá. Esperto ele. Deve ter percebido que o "esmola-família" do lula nem se compara com as gordas benesses sociais do Japão, que ainda oferece trezentão para quem não teve a sabedoria básica de se precaver ao pior da crise. Sorte que este país é rico, pode sustentar quantos Sidivais que o bananão conseguir expelir para cá...

sábado, 10 de outubro de 2009

Tocando em frente. Como sempre...

Estou até gostando do novo trampo. O salário-hora é melhor. Mais dias de folga. A chefia parece ser sossegada. Os japas são camaradas e ainda por cima não tem conterrâneos babacas no setor para atrapalhar. Se bem que a primeira semana sempre é maneirosa, todos são simpáticos e cordiais. Mas enfim, o serviço promete. E minha doce vida de solteirão imprestável nessa maravilhosa Kobe-shi parece que irá perdurar mais um tantinho. Infelizmente algumas pessoas que eu curtia foram embora, mas a vida de dekassegui é assim mesmo, as pessoas vem e vão o tempo inteiro. É meio desgostante ter aquela sensação de que as piores são as que ficam mais tempo por perto, mas fazer o quê, assim é o mundo, aqui pelo menos.

No geral, percebo com certa reserva que a situação na ilhota esta aos poucos melhorando. A economia esta longe de raiar fulgurante como um sol nascente numa resplandecente manhã de verão, mas está capengando adiante… Quando as vezes dou uma bisolhada no noticiário econômico fico imaginando se não estou assistindo ao voo desengonçado de uma galinha. Ora os índices melhoram um pouco e logo em seguida pioram outro tanto, e vice-versa. Mas deve ser o meu pendor a enxergar as coisas sob um ponto de vista meio crédulo, ensinucado as vezes. Em meados do ano que vem a ilhota (assim espero) deverá bombar de trampos novamente. Alguns conhecidos que estão morgando no bananão já estão planejando voltar para cá. É assim mesmo, de crise em crise, o ciclo das indas e vindas continua. Dekassegui é bicho persistente, apesar de tudo que possa haver de ruim, não desiste jamais. Parece que desenvolvemos uma síndrome semelhante á das esposas que apanham direto e não conseguem largar do marido brutamontes por não saber viver outra vida. O Japão pode judiar a vontade, mas a dekassegada insiste em tentar fazer a vida aqui...

domingo, 4 de outubro de 2009

It's Baltimore gentleman, the gods will not save you.... "The Wire"

Cabei de assistir as três primeiras temporadas do "The Wire" (A Escuta) nesta ultima semana. Uma maratona de 36 horas de episódios. E pô, se isto não é diversão, então não sei mais o que é. Seriado animal! Particularmente achei-o superior ao "Família Sopranos", cuja temática é bastante recorrente. "The Wire" trata basicamente da crueldade visceral do mundo cão na cidade americana de Baltimore sob uma ótica tremendamente realística sobre tráfico de drogas, corrupção política, criminalidade e outras consagradas desgraceiras relacionadas a bandidagem barra pesadíssima em estado puro.


Ao contrario desses CSIs da vida, não é um mera série policial. É praticamente um estudo sociológico dos atuais desvios da urbanidade suja e miserável através de roteiros boladérrimos e personagens bastante reais, cada um com sua estória pessoal, sua visão particular sobre a vida e seu papel de bandido ou mocinho, numa cidade praticamente sem lei ou ordem...
Uau!!! Por sorte ainda me restam duas temporadas pela frente.