terça-feira, 24 de novembro de 2009

Governo corta verbas do auxílio de retorno

Desde abril, até o mês de novembro, cerca de 16 mil nikkeis deram entrada no 帰国支援金(きこくしえんきん) kikoku-shien-kin para retorno aos seus respectivos países. Até o ano passado, cerca de 370 mil nikkeis da América Latina viviam no Japão, segundo as pesquisas do governo, 40 a 50 mil descendentes retornaram ao país sem o auxílio de retorno, devido a falta de emprego. O Primeiro Ministro Yukio Hatoyama cortou a verba do auxílo de retorno ao país de origem, que oferecia ao trabalhador 300 mil yenes e para cada dependente, 200 mil yenes.
Na província de Aichi, 4,485 pessoas solicitaram a ajuda. Shizuoka 3,486. Mie 1,241. No total são 14, 896 brasileiros e 600 peruanos.
Instituições que apoiam trabalhadores nikkeis pedem continuação do projeto de auxílio de retorno que dependerá da posição do novo governo.

FONTE: Comunidade "Brasileiros no Japão" do Orkut. A autora do post ainda aponta este link com o artigo na integra.

sábado, 21 de novembro de 2009

Quero ser Chuck Norris

Começando a fazer um frio desgramado em Kobe-shi. É o andar das mudanças climáticas anunciando que já estamos nos aproximando do final de mais um "annus terribilis" e quiçá do fundo poço também. Hoje estava folheando a última edição da revista Alternativa e notei com agradável surpresa, um número além do esperado de belas e coloridas páginas recheadas de trampos pelo Japão afora. Pena que os valores salariais não combinem nem um pouco com a beleza gráfica dos anúncios. Mas ainda assim peão mudo em nihongo não arruma trampo como antes. Surdo, menos ainda. Afê. Pois é… Muito provavelmente, granamente especulando, o ano que vem também não será nada abundante para os brasileiros na ilhota. Aliás, se bobear vai abundar mesmo é "kubi", com a nova lei restringindo a contratação de "haken shains" pelas fábricas.
Contudo, fica um certo alívio no ar, considerando que a água não está fervendo tanto como há uns meses atrás, acho que até podemos dizer que está morna, mas não a ponto de esfriar a crise de vez. Só espero que ao menos tragédias extremas como famílias passando necessidades básicas ou peões morando debaixo da ponte não sejam mais noticiadas. Pelo menos isto.
Cada vez mais estou firmando o pé na certeza de que não basta só nihongo fluente para o típico dekassegui resgatar o salário e a empregabilidade dos anos dourados. Na dura conjuntura que esta sendo brutalmente consolidada é preciso também se ajeitar numa profissão. Ou se conformar e fazer como muitos por aqui, que se submetem a um salário minguado de até ¥800 a hora, que mal cobre as despesas fundamentais. É dureza. Mas é a dura realidade, só aquele dekassegui "Chuck Norris": cara fodão em nihongo e qualificado profissionalmente, vai de fato conseguir fazer a grana jorrar da pedreira que se tornou o Japão. E eu ainda correndo atrás do primeiro requisito. Mas vamô, que vamô…

Estudar e estudar!!! Sempre que possível. Mesmo quando impossível. De grão em grão a galinha enche o papo. Qualquer avanço é importante. Um centímetro conta. Um "kotoba" a mais armazenado na cachola faz diferença. Um kanji aprendido vale muito. Um minuto de "benkyou" é sagrado. É o mantra do dekassegui se agarrando com unhas e dentes para não derrapar fora do arquipélago.

E assim gambateando e estudando,
firme e forte,
de peito aberto e incontinenti.
Se a ilhota não afundar de vez,
para o bananão,
Carlo,
o teimoso dekassegui,
discípulo do mestre Chuck Norris,
não vai se escafeder.
Espero...

domingo, 8 de novembro de 2009

Carlo e o estranho fenômeno...

Na manhã deste domingo cinzento, a cidade de Kobe-shi foi marcada por uma enorme hecatombe. Carlo, mais um dekassegui brasileiro nesta remota ilha chamada Japão, chocou a sua cabeça dura contra um poste durante a pedalada para o trampo e assim provocou a morte de dezenas de inimigos que guardava na memória. Os médicos dizem que não será possível ressuscitá-los. Este estranho fenômeno chamou a atenção do mundo inteiro.
Carlo, num testemunho à televisão local, por meio de um nihongo um tanto capenga, declarou à repórter: "Quando estavam vivos eu sonhava com a morte de meus inimigos. Agora que morreram, até sinto saudades."; num tom notadamente sarcástico em sua voz. Estranhamente só os desafetos surgidos durante a estadia no Japão, faleceram. Algumas mortes foram brutais e dolorosas. Alguns corpos não foram reconhecidos tal a potência do estranho fenômeno. Inúmeros caminhões tiveram que ser empregados no transporte dos cadáveres. E o mundo assombrado descobriu afinal que não deveria mais aborrecer o Carlo, nem nas pequenas coisas possíveis. Carlo passou a ser respeitado como um Deus. E assim, com o mundo a seus pés, Carlo imaginou que seria feliz para sempre. Só que o Carlo não imaginava que fosse acordar desse belo sonho e ainda ter de trampar nessa fria manhã de domingo. E sonhando que o sonho bizarro um dia se tornasse realidade, lá foi o Carlo sonolento e tremendamente mal humorado para mais um dia de trampo no bentoya.