segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Adeus ano velho, feliz ano novo!

Tava pensando em usar estes dias mortos de final de ano para organizar o próximo, fazer um balanço geral, relembrar as coisas relevantes que aconteceram, aquela baboseira tradicional. Mas acho que vou fazer melhor, vou tomar um porre atrás do outro. E como não estarei em condições de postar algo aqui, estou aproveitando este momento de rara sobriedade e já vou adiantando um feliz ano novo para vocês! Nos encontramos em 2011, se o meu fígado não colapsar de vez.
Forte abraço!

sábado, 11 de dezembro de 2010

BENNIE K - Monochrome


BENNIE K - Monochrome

Monocromático

Eu nem pretendo
Pedir desculpas inúteis
Mas eu sei que
Não posso esperar para me satisfazer

Mas eu estou tentando voar
Tenho a sensação
De que posso me libertar algum dia
E eu quero acreditar que
Tudo o que eu fiz foi me iludir
Estou tão farto destes dias
E de continuar assim

(oh, oh) É hora do show (hora do show)
Meninas peguem as coisas
Gucci Fendi Louis Vuitton
Chanel também, me dê mais
Tudo sem atrasar, o nome tem um preço
Quanto você vale?
Gucci Fendi Louis Vuitton
Chanel, sem eles eu não posso medir o tempo

Nascido na potência japonesa, acha que pode mudar alguma coisa cantando?
Ondas furiosas que chamamos de realidade
O que eu aprendi é que "A vida é ganhar ou perder"
Vou fazer antes que você faça?
Vai se acostumar a ser apenas um perdedor?
Todas as noites, por que não termina isso?
Hoje também não há tempo suficiente

Machucando e dizendo que é apenas ansiedade
Reclamar e invejar outra pessoa
Mesmo que esteja sorrindo
A verdade é que eu não entendo mais
Eu me odeio quando eu estou deprimido
Amizade superficial, eu não preciso disso
Não me importa o quanto que valho
Estou farto de emoção, eu não preciso disso

Oh...
Mas eu estou tentando voar
Me perdi
Quando corria atrás dele,
Mas eu não consegui alcançá-lo
Tudo que tenho feito é esconder a minha auto piedade
E continuar mentindo
Mas eu não poderia dizer que...

As histórias
Que uma vez eu disse que foram revestidas
Endurecidas
Eu construí as paredes
e ficaram enormes para me proteger.
Por que me sinto seca?
Eu encontrei a felicidade.
Mesmo que eu nunca possa amar de novo.

Nesta escuridão interminável
Não importa o quanto
E como
Eu grito bem alto
Eu percebi que
Tudo foi inútil
Mas eu não posso parar

Mas eu ainda tenho um sentimento
Eu posso ser um livre um dia
E é por isso que eu estou cantando
Não importa o quanto
Eu fique de mau humor
Eu ainda posso rir
E apenas olhar para a frente.

10 meses...

Mais uma madrugada estranha e insone. E eu aqui, vampirando na net, lendo um livro esquisito, escrevendo mais um post deprimente. Pensando nas coisas, remoendo e remoendo e remoendo e tendo pensamentos sombrios até ser devorado por um pessimismo que não se vai.

10 meses neste país, e ainda tenho aquela estranha sensação de que a casa esta caindo toda pra cima de mim. É como se de repente não possuir mais a capacidade de saber quem tá certo ou errado, com quem posso contar, aonde ir, o que fazer, ou seja, praticamente tudo esta virado de pernas para o ar, até o jeito como a droga deste mundo funciona. Poucas coisas da qual costumava achar que tinha certeza, se mantém. Perdi todas as malditas referencias. Até poderia jogar a toalha e voltar rapidinho para o Japão, como das outras milhares de vezes, mas estou cansado de desistir assim tão fácil, então por enquanto pretendo ficar aqui até entender tudo isso e achar umas respostas que me satisfaçam, quem sabe assim tudo acabe se ajeitando.

De qualquer maneira, por ora, tô muito bem: tenho um quarto, um livro para ler, computador, e até uma garrafa de Jonhy Walker Red Label pela metade. Só me falta mesmo uma luz, um empurrãozinho (que não seja para o precipício), aí quem sabe…

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Persistência



Não encontrei ainda. Tá foda. Mas continuo na busca de algo aqui no Bananão. Teimoso e besta como este bichano.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

2666


Levei um bocado de tempo para ler este livro. Com esta folga toda que tenho á disposição normalmente leio um ou até dois livros por semana. Dependendo do volume ou da motivação, leio em poucas horas. Um catatau de 852 páginas da imensidão de 2666, talvez conseguisse fechar a última página em uns 10 dias de leitura dedicada. Talvez duas semanas. Mas desta vez foi tarefa difícil. Levei cerca de 5 meses, em uma leitura que ia e vinha de acordo com minha vontade pendular até atravessar seu longo caminho até o final.
Normalmente, se não consigo mergulhar nas entranhas de um livro, deito ele de lado e sigo em frente com outras obras mais motivantes. Mesmo que seja um autor que realmente aprecie. Entretanto, com 2666 não foi assim. Li umas cem páginas em um dia, me aborreci, deixei encostado na estante por algumas semanas, depois fiquei curioso e resolvi reiniciar a leitura do ponto aonde tinha parado. No capítulo "A Parte dos Crimes" quase broxei de vez, mas a prosa em determinados momentos era tão vigorosa, que acabei sentindo estimulado a tentar compreender todo o contexto, na esperança de que tudo fosse somar em algo bacana, então persisti.
E finalmente terminei! Olhando para trás, percebi que li as três primeiras partes (capítulos) do livro em cerca de umas 2 semanas. Em seguida, penei horrores de tédio com "A Parte dos Crimes" que me tomou uns bons 4 meses. E a parte final, a quinta, li em pouco menos de uma semana.

A minha principal motivação para lê-lo veio de criticas favoráveis, principalmente do Tony Belloto, de vários blogs e fóruns literários. Considerado pela critica especializada como o lançamento do ano, além de ser o último trabalho do badaladíssimo Roberto Bolaño antes da sua morte. Sendo que aparentemente, o manuscrito foi entregue ao seu editor, enquanto estava morrendo em um leito hospitalar.

Segundo a introdução, o autor tinha a intenção de que as cinco partes de 2666 fossem publicadas em cinco volumes separados, e lançados no mercado com um ano de intervalo. Mas após sua morte, sua esposa decidiu publica-lo num único tomo, numa forma que lhe pareceu ser mais adequada literariamente. Adequada, porém pesada como um tijolo. Não é livro com jeito (peso) de ler confortavelmente na cama, isso é certo. Talvez a ideia de separar em cinco volumes não fosse tão ruim, afinal.

Ok, ok, deixemos de enrolação e vamos á estória. Isso que é algo difícil de explicar. Qual das estórias é a estória? Se for julgar pelos quilos de palavras e páginas dedicadas á trama, então ouso afirmar que seria a respeito de uma série de assassinatos brutais que ocorreram numa cidade mexicana chamada Santa Teresa (depois de um goglada, descobri que é uma versão ficcional de Ciudad Juárez, situada na fronteira com os EUA, aonde de fato, aconteceram os crimes). Endereço de centenas de mulheres jovens que são brutalmente estupradas e assassinadas, durante uma década. Cada parte do livro, toca, uns mais outros menos, neste crime, e três das cinco partes tem como cenário exclusivo, a cidade de Santa Teresa.

Se for julgar pelo cerne do livro, o que (pelo menos para mim) é a verdadeira história, então trata-se da trajetória, da vida de um romancista alemão chamado Benno von Archimbald que foi tão procurado pelos críticos literários na primeira parte.

Bem. Vamos por partes como recomendava o velho Jack, o Estripador. :-)

Na primeira parte (A Parte dos Críticos), acompanhamos a saga de quatro literatas em busca de um misterioso, porém brilhante autor alemão, candidato ao Nobel de literatura, totalmente avesso a qualquer contato midiático, ou social.

Na segunda parte (A Parte de Amalfitano), ficamos na companhia de um excêntrico professor universitário de Santa Tereza, absorto em suas ideias malucas, quase alheio ao que se passa ao redor, incluído aí o perigo que sua filha adolescente se encontra em suas noites festeiras. O tal Amalfitano é tão pinel, que um dia resolve pendurar um livro de geometria num varal, por meses, para testar uma estranha teoria.

Na terceira parte ( A Parte de Fate), ficamos na cola de um repórter afro-americano, enviado para cobrir uma luta de boxe em Santa Tereza, mas acaba arrastado para dentro do submundo desta cidade, e por conseguinte, para as pessoas que podem (ou não) compartilhar da responsabilidade por muito dos assassinatos.

Na quarta parte (A Parte dos Crimes), durante umas trezentas e tantas páginas, são descritas de forma policialesca a descoberta de cada cadáver ligado ao crime dos assassinatos das mulheres em quase dez anos. A narrativa segue uma forma episódica, ora datadas, ora sequenciais. Chocante no início. Mas depois cansam, e se tornam tremendamente aborrecidas. Algumas vítimas são identificadas, outras não. Vários suspeitos são detidos, incluindo um alemão esquisito, que apesar da cidadania americana, resolve viver no México.
Este foi o capítulo mas difícil do livro, principalmente porque não existem muitos pontos interessantes, ou qualquer discussão paralela que valesse a pena. Salvo a estória da vidente. No geral, tudo parece se resumir a uma coleção de súmulas criminais narradas de forma oficial. É sempre igual: um corpo é encontrado, sua condição é descrita, alguns processos são acompanhados, e só. Encontramos muitos policiais e detetives diferentes tentando solucionar os crimes. Encontramos muitos criminosos. Seguimos a trajetória de um dos possíveis assassinos na prisão, testemunhamos uma sessão de tortura, de estupro entre presos, assassinatos, e a forma brutal de como a justiça é feita por trás das grades.
A única coisa que me motivava neste ponto, era tentar enxergar as amarras de fatos que poderiam ligar ao misterioso Archimbaldi, depois que esse passeio em Santa Teresa terminasse. Tinha a esperança de que no final, todas as peças se ajustassem logicamente como num desses policiais banais - mas não foi bem assim. Não mesmo. De qualquer maneira não foi surpresa alguma notar que o alemão (suspeito dos assassinatos) e o Archimbaldi tinham uma conexão, mas não foi exatamente este um elo fundamental.
É meio frustrante, mas você nunca vai saber quem é o responsável pelos assassinatos. Não saberá se o alemão misterioso tem algo haver com os assassinatos ou não. Não chega a qualquer conclusão para a estória do Archimbaldi. Exceto na primeira parte, você nunca mais vai ver ou ouvir os críticos literários outra vez. Nem vai descobrir o qual foi o destino do Amalfitano ou de qualquer outro personagem. Fiquei doido só de pensar a respeito. Me fez recordar com amargor do Lost e seus zilhões de pontas soltas.

Enfim, quando finalmente você termina a quinta e última parte, fica com a impressão de que a continuação da estória poderia retornar á primeira página, e por conseguinte continuar a ler o livro num ciclo interminável, e ainda assim nunca obter qualquer resposta para as perguntas que se faz pipocar no decorrer desta obra. É um romance bastante diferente, pelo menos para mim. Até agora não sei dizer ao certo se é bom ou ruim. Fui surpreendido pela liberdade do autor em ignorar a maioria das convenções narrativas da qual estou tão acostumado a encontrar em outros romances. Em 2666, os personagens são mal educados, entram e saem sem pedir licença ou serem apresentados. Falam em pensam ás vezes de forma ininterrupta, de assuntos tão dispares, nonsenses, por páginas e páginas sem qualquer conexão com o tema anterior. Por exemplo, em um trecho um personagem resolve alugar uma máquina de escrever, e de repente corta! Daí saltamos para o ponto de vista de um lojista e sua estória de vida. E do nada, sem qualquer explicação, ele (o lojista) desaparece, nunca mais aparece novamente, e pior, não tem qualquer influência em qualquer outra parte da narrativa. No cúmulo da insanidade, a narrativa não continua a fluir naturalmente do ponto aonde ele (o lojista) entrou ou saiu! WTF!!!

2666 é inundado por sonhos. Parece até que todo mundo ali tem um sonho para contar logo que despertam. Sonhos vívidos e surrealistas, que muitas vezes não tinham nada a ver, tanto com a trajetória do próprio personagem, com outros personagens, ou com o próprio contexto.
Outro tema recorrente é a loucura, especialmente toda variedade de insanidade que envolve algum tipo de sacrifício em prol da arte.

Em minha humilde opinião, de leitor amador, medíocre, um romance como forma de arte e entretenimento tem de atender certas expectativas, regras, e 2666 é extremamente desestruturado, mesmo quando colocado diante das regras mais frouxas. É uma coleção incrível de centenas de estorietas bem contadas, bem escritas, mas mesmo assim, o fato de juntá-las e prensá-las entre duas capas, não faz com que seja um romance. Seria fantástico se a prosa genial deste livro tivesse sido combinada em um roteiro mais convincente, sem tantas pontas soltas e interrogações sem afirmações correspondentes.

Afinal, me pergunto: por que insisti em ler este livro? Porque ainda que não tenha gostado dele como um romance, tal como estou acostumado a ler, a apreciar, é muito bem escrito. Foi a prosa vigorosa, por vezes visceral, principalmente quando era colocada em prática para descrever mortes brutais, cenas violentas, filosofamentos malucos, pensamentos fluídos nonsenses, que me impulsionaram virar para a página seguinte, ainda que por muitos momentos espaçados.

Para encerrar, não posso recomendar abertamente 2666. Não é para qualquer um. É uma obra densa. Não chega a ser uma obra erudita. A linguagem é bastante compreensível. Mas... Mas talvez tivesse sentido mais sabor se fosse um cara mais escolado. Mais literata. De qualquer maneira foi uma viagem fantástica! Estou relativamente satisfeito, feliz, e, ainda que tenha sido exaustante, por vezes frustante, gostei!
Contudo foi uma viagem que talvez não tivesse quilometragem suficiente para repetir. Aí vai do gosto do freguês.

Uma pergunta ocorreu agora. Que diabos será que significa o título do livro: "2666"? Não tenho a menor ideia. :-P

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Muito álcool e pouca fé

Vim das quebradas. Lugar maldito e miserável. Cresci brincando de massinha com a própria merda, banhando em mijo, numa caçamba de lixo qualquer, respirando o mesmo ar sujo que putas, drogados e marginais suspiravam, enquanto minha mãe dava a bunda por míseras moedas que o meu pai gastava com drogas e álcool. Nascer para mim foi como se um canalha masoquista cravasse com prego uma passagem de ônibus, direto pra Puta-que-pariu-do-Inferno, bem no meio da minha testa.
Penei, mas sobrevivi, como as ratazanas que se multiplicam num lixão a céu aberto e um dia esbarrei com Deus enquanto caminhava perdido à noite através da chuva que caia pesada como chumbo e ensopava até os ossos, por um caminho aonde as pessoas morrem de AIDS só de pisar, e o crack rouba teus amigos no instante em que você escarra pro lado. Pois é, foi isso, um dia Deus estava á toa e por falta de fazer absolutamente nada, resolveu perder tempo comigo por um breve instante, escutei palavras solenes que aqueceram meu coração na escuridão e me fizeram chorar incontrolavelmente. Ele dizia para não atravessar a rua como tantos outros ali faziam; e desapareceu subitamente no breu da noite ao som do plim-plim da Globo anunciando que a novela das 8 iria recomeçar. Então, um clarão cegou-me com sua luz esfuziante do outro lado da avenida. Eram as portas abertas de um igreja. Dali mesmo pude sentir o cheiro adocicado da fé de fanáticos inocentes. Imaginei que fosse um milagre. Um sinal. Não percebi sobre o púlpito grandes lobos sedentos de niqueis, arautos da oportunidade, bradando ameaças divinas a respeito de um Deus implacável, que iria pegar, rachar o cu mais do que rachado do fiel tornado infiel que não pode conceder o dízimo a contento e a tempo. Afinal, este é o combustível que move as sagradas engrenagens da Igreja Universal dos Santos Cordeirinhos Que Balem Mansamente.
Muitos décimos. Muito dinheiro. Como se Jesus fosse um profeta do capitalismo selvagem. Ganância descabida forrada por um verniz descorado de amor ao próximo. Como o pastor ali presente, um ex-marginal-drogado, que fumou tanto, cheirou tanto, injetou tanto, pecou tanto, que um dia por milagre se fez filho do Senhor em meio á alvas nuvens de cocaína. Que aberração! Devia ter continuado a explorar as bucetas secas das suas putas que eram vendidas por poucos reais. Devia ter continuado a limpar carreiras brancas com suas fuças. Devia ter continuado a matar, roubar e estuprar. Seria menos bandido.
Naquele momento poderia ter entendido as coisas, mas de tanto o espirito estar embosteado com aquela dança, oração e cantoria em louvor, confundi a voz de Deus, com os grunhidos ferozes do Capeta disfarçado de clamores sagrados diante de uma bíblia que tremia diante de tantas blasfêmias.
- Esta possuído! Esta possuído! Peguem o pênis deste garoto e apertem com toda força até ele gozar sangue! Apontou o Pastor, dedo em riste na minha direção. A turba cercou-me e não houve maneria de escapar.
Meu corpo vibrou, tremeu, meus lábios passaram a expelir palavras incompreensíveis, numa voz rouca e estranha.
- Quantas vezes tê falei para não bater punheta na frente de estranhos? O diabo esta sempre atento. Sisudo. Orelhudo. Deus também. Vou te salvar! Vou te afogar no evangelho. Só não falhe com o meu décimo! Ou o Senhor não irá lhe conceder perdão.

Desfaleci de tanta dor e deslizei por uma melodia suave que parecia flutuar sobre um mar de uma água muito azul e pacífica.
Minha vó chamava lá de longe. Deixa de brincar criança, venha papar a tua sopa. Hoje tem bananinha frita!
Durou pouco o sonho bom.
Num átimo despertei com os berros do Pastor apontando o caminho para o reinos dos céus com a sua pica ereta indicando a direção, pois as suas mãos estavam ocupadas contando o dinheiro das oferendas. O rebanho seguia obediente em fila. Em um momento de breve lucidez compreendi que não era nada daquilo que procurava e saí direto para um boteco.
Tomar cachaça tudo acalma.
Santa cachaça. Tomar no cu também. Se você é das quebradas. Você tenta fingir que é humano. Finge, mas sabe que não é. E tem um medo estranho que pensem que não saiba.
- Japa, você não anda meio cansado de viver?
- Não me canso de nada. Sou um otimista!
- Eu quero morrer!
- Te aconselho a ler aqueles livros.
- Aqueles?
- Pois é. Aqueles.
- Japa, eu preciso me decidir.
- Sério?
- Sim. O meu percurso esta cheio de curvas, pedras, ratos, buracos, degraus, sujeira, cocô de cachorro, mato, cheias, cheias, cheias, cheias, cheias…
- Tsc, tsc. Tão jovem e tão chorão…
- O que posso fazer? Sonhar? Seria devorado vivo pela realidade!
- Fala a verdade, apesar de tudo a vida não é bonita?
- É bonita, é bonita e é bonita! Hey japa! Este conselho ao menos serviu para lembrar de uma bela canção.
- Então pegue aquele revolver.
- Ficou louco???
- Não. Dê um tiro na minha cabeça.
- Por que?
- Porque não sei se terei como comprar mais cachaça amanhã… Só suporto isto tudo bebendo cachaça feito água.
- Cadê o teu otimismo agora?
- Dura enquanto durar a cachaça. Cabei de tomar o último trago.

Que cara estranho! Caí fora rapidinho. Andei torto por alguns minutos. Logo meu corpo se dobrou como um pedaço de papel higiênico, caí tremendo e gemendo dores na calçada. Uma moça me acudiu.
- Você tá bem moço?
- Acho que vou morrer…
- Vou chamar a ambulância.
- Não, não! Chupa a minha benga, que se for morrer, que seja feliz.

Apaguei. A ambulância me recolheu. O hospital estava abarrotando de gente. Acordei no corredor. Fedia urina, vômito e defecação por todo canto.Tinha um japa coberto de sangue. Parecia ser o mesmo que estava no buteco.
- Enfermeira, o rapaz aí esta bem?
- Não. Mais um. Outro ninguém que morre. Este deu um tiro na própria cabeça.
- Que bosta. Aqui é tão igual aonde vivo. Só morre ninguém.
- Parece que o ninguém se chamava Carlo. Disse a enfermeira enquanto procurava alguns reais metidos entre documentos na carteira do suicida.
- Que sortudo! Ele tava mesmo querendo sumir de vez.

domingo, 21 de novembro de 2010

A Elegância do Ouriço



Você é inteligente, mas não tem qualquer formação acadêmica, filha de camponeses pobres e analfabetos. Ao longo das décadas você leu Marx e Kant, aprecia Mozart, e ainda conhece profundamente a pintura holandesa do século 17. Você contrabandeia livros eruditos em sua bolsa de compras junto com nabos e comida de gato. Você é uma criatura monótona e invisível, e não confia em ninguém. Você é Renee Michel, a uma espécie de porteira em um prédio de ricos parisienses, aonde se desenrola toda a estória.

Você é precocemente inteligente, tem apenas doze anos de idade. Sua irmã estuda para conseguir um mestrado na Sorbonne, mas é uma pessoa fútil, sem talento e possuidora de uma personalidade estéril. Sua mãe é uma burguesa esnobe, socialista fake, enquanto seu pai é um alto funcionário do governo que tenta esconder sua desimportancia. Você leu Dawkins e conclui que a vida é apenas uma luta inútil de primatas para reproduzir seus genes. Cercada por tanto vazio e mediocridade, o que fazer? Você é Paloma Josse e esta determinada a cometer suicídio em seu aniversário de 13 anos se não descobrir o sentido da vida.

A estória toda sofre uma reviravolta quando um dos moradores do prédio, particularmente repugnante morre e alguém se muda: um japonês, rico, idoso, e enigmático, com nome de cineasta renomado.
Renee culta e civilizada, e Paloma em suas decepções diárias, finalmente encontram alguém a quem não conseguem enganar.
Certezas primárias são reformuladas a medida que a estória se aproxima da sua conclusão chocante.

Belo livro: inteligente, sarcástico, bem-humorado, por vezes trágico, com várias referencias á cultura japonesa aqui e ali. Acabei de reler o livro, pois gostei demais, após um intervalo de apenas 6 meses, entrou fácil na minha TOP 10 list de 2010.

sábado, 20 de novembro de 2010

Malogrado

Tivesse um treisoitão carregado na minha mão,
brincaria feliz feito Deus,
ou Diabo,
espalhando morte e dor,
sem dó,
sem titubeio,
às pessoas que me feriram.

Quiçá tivesse um poder mortal,
um raio invencível.
Seria feliz,
muito feliz,
desintegrando pessoas que odeio,
num mero piscar de olhos.

Mas nada tenho em minhas mãos,
assim nada posso fazer,
a não ser alimentar fantasias fatais,
protagonizando meus inimigos que aí vicejam,
florescem e abundam
como urtigas no meu caminho,
quando mereceriam estar,
mortos e enterrados,
na cova do meu passado.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Nunca Serão

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pensamentos funestos

Tenho às vezes a nítida impressão de que tudo o que surge no meu caminho são migalhas de um grande bolo, do qual as outras pessoas mais afortunadas se fartam com grandes fatias.
Estou tentando combater pensamentos assim, pois sei que isto é algo que me faz patinar na vida e não me causa felicidade. Merda! Tô passando por uma fase de depressão muito acima do que jamais tive de suportar. E já se fazem meses que estou congelado nesta droga de estado mental.

Meu racional aconselha esperar, ter calma, refletir melhor, antes de qualquer outra coisa. Que tudo isto é uma mera alteração de padrões neuroquímicos do meu organismo. Nada mais. Que o jeito é tocar o barco com paciência, continuar com meus remédios, ingerir menos álcool, alimentar-me direito, ser mais sadio. Principalmente não esperar milagres. Pois embora seja pessimista por natureza, tenho às vezes um certo pendor a alimentar grandes sonhos que se apagam como a chama de uma vela diante da mais leve brisa de dificuldade que surge pela frente. Preciso ser mais perseverante. Ter mais atitude, atirar a efemeridade no lixo e valorizar aquelas coisas que importam de verdade. Este é o caminho.

By the way, feliz aniversário para mim.

domingo, 14 de novembro de 2010

Faca na caveira!

Tropa de elite, osso duro de roer. Pega um, pega geral, e também vai pegar você! Eu tamém fui "pegado" por este filme fodão. Muito bom! O final foi digno de um daqueles filmes catarse, tipo Rambo, Charles Bronson.
Saí do cinema com uma estranha sensação de vingança. Uma vingança contra tudo isto que esta bem aí do nosso lado, cheira mal, dá nojo e odiamos até o ultimo fio de cabelo: políticos corruptos, marginália, policiais bandidos, enfim, toda esta fauna horrorosa que enfeia a nossa Gloriosa Nação do Bananão.

Afirmo e reafirmo com todas a letras, "Tropa de Elite 2" é o primeiro filme de ação falado em bom português do qual adquire-se o tíquete sem risco de arrependidão. Papo sério. Muito bem feito sob todos os sentidos! Retrata com fidelidade dilacerante tudo aquilo que infelizmente existe por aqui. Se fosse limado a parte da vida pessoal do Capitão, seria praticamente um documentário. De quebra me fez lembrar os bons momentos de "Desejo de Matar". Do qual assisti toda a franquia sanguinolenta quando era apenas uma criança pequena em Ponta Porã e vibrava com a truculência implacável do Paul Kersey, o exterminador da marginália gringa. Yes!!! O Capitão Nascimento é o nosso Bronson. Agora estamos salvos! Pelo menos na ficção cinematográfica.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Provérbio nigeriano

Se o seu rosto está inchado pelas duras pancadas da vida, sorria e finja ser um homem gordo.

sábado, 6 de novembro de 2010

Saúde

Confirmou-se aquilo que já era percebido a algum tempo. Minha saúde esta em petição de miséria. 17 kg de sobrepeso. Triglicérides a 300 mg/dL, quando o desejável seria abaixo de 150. Colesterol em 264 mg/dL, quando o desejável seria abaixo 200. Sístole de 154, diástole a 94 de pressão sanguínea. Existe ainda uns danos menores, uns arranhões, contusões, causadas por um episódio recente, mas isso é o de menos. O que me causa certa preocupação é o coração. Quando ele parece um bate estacas. Sinto as artérias pulsarem violentamente, se esticarem, como se estivessem amarradas a um cavalo selvagem. Suo frio. Tenho tonturas. E a visão chega a embaçar.
Nunca tive isso antes. Fato é que nesses últimos meses andei exagerando. Quando não bebo demais, como demais, ou durmo demais. A vida aqui é boa demais. E aí quem vai se importar com a saúde, com o próprio bem-estar, antes que seja tarde, o corpo se injuriar e enviar sinais de que esta tudo desmontando? Foda!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Hospital

Recepção,
corredores brancos,
sala de espera,
pacientes,
idosos,
feridos,
doentes,
tristeza,
caretas e esgares,
histórias,
nostalgia.

Silêncios preocupantes,
silêncios mortificantes,
murmúrios,
gemidos;
brancura,
vermelhidão,
bandagens,
desconforto,
cansaço,
sono,
expectativa,
dores,
esperança,
angustia,
doenças…

Formulário,
mais formulários,
paciente impaciente,
enfermeiras apressadas,
exames,
mais exames,
raio X,
mais raio X,
médicos robotizados,
aparelhos,
recomendações,
advertências,
receitas.

Chuva,
metrô,
preocupação...

sábado, 30 de outubro de 2010

Votar ou não votar

Esta deve ser a eleição mais chata que existiu. Salvo um milagre, a pseudo-guerrilheira, pseudo política, pseudo candidata, número 13, vai faturar a faixa presidencial do semi-analfabeto barbudo. O que se pode esperar de um povo que elege o Tiririca? De qualquer maneira o Serra também não anima muito. Aliás, para começar nenhum dos dois candidatos tem aparência saudável. Parecem aqueles personagens caricatos e doentes de um filme do Fellini. Nenhum é feliz. Nenhum tem carisma. Nenhum traz mensagens reais de renovação, de progresso, de sinceridade ética. Nenhum me faz querer levantar da cama para votar amanhã. Nem o último debate, que assisti quase cochilando, me animou a tomar partido. Foi um jogo retrancado de poucas emoções que acabou num empate broxante. De qualquer maneira, tenho uma certa simpatia pela biografia do 45, inspira certa competência. E só. Tenho um enorme asco pelo que a 13 representa e suas alianças com as figuras mais enlameadas da política nacional. Enfim, neste exato momento, minha indecisão é saber se voto no 45, ou pressiono a tecla branco. Ou faço melhor, passo o dia jogando pôquer online.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Homem ao sol

Diariamente passo por ali, faz parte do meu caminho até o metrô. Durante meu caminhar não consigo deixar de notar um homem com suas roupas gastas, velhas, puídas. Está sempre fumando e rindo, barba por fazer, cabelos desregrados. Parece que não teve muita sorte na vida. Esta ali com sua manta imunda e sacolas de plástico aonde parece carregar tudo o que possui. Não dá para saber o que esta esperando. Talvez alguns trocados, restos de comida, alguma bituca de cigarro. É um tipo muito feio. Daqueles que nasceram para serem fodidos pelo destino. Uma garrafa de cachaça repousa na sua mão. Bebe o álcool e ri. Seus dentes são negros e podres. Sua pele esta encardida de tanta sujeira. Balbuciona algumas palavras e gargalha com vontade. Gesticula os braços, rodopia loucamente sobre o lixo espalhado na calçada. Até parece um artista famoso dançando sobre um palco grandioso, iluminado, de um teatro suntuoso. Uma louca e macabra celebração. Me admira tanta tranquilidade diante de uma situação tão adversa. Não possui casa, mulher, dinheiro, emprego. Nada. Apenas está ali. Apenas existe. Apenas rasteja. Abandonado na rua. Esperando algo sob o sol. Contudo, aparenta a felicidade radiante de um príncipe.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Momento de percepção


“E a essa hora estou idiota demais pra conferir minha carteira, não sobrou um centavo". (Tristessa, Jack Kerouac).

Aqui também não restou nem um centavo. Sobraram hematomas. Contusões. Minha mão esquerda e maxilar latejam sensivelmente. O pior é a solidão dos derrotados.
Estou no banho. Água e o sangue das feridas escoam para o ralo. Junto vai o resto da minha auto estima. Eu até tento. Mas nunca servi para brigar. Nem quando era muleque. Não porque fosse fisicamente mais fraco que os outros. Era mais a simples constatação de que trocar agressões era burrice, coisa para gente de pouca capacidade cerebral. Atividades para macacos descerebrados. Mais fácil era aceitar com calma a humilhação e depois passar uma borracha naquilo tudo. Nem era por medo. Mas porque dava trabalho brigar. E depois se levasse a pior havia o desconforto de precisar se recuperar, juntar os caquinhos, superar todos os complexos feridos depois da sova. Porque gastar tanta energia assim?

Lembro bem da primeira grande surra. Tinha uns 6 anos e chorava por qualquer coisa. Um dia meu pai, já meio alto, se encheu e me deu um tapa. E outro. Outro. E mais outro. Até eu parar de chorar. Lembro das lágrimas escorrendo pela face, de morder com raiva meus lábios trêmulos, mas chorar como uma garotinha. Ah! Isso nunca mais aconteceu, depois deste pau disciplinador, parei com este maneirismo gay. Não derramei lágrimas nem mesmo no funeral dele, poucos anos depois.

Interessante como são nossos sentimentos. Depois desta última surra, estranhamente me senti orgulhoso por ter confrontado os marginais. De não ter fugido. De ter dado umas boas porradas. É claro, veio também a consciência de que poderia ter sido muito pior. Poderia ter morrido, ou ficado aleijado. Faltou racionalidade. Faltou inteligência. Faltou jogo de cintura. Como eu tinha no Japão. Tenho orgulho de como virava bem por lá.
Preciso me cuidar. Ainda quero viver para escrever meu livro, que cisma ficar emperrado no quarto capítulo. Nem precisa ser publicado. Ninguém precisa lê-lo. Nem apreciar minhas linhas mal escritas. Mas quero terminar algo. Saber que pude criar um livro, uma estória bacana, mesmo que tudo não passe de uma reles literatura pulp de quinta categoria.

Porra. Não consigo entender como deixei as coisas chegarem aquele ponto. Já levei e dei umas boas porradas quando estava no meio da favela brasileira no Japão. Isso foi no começo, quando tinha ancorado as tralhas pela primeira vez naquele país, e era bem jovem. Estava longe de casa, do controle da família. Livre para fazer o que bem entendesse. Mas no fundo não sou assim, violento. Detesto até mesmo discutir verbalmente. Me sinto mal, fico deprimido, triste. Agredir alguém me faz sentir pequeno. O problema é que era constantemente desafiado. Conviver com aquela nikeizada de baixa categoria não era fácil. Aí teve um dia que acabei partindo pra cima. Sem pesar as consequências. Autodestrutivo, impaciente, desafiador. Foi um período conturbado. Queria apagar um fogo que existia dentro de mim, revolta, sei lá o que fosse. Parecia um daqueles personagens do "Clube da Luta". Era um exercício macabro sem objetivo claro.

Os anos passam e você muda.

Acabei me tornando um exemplo de controle. Passei a conversar mais e discutir de menos. A discutir mais e jamais brigar. Auto controle é tudo. Quando me domino, me sinto mais superior. Mais humano. Aí me liberto. Vou insistir na civilidade. Não existe rancor. Não culpo ninguém. Não culpo porra nenhuma. Culpo só a mim mesmo. Bola prá frente. A vida é um constante aprendizado. Só não aprende, quem não quer.

domingo, 24 de outubro de 2010

Socos, porradas e pontapés.

Em silêncio contemplo a madrugada sereno como um buda em transe nirvânico. Mas lá no fundo há sempre um ruído que quebra a frágil teia de concentração em que a minha meditação ébria, em vã tentativa se equilibra, débil como um prego fincado na areia do deserto. Uma buzina, uma gargalhada, um grito, um cochicho, o silvo de um peido, sempre existe um incômodo ruido invasivo ao meu redor. Pequenas coisas que impedem que a vida flua tranquilamente. Parece que em lugar algum existe paz nesta cidade. Foda-se. Sou reclamão. E não. Não estou aqui para transmitir otimismo. Nem notícias amenas. Sinto que aos poucos vou perdendo a iniciativa. Estou descendendo aos porões sombrios do meu inferno particular.


É em instantes assim que vejo o japa gordinho contornando a esquina em frente ao buteco. Sempre que estou deprê, a minha visão obliterada pelo álcool observam atentamente o caminhar melancólico do garoto. Tem uns 11 anos, no máximo. Deve estar passando uns momentos nada fáceis. Noutra madrugada notei que ele estava com a camisa rasgada e o joelho ralado. Chorando. Hoje está apenas cabisbaixo. Chutando displicentemente uma latinha pelo caminho. É… Não é fácil ser fraco, garoto. Puxa. Como gostaria de dizer ao japinha, que as dificuldades cotidianas só começam a esmaecer quando ele der o primeiro soco. Um bom e firme direto muitas vezes é a solução para qualquer problema na vida. É morder antes de ser mordido. É passar a rasteira antes do puxar de tapete traiçoeiro do inimigo. Pelo menos foi assim que o passar dos anos me ensinaram. Anos de vivência no meio de dekas no Japão. Gente baixa, mentirosa e vulgar. Nikeis da favela, do interior barrento, da periferia suja destas metrópoles brasileiras, principalmente de San Pablo.


Cabou a cachaça. Cabou a vontade. Não faz mais sentindo ficar aqui. Pago a conta e abandono o recinto. Cansado e com sono, enfrento a gelada madrugada paulistana lá fora. Viro a mesma esquina que o japinha cruzou e defronto-me com dois filhos da puta favelados.

Caraca! Era só o que me faltava!

O maior tinha o olhar esfomeado de um lobo da estepe. Aparentava uns 25 anos. O menor, uns 17. Esse aí, tinha o aspecto de um verdadeiro demônio mulato.
- Eí, meu, passa a grana aí.
- Pô, tô sem porra nenhuma aqui. E o menor meteu a mão por debaixo da jaqueta suja, insinuando sacar um berro.
- Vô tê matá, maluco! Tô carregado, tô carregado! Passa a grana, caray!!!
-Tá porra nenhuma, para com isso mermão!
Dei um empurrão no moleque e já ia batendo em retirada quando levei um murro na cabeça. Instintivamente, virei-me e o mais novo mandou um chute na minha coxa.
- Cara, não há necessidade de nada disso, não!
Aproveitei o breve momento de distração e parti pra cima do fedelho. Malemá acertei um soco. O buzíu mais velho acertou-me um chute nas costas que me fez arquear de dor.
- Ok, ok, caralho. Cês querem a grana. Eu dou a grana. Ok?
Mal completei a frase direito, o marginalzinho acertou uma violenta porrada no lado esquerdo do meu rosto. Em seguida o outro emendou um chute no joelho.

Tentei argumentar.
- Calma! Vou dar o dinheiro, porra! Saquei 30 reais de um dos bolsos.
- Tem mais aí, sei que tem, seu japa de merda!
Me deu uma vontade de esmurrar até a morte a carinha morfética do projeto de marginal, mas a esta altura do campeonato já estava ciente que só iria piorar a situação. Faltava disposição, reflexo, brios para partir para cima.
- Não tenho mais nada, mermão.
- Não tem o caralho!
Levei mais um soco no estômago que me derrubou de novo e aí choveram pancadas, socos e pontapés sobre a cabeça, meu corpo encolhido. Ainda assim consegui me levantar, e cheio de fúria e desespero parti para cima do mais velho, que foi se afastando rapidamente. Foi aí que o moleque veio pelas costas e arrancou meus óculos. Maldito filho da puta! Praticamente cego, virei presa fácil. Fazia muito tempo que não tomava tanto soco na minha cara chata.
- Passa a grana!
- Pega, taí, caralho!
Respirando com dificuldade, levantei as mãos e o menor vasculhou os bolsos do meu jeans. Encontrou mais um par de notas de 10 reais, celular, camisinha, moedas e o molho de chaves do meu quarto, malas.
- Estas chaves aqui pra que são, hein?
Cara, pela mor de Deus, não tem serventia nenhuma pra você, dá ela pra mim. Devolve, porra!
- Que se foda, vou ficar com ela e com os seus óculos.
- Porra, cara, não faz isso não! Devolve os meus óculos pelo menos. Porra, eu imploro!
- Cadê a carteira?
- Não uso carteira, não.
- Não usa o caralho! Passa a carteira aí.
- Não tenho, porra!
- Baixa a calça, quero ver se não esta escondida no saco.
Resignado, baixei a calça.
- Tá vendo? Não tenho mais nada, mermão.
- Foda-se vamô levar os óculos e as chaves.
A dupla já estava saindo de cena quando dei um último berro.
- Pera aí, eu tenho mais grana aqui!
Voltaram correndo, famintos como coiotes.
- Cadê a grana?
-Tá no bolso de trás, calma aí.
Nunca o tempo passou tão lentamente para mim.
- Puta que pariu, parece que já foi tudo broda. Devolve meus óculos por favor, mermão! Vai!
- Japonês do caralho, vai toma no cú! Toma então estas porras de volta!
O moleque atirou as chaves e óculos no meio da rua. Encontrei as chaves, mas os óculos estavam com as lentes trincadas.
Acordei de manhã imaginando que estava em Kobe novamente. Mas então senti as dores se espalhando por todas as regiões do corpo. Principalmente no maxilar. Lembrei de tudo. Fiquei triste. Senti vontade chorar. Mas as lágrimas não vieram...

Sobre o poder da auto sugestão




sábado, 25 de setembro de 2010

Your Life



Daqui

domingo, 19 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

E o House vem aí...

Achei porreta este poster. Até me empolguei por um instante. Mas depois lembrei. Pena que a série tem ficado cada vez mais chata.
Saudades do velho House, extremamente ranzinza, sombrio, mal amado, insensível, ácido, sem qualquer traço de amor no coração.

domingo, 5 de setembro de 2010

Eiiiiiii! Eiiiiiiaaaaa!

Alguém me ouve? Hey! Hey!
Vou tirar a minha roupa que tá um puta calor. Já é noitão, mas o vento parou. O vento parou, o ventou parou, wow, wow, wow!!!
Tem alguém aí? Quero ouvir uns passos no escuro. Quero escutar o uivo dos coyotes neste deserto de sensatez. O relinchar dos burros moucos de San Pablo. Quero ficar menos do jeito que a Manhã pretende que eu esteja. Não. Nãooooo!!! A Manhã não deseja porra nenhuma. Ela nunca sorri para mim. Ela me cega com sua luz esfuziante tal qual um laser destruidor. Ela me faz querer hibernar eternamente no meu refugio escuro. E até lá a garrafa secou! Que graça existe em encarar o mundo sóbrio? Hein? Pode responder isto Parede? Humm?

Mas enquanto isto, tudo é festa: Eiiiiiiiiii! Oiba! Eia! Salve, salve! Salvem-se, Salvem-se! Orraiou, ou, ou, ou!!!
Foram-se todos - digo isto torcendo o pescoço e perscrutando o vazio. Digo "oi" para ninguém. Yeps! Já é hora de dar conta do monte de poeira que se acumulou nesta tabula rasa na qual escrevo diligentemente minhas lamentáveis memórias precoces. Estou com medo? Nem. Talvez meio porre meio bebô meio triste meio sacudo meio brochado. Talvez tudo. Talvez merrrrrda nenhuma. Mas não tenho mais medo.
Que falta de ânimo, hein? É que ela faz falta, não consigo esquecer dela, nunca terei ela, nunca me conformarei e não sei bem o que estou dizendo, estou bem enlouquecido, vamos esperar o sol nascer pra acender a pira da esperança. Acho, no entanto, que aguento ficar aqui, sozinho, esperando alguma coisa boa acontecer. Pretendo ficar bem quieto, sereno como um iogue indiano á espera do derradeiro nirvana, deixar todas as dificuldades passarem, quem sabe aprender um pouco com os outros como se vive de verdade. Serei a partir de amanhã cedo um aluno aplicado. Diabos!!! Não deve ser tão difícil assim...

domingo, 27 de junho de 2010

Cadê o futebol?

Cadê os craques? Cadê as jogadas malandras e geniais? Cadê a criatividade? Nada. Apenas marcação dura, toquinhos de lado, vitórias aborrecidas sobre times obscuros, empate sonolento com uma seleção meia-boca e ainda por cima portuguesa. Apenas o medo aterrador do fracasso.
Porcaria de seleção brasileira! É a cara e semelhança do Dunga. Carrancuda, feia e truculenta. Pior que lá no fundo desconfio que este futebol pífio, mecânico e broxante acabe levando mais um título mundial. Lamentável! Torço com fé para que exista um Deus da bola, e que Ele não permita tal injustiça. Tal pecado. A pior coisa que pode acontecer para o futebol brasileiro é vermos lá na frente o Dunga campeão, prepotente e ainda mais arrogante, xingando a todos e sorrindo satisfeito com o triunfo desse seu jogo sem tempero nenhum.

E o povo, hein? Comemoram o quê? Estão felizes com o quê? Para que tantos fogos de artifícios, buzinaços e vuvuzelas? Sem comentários. Zerou-se de vez o senso critico dos bananeiros. Já não sabiam votar, agora nem ao menos entendem de futebol.

domingo, 20 de junho de 2010

Djalma

- E aí esta o garoto que veio do outro lado do mundo!
- E aí, Djalma?
- Sabia que o Saramago morreu?
- Tô ligado. O cara devia ser bom, mas eu particularmente não curtia os livros dele. Tentei um par de vezes, mas nunca consegui terminar a leitura das suas obras. O conteúdo até que era interessante. Mas detestava a forma: poucos parágrafos, poucos pontos finais, falas perdidas entre vírgulas. Porque diabos o cara abolia o uso de travessões nos seus textos? Porra! Tinha dificuldade até para descobrir quando era um diálogo, um pensamento, uma filosofada solitária… E no final tudo acabava constituindo uma zona na minha cabeça, e aí desanimava ler, mesmo quando os buks eram fininhos.
Bem. Também coincidiu de ser uma época em que pretendia me tornar cristão e já viu, o cara avacalhava justamente com tudo que fazia o diabo para ter fé.

Mas e essa cachaça aí? É alguma homenagem ao portuga?

- Não. Cara, tô cansado. Tô desanimado. Cansado de viver, suportar tudo isto e ficar respirando este ar poluído. Tô farto até do meu rosto. Passam os dias e sinto que fico cada vez mais feio e gordo. Porra, você não tem ideia de como isto me perturba. Sempre imaginei que a medida que as velinhas fossem apagadas, acabaria gradualmente metamorfoseando-me numa espécie de clone do George Clooney, saca? Mas não rolou. Que merda. Tô apodrecendo. E aí bebo. E fico remoendo pensamentos etílicos, ao som daquela canção do Waldick Soriano: "Eu não sou cachorro, não /Pra viver tão humilhado/Eu não sou cachorro, não /Para ser tão desprezado", tá ligado? Parece que o meu cérebro esta programado para ficar deprimido sempre que surge a menor fresta de oportunidade. Pensamentos sombrios vêm e vão desgovernados. Fico descontrolado, esgotado, mudo, e sempre acabo aqui, plantado neste balcão toda madrugada, enxugando todo álcool que o meu organismo consegue suportar, tal qual uma gigantesca esponja intergaláctica sedenta por absorver todo líquido que encontra pelo universo afora. Depois ando perdido pelas ruas completamente catatônico. Imaginando como seria bom estar bem distante daqui. Perdido num imenso labirinto. Talvez morto. Comendo grama pela raiz. Ou ter as minhas carnes incineradas e minhas cinzas sendo varridas por um tufão e espalhadas bem no meio do Atlântico. Outras vezes respiro profundamente, e me conformo com este monte de peças desajustadas que me compõe. E aí até consigo me recompor mentalmente por um breve instante. Mas tudo não passa de uma espiral insana e sempre retorno àquelas visões distorcidas de sempre e por exemplo, fico a observar todo o lixo que se acumula por este chão sujo, as baratas, papéis melados de gordura, restolhos de comida, merda de cachorro rolando em direção a um ralo. Eu sou aquele ralo. Todas as coisas que não prestam se dirigem a mim e me entopem. Chega um momento que estufo de tanta porcaria acumulada. Aí transbordo. Como um vulcão, entro em erupção e vomito esse lixo todo de volta ao mundo na forma de palavras caóticas cuspidas da boca de um ébrio louco. É isto. Não estou revoltado. Isto tudo não passa de mera constatação. Queria poder fazer algo. Mas não consigo. Estou amarrado a minha própria mediocridade doentia. Queria crer naqueles livros de auto-ajuda que tentam convencer seres obtusos que todo ser humano é inerentemente possuidor de um talento especial, está aqui para cumprir uma grande missão nesta porcaria de mundo. Talvez se tivesse fé em coisas assim, acordaria com algumas miligramas de animo, e quiçá estes olhos melancólicos de sapo gordo radiariam felizes ante a perspectiva de um dia carregado de oportunidades. Quem sabe assim meu espírito se alimentasse da seiva da esperança que poderia me tornar um ser mais iluminado. Me sinto uma pedra imensamente pesada. Que não se move. Nem pode ser movimentada. Vivo na penumbra. E não consigo sair desta caverna de pessimismo e incredulidade.
- E a seleção está uma droga!
- Além de tudo tem isto...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cena madrugueira

O sujeito perdeu de vez a razão. Adentrou furioso no boteco e já foi pedindo uma dose de amargura. Sem fazer careta, nem titubear, virou o copo num gole só. Repetiu a dose várias vezes até não caber mais de amargura dentro de si. Saiu balbucionando palavras sem nexo pelas ruas, caminhando torto, esbarrando em pedestres, virando lixeiras, importunando mendigos, e amaldiçoando sua insípida existência. De qualquer maneira ele era só mais um zero esquerda nesta vida mundana: morrer não seria nenhum problema, ninguém daria por sua falta. Entretanto, não tinha a menor ideia de como tudo tinha acabado assim. Porque tanta maldade, rancor, inveja, lhe pesavam na alma? Não sabia a resposta nem conseguia deixar de ser assim. Tantos anos sendo miserável, que bastava pensar de soslaio na felicidade para o coração latejar de dor.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ontem...

Café da manhã - 03:32
Lanche - 09:45
Almoço - 15:00
Jantar - 23:00…
...e putz! Já é hoje de novo.
E meu jantar/café da manhã foi agorinha pouco: 4:10.

Quando vou dar um jeito nesta bagunça???

domingo, 6 de junho de 2010

Mary & Max

Antes de mais nada vou responder a alguns amigos sobre a minha situação aqui no bananão.
Continuo na mesma: sem rumo, sem emprego, sem férias em praias paradisíacas e sem a gostosa da Daniele Suzuki massageando os meus pés calejados. Mas tamô tentando. Continuo meio que levando nas coxas o meu curso de masso, meio que pensando no Japão. As ideias vem e vão como vagalumes numa noite escura. Noutro dia resolvi do nada juntar tudo e sumir para uma vila no Equador. Mas acabei desistindo. Tamos aqui ainda. É isso. A peteca não caiu, mas não garanto nada se consigo mantê-la no ar. De qualquer forma tô tentando galera, tentando e tentando. Para um ex-deka malemá remediado, a esperança é a penúltima que morre. Depois ainda resta o Japão. Então nada de esquentar severamente a cachola. Arrê! A grande verdade é que nem sempre conseguimos realizar os nossos objetivos. O que fazer então? Rir, oras! rá rá rá!
Pelo menos tenho um grande alento. Estou longe. Bem longe da parentada. Que numa definição bem precisa, são um bando de merdas, com exceção da minha avó materna que é um doce de pessoa. E da minha mãe, que foi uma das pessoas mais dignas e honestas que conheci enquanto viva.
Yes!!!! Este distanciamento pelo menos me anima a buscar uma portinha para a felicidade nesta zona de país.




Bem. Voltemos ao que me interessava escrever neste post. É sobre uma animação toda feita com massinhas, utilizando a técnica de stop-motion, bastante incomum nesses dias em que os recursos 3D estão tão em voga. Não se engane pelas aparências, não é uma produção voltada para o público infantil. Pois o roteiro é bastante denso, pesado e incomoda em certos momentos, causando aquela sensação típica de um nó-na-garganta ou soco-no-estômago!
Mas vamos á estorinha:
Max é um judeu quarentão, obeso, uma espécie de eremita urbano. Além de ser aspergiano, o que significa que ele é praticamente um autista com enormes dificuldades em relacionar com o mundo e as pessoas que o rodeiam. E seu drama pessoal é agravado porque ele mora numa Nova Iorque imunda, caótica e cinzenta.
Na outra ponta temos Mary, uma garotinha australiana, gordinha e desajeitada. Filha única, não tem sequer um amigo, tendo como mãe uma alcoólatra cleptomaníaca e um pai ausente. Para complicar sua vida, tem vários problemas de relacionamento com seus coleguinhas na escola, com a professora, que a rejeitam pelo seu aspecto físico e personalidade apagada.
Um dia, contrariando todas as probabilidades, e motivada por uma dúvida infantil: "De onde vêm os bebês na América", Mary decide enviar uma carta a um endereço retirado ao acaso de uma lista de endereços.
E de repente esses seres tão solitários, diferentes e distantes, Mary e Max, se conectam através de uma correspondência de cartas que mudam para sempre a vida de ambos, iniciando uma bela estória de amizade com seus alto e baixos, por duas longas décadas.
Gostei dos personagens, realmente derretem em lágrimas os sentimentos de qualquer um. A forma irônica e até hilariante como são abordados temas como diferença religiosa, sexual, física, alcoolismo, me fizeram dar boas gargalhadas. Além de aprender algumas coisas sobre os sintomas de asperger, descobri algo deveras interessante: sabiam que as tartarugas respiram pelo ânus?

Mas acima de tudo, foi o melhor filme que já assisti sobre amizade verdadeira. Aquele sentimento leal, desinteressado e sincero entre duas pessoas. Aquela comunhão perfeita de almas, que transcende espaço, tempo, imperfeições e no mundo de hoje (não me iludo) só pode mesmo existir numa bela ficção como esta.


Gostei desta frase que aparece bem no final:

“Deus nos dá familiares. Ainda bem que podemos escolher nossos amigos”

É bem por aí mesmo...

sábado, 5 de junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

Ronivaldo e sua triste estória

Aqui pertinho, em frente ao metrô Praça da Árvore, tem uma padaria/boteco que funciona 24 horas. É para lá que dou uma esticada de pernas nestas madrugadas insônicas e geladas de San Pablo. Apesar da decadência reinante, o lugar não é tão ruim e vez ou outra me vejo papeando com uns tipos notívagos que pintam no muquifo. São sempre os mesmos. Prostitutas, aposentados, taxistas, policiais, mendigos, vagabundos diversos e o Ronivaldo. Um cara que estava passando maus bocados particulares até semana passada. Tinha fobia de altura, de locais fechados, principalmente espaços reduzidos como elevadores, mas como foi obrigado a morar junto com os pais senis em um apartamento no nono andar, tinha de subir e descer um montão de escadas, um esforço físico que lhe causava tontura e palpitações frequentes. Era também acometido por TOC, manias diversas que lhe tomavam muito tempo e causavam imenso desconforto. Tinha horror a sujeira, e alimentava um ódio mortal da irmã obesa, pois ela só tomava banho a cada três dias e deixava um fedor de gambá putrefato por onde passava. Para suportar as coisas, e conceder uma certa aparência de normalidade ao mundo externo, tomava diariamente três tipos de anti-depressivos, um par de calmantes, além de um obscuro e fulminante tarja preta para se aguentar nas crises mais fortes. Pensou inúmeras vezes em acabar com a vida, mas havia sempre a lembrança da sua responsabilidade para com o filho de 8 anos e também um par de animais de estimação para cuidar (uma tarântula e uma cobra), seus únicos amigos verdadeiros, além do Hasmussem, o amigo imaginário que o acompanha desde a infância.
E claro, ainda existia a empresa funerária da família, com 15 funcionários para tocar.

Certa vez tentou resolver seus problemas frequentando uma dessas igrejas evangélicas fanáticas, não melhorou em nada e ainda lhe surrupiaram cerca de 10.000 reais, que tentou com insucesso reaver na justiça um tempo depois. Além de ser ameaçado com pragas cristãs pelo pastor da dita "igreja", absolutamente nada progrediu no litigio. Por causa destes seus inúmeros comportamentos heterodoxos, perdeu duas esposas, mas tinha ciência de que a culpa era toda dele, por ser do signo escorpião, e portanto, por definição astrológica, ser egoísta, mandão e não gostar nem um pouco de ser contrariado, mas fazer o que… Cada sofredor com suas trágicas idiossincrasias, suas cruzes para carregar sobre a carne viva das suas costas açoitadas pelas tribulações que o destino cruelmente impõe aos humanos infelizes neste mundo desgraçado.

No entanto, cerca de um mês atrás sua crise existencial atingiu o fundo do poço, tomou estriquinina, mas deve ter calculado errado a dosagem, e para sua infelicidade o PS conseguiu fazer uma lavagem estomacal salvadora e portanto ali estava o deprimido Ronivaldo me contando a estória de sua vida miserável nas primeiras horas da segunda passada. Hoje de madrugada fiquei sabendo que ele finalmente tinha resolvido todos seus problemas nesta triste vida terrena, e principalmente com o penoso sobe-e-desce diário pelas escadas do seu prédio. E ainda teve o luxo dos paramentos e encomendamentos saírem gratuitamente, pois tudo seria feito pela funerária dele.
Que sorte não? Pelo menos no fim da sua caminhada algo de bom lhe acontece.


PS: Sim. Este conto é uma bosta! Mas ainda assim menos horrível que ultimo episódio do Lost. OMG, aquilo sim foi por demais insuperavelmente ruim e decepcionante.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Hey, hey, hey!!!

Sei que o blog está meio às moscas, mas a culpa não é minha, é da vida. Tá fueda aqui! Mucho, mucho fueda! Já cogitei abrir uma escola de línguas, vidraçaria, sebo de livros, site de acompanhantes, táxi, boteco, patati-patatá, mas nada, nada suficientemente convincente para yo e minhas escassas economias. Fico pensando no que devo fazer para não passar fome neste país maravilhoso. Tá complicado. Vamos pelo menos curtir a copa numa nice. Depois resolvemos. Até lá quem sabe acabo ganhando na Mega. Ou arrumo um grande amor. ;-)
Aê sim! Não vai ter diabo que me arranque desta coisa chamada bananão.

sábado, 24 de abril de 2010

Florbela Espanca

Visões da Febre

Doente. Sinto-me com febre e com delírio
Enche-se o quarto de fantasmas
Uma visão desenha-se ante mim
Debruça-se de leve…

É uma mulher de sonho e suavidade
E disse-me baixinho:
“Eu me chamo Saudade,
E venho para levar-te o coração doente!

Não sofrerás mais; serás fria como o gelo;
Neste mundo de infâmia o que é que importa sê-lo
Nunca tu chorarás por tudo mais que vejas!”

E abriu-me o meu seio; tirou-me o coração
Despedaçado já sem uma palpitação,
Beijou-me e disse “Adeus!” E eu: “Bendita sejas!…”


Vulcões

Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal
Não tem a lividez sinistra da montanha
Quando a noite a inunda dum manto sem igual
De neve branca e fria onde o luar se banha.

No entanto que fogo, que lavas, a montanha
Oculta no seu seio de lividez fatal!
Tudo é quente lá dentro…e que paixão tamanha
A fria neve envolve em seu vestido ideal!

No gelo da indiferença ocultam-se as paixões
Como no gelo frio do cume da montanha
Se oculta a lava quente do seio dos vulcões…

Assim quando eu te falo alegre, friamente,
Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha
Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!



Descobri ao acaso as belas composições desta grandiosa poetisa portuguesa AQUI. Adorei!!! Apesar de ser fã de um estilo mais satírico a lá Gregório de Matos, ela realmente consegue transmitir sentimentos de uma forma que é impossível não emocionar-se.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Meu canto

Não sou poeta,
nem faço poesia que preste,
sou apenas um esperma,
que o acaso fez ganhar a luz do dia.

Meu coração,
não tem dor,
nem amor,
mas tem muita sensação!

Sim! Sou louco de pedra,
e ser normal,
é quase nada
para mim.

Cantar vem de dentro
e deve me agradar de montão!
Todo momento é assim.
E o povo que se foda de montão!

E sigo cantando,
este canto,
no meu canto,
sem ligar pra mais ninguém.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Carlo, o leitor

Tenho lido, lido muito estes dias.
E cada vez que leio,
quero ler livros cada vez mais difíceis,
intransponíveis e de difícil compreensão.

Tanto leio,
que as palavras assumem cores vívidas,
odores ímpares,
formas múltiplas,
sons vibrantes.

Tanto leio que o tempo imutável se torna
e os segundos, minutos, horas, dias
e o calendário todo escapam sua significação...

Tanto leio que esqueço quem sou,
onde estou,
se estou ou se existo...

Tanto leio que mesmo estando aqui,
estou lá, bem longe daqui,
nem imagino que estou aqui,
cogito voltar para cá ou fico mesmo por lá...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Menino da Domingos

Vim das quebradas,
sou filho parido de uma puta,
com um drogado,
família inglória,
lar partido,
sem memórias,
sem carinho,
nem amor.

Sou mais um piá da rua,
menino á toa,
sem estudo,
sem alegria,
sem saúde,
nem amor.

No meu coração assombra o cinismo,
daqueles que não alimentam qualquer esperança,
nem sabem o que será do dia de amanhã.

Não me olhe!
Não me note!
Não quero a tua piedade!

Quero comida!
Quero esmola!
Quero crack!
Quero cola!

Meu ventre ronca raivoso e vazio,
mais uma vez durmo com fome,
sem janta sem ceia á dias.

Meu destino é perambular,
solitário e perdido,
por esta Domingo de Morais,
suja, imunda e sombria,
como tudo na minha vida...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Grande Bosta!

Não tenho bunfa,
não tenho trampo.
E por sorte, não tenho filhos.

Não tenho músculos,
não tenho saúde firme,
muito menos tenho ânimo.

Não tenho casa,
não tenho asas,
nem uma caixa de papelão.

Não tenho carro,
não tenho bike.
E meu tênis está furado.

Não tenho fortuna,
não tenho fama.
E não presto para coisa alguma.

Não tenho amigo,
não tenho cachorro.
E a tartaruga fugiu de casa.

Não tenho coca,
não tenho guaraná.
Nem copo para beber uma tubaína.

Não tenho dona,
não tenho prazeres.
E minha mão esta machucada.

Não sei rimar,
não tenho caneta nem papel.
E muito menos inspiração.

Não tenho bigode,
não tenho charme.
E nem te pago um drink.

Não tenho sofá,
não tenho conforto.
Credo! Não sei mais o que não tenho!

Dizem até que não sou culto,
toscamente rabisco posts e ninguém lê este blog.
Mas nem fico mais chateado.

Mas tenho algo!
Sim! Isso com certeza tenho.
Neste ano especial,
de eleição tão importante,
não tem candidato que preste.
Mas tenho um título de eleitor!

GRANDE BOSTA!!!

terça-feira, 6 de abril de 2010

E agora deka?

E agora deka?
O biscoito acabou,
nem uma migalha restou,
e não pode comprar mais,
pois a grana se acabou.
Zangyou não tem mais,
nem trampo,
nem ao menos arubaito.
O shakai nunca pagou,
então não tem o que receber,
como vai encher,
esta sua barriga famélica?

Você esnobava,
você zuava,
você bagunçava,
mas você tinha tudo,
todos os biscoitos,
de todas marcas e sabores,
tinha amigos,
e conhecidos,
que talvez te pagassem um ramen,
ou um kare,
mas a crise chegou,
a festa acabou,
e agora?
De todas as amizades,
nem uma migalha restou.

Só lhe resta fitar triste,
o fundo do pacote que devorou.
E ainda há fome.
E ainda há carie.
E dói-lhe a barriga,
mas para aliviar,
nem sequer,
uma migalha restou,
daquilo que possuía.

E agora deka?
E agora mano?
O Japão não te quer mais,
mas você quer comer mais,
mas só lhe restou,
nesta sua mão calejada,
trêmula e desanimada,
um pacote vazio.

Se você pudesse comer,
se você pudesse lamber,
se você pudesse apenas beliscar,
se você pudesse ao menos tocar,
se você pudesse comprar...
Mas você não compra nada.
Você está falido, deka!

Sozinho na ilhota,
tal qual um náufrago,
sem parede,
sem teto,
e sem destino,
você se arrasta,
deka, pra onde?

Deka:
- pro bananão,
com o trezentão. :-(

domingo, 4 de abril de 2010

O trabalho

Aqui esta uma chuva de relâmpagos e trovões. Sorte que este endereço fica num lugar alto e a água da chuva escorre morro abaixo e não enchenteia o pedaço. No mais tudo esta se passando numa monotonia de fazer chorar os postes desta melancólica ruazinha paulistana.
Para passar o tempo estou fazendo na maior preguiça um trabalho chatíssimo do meu curso de masso que eu e mais três colegas vamos apresentar na semana que vem. Tava enrolando e empurrando para as calendas, e ia como sempre fazer a coisa aos trancos e barrancos na última hora, até que botei meus olhos de ganso nesta reportagem bizarra.
Eu hein? Melhor prevenir que remediar. Fiz uma forcinha desde manhã e já tô quase terminando o treco. Ufa!

Aproveitando este momento de intenso alívio e paz espiritual gostaria de recomendar o excelente "Odds and Ends" que lia desde a época do Nihon. Sempre desconfiei que a autora fosse escritora. Parece que é. Só não sei se já lançou algum livro.

terça-feira, 30 de março de 2010

Poema Necrológico

Viver no bananão não é assim tão ruim como imaginava. Você pena, passa raiva com a falta de eficiência no atendimento ao público, filas, morosidade, incompetência; mas aos poucos acaba levando tudo na esportiva. Meio que se resigna com o estado das coisas e passa a não se importar tanto. Outro dia fiquei quase horas numa agencia do BB tentando resolver um probleminha banal. Que talvez com um pouco de boa vontade e organização seria resolvido em minutinhos. Mas até fiquei de boa, nem me esquentei, e ainda aproveitei o tempo ocioso para escrever este poeminha bobo enquanto esperava ser finalmente atendido, e ter meu problema resolvido meia-boca:



Cartão na mão,
chegou a mesa de atendimento,
pela milésima vez,
no Banco do Bananão.

A bancária abjeta,
disse-lhe como sempre,
para esperar, esperar e esperar,
e se pôs a conversar,
as banalidades de sempre,
como sempre,
com a também abjeta colega do lado.

Ele esperou, esperou e esperou…
Esperou um bocado,
e ainda mais um pouco.
Mas nada se resolveu,
então com um esgar negrumoso,
meteu a mão na mochila,
e sacou friamente,
um trezoitão sinistro.

A bancária seguinte,
tão amável,
tão solícita,
atendeu-o como um lorde,
com rapidez tudo resolveu,
enquanto a tia da limpeza,
com destreza e firmeza,
esfregava o chão molhado,
com sangue e vísceras esparramadas.

Cartão na mão,
tratativa resolvida.
Finalmente, finalmente!!!
Um cliente satisfeito,
deixa a agência do BB na Liberdade,
com um sorriso estampado em seu rosto…


1, 2, 3!!! Eu até que rimei em alguns versos. ;-)

domingo, 28 de março de 2010

O canto de um vagabundo...

Durmo ao relendo como um touro,
vivo ao sol como um condor,
fumando as guimbas que encontro,
pelas calçadas da Liberdade.

Sim! Sou miserável, sou mendigo, mas sou soberbo!
Tenho nesta viola sem cordas a minha riqueza:
Nestas noites estreladas de verão,
Canto serenatas aos meus amores tão distantes,
a lua, as estrelas, e as princesas orientais.
Quem ainda assim o amor celebra,
não pode ser tão desventurado.

Tenho por meu palácio as sinuosas ruas,
da Liberdade até a Sé,
por todos sou sabido,
e ali desfilo a gosto e destemor.

Não invejo ninguém,
nem sinto o ódio dos ressentidos,
Entretanto, nas cavernas sombrias do meu coração,
Pulsa sufocante aquela melancolia chorosa,
pelos dias existidos ao calor do sol nascente…

Agora o meu lar é a brisa que me afaga,
e a preguiça, a amada por quem suspiro,
e a loucura, a amante que me persegue.

Assim abro o peito ao meu destino indefinível,
e repouso ao luar serenoso,
respirando o ar da indiferença...

terça-feira, 16 de março de 2010

R.I.P Glauco + Geraldão

Puxa vida! Faz uma semana que me internei estudando para as provas do meu curso de masso e nem me liguei ao que acontecia pelo mundo. Não acessei ao site da Folha, muito menos assisti qualquer programa de tevê no período. Alimentei um par de posts neste blog e só. Hoje na sala de aula um camarada me diz que tinham capturado o assassino do Glauco. Puta merda! Nem tava sabendo que o Glauco tinha sido morto!
Já ri tanto das tirinhas do cara. Era fanzoca do Geraldão. Uma figura caricata, debochada e exagerada que representava grotescamente o tipico bananeiro classe mediano. E ainda tinha as charges políticas extremamente escrachadas. Com um simples quadrinho colorido o cara conseguia dizer tudo. E a gente entender tudo. Um poder de síntese fenomenal.
Caracas. Vou sentir muita falta dele. E do Geraldão…

Eita mundinho cão da porra! Só vomitando para suportar certas coisas...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Decisões...



Decisões flutuam,
Sob um mar de opções,
O ex-deka não sabe qual é o rumo,
Nem ao menos a direção.
Vai e volta ao zero,
Ciclo interminável...
Eita sina,
Destino ingrato,
Depende tudo da gente.
Ah! Se as coisas viessem instantâneas,
Dentro de uma embalagem de cup ramen,
Aí era só jogar água quente,
Esperar um pouco,
E servir-se...

sábado, 13 de março de 2010

Quero ser mais um...

e fazer parte disso tudo que sempre desprezei, odiei e nunca quis para mim.
Quero compartilhar do prazer masoquista daqueles que deglutem as cascas verdes das bananas do dia-a-dia numa só bocada, e sentem orgulho de não esgarem com o azedume desta realidade bem para lá de desgraçada.
Quero ser mais um em meio a manada a mugir em consonância com mediocridade, o mau gosto, a religiosidade vazia e a idiotia plena.

- Oh! Senhor que-tudo-pode!!!
Aqui estou humildemente prostrado aos seus pés, pronto a aceitar qualquer sacrifício. Tornai-me um Jó da modernidade, se assim for o seu celestial desejo.
Tudo que anseio é eliminar esta solidão arrebatadora que corrói meu espírito como soda cáustica.

- Senhor Todo Poderoso, escutai-me!!!
Estou disposto a qualquer sacrifício. Abraçar a hipocrisia, a falsidade, até torcer para o Corintians, se assim procedendo seja possível implodir com minhas couraças afetivas e amar tudo aquilo que tanto abomino!
Quero ser mais um lunático imbecil a brandir lemas petistas. Mais um surdo a apreciar funk. Mais um cego a enxergar beleza nessas mulheres-frutas que abundam esses programas televisivos que tanto me enojam. Quero ser mais um iletrado a perceber literatura nos livretos da Bruna Surfistinha.
Não quero mais fingir. Quero ser um autentico mané. Desprezível e ignorante. Acreditar piamente em todas as palavras que escuto. Enxergar auréolas opacas sobre santos de pau-oco. Comprar bençãos de vendilhões da fé sem pestanejar. Avistar vestes esplendorosas encobrindo o barbudo rei desnudo. Saltitar o reboletion e ser um star para a macacada.

Cansei de contemplar a vida com os olhos profundos do racionalismo. Botar a cabeça para esquentar até sair chamas pelas fuças. Quero sumir de vez com este existencialismo amargo que assombra o meu ser.
É tudo muito trágico.
O amor parece não existir mais. Virou só mais um substantivo a entupir slogans de marketing enganosos. É preciso ser muito otário para acreditar em algo. Mas é preciso acreditar para ser feliz. Então quero ser mais um otário.
Amém...

quinta-feira, 11 de março de 2010

I am sorry!

Uma dessas coisas que aprendi vivendo foi a fodeza que é ter de pedir desculpas. É preciso enterrar o orgulho sob cascalhos. É admitir que tu és um vacilão. Que esta bem longe de ser perfeito. Que comete deslizes. Que pô, tu es humano, e não existe nada mais humano que errar.

Confesso que tenho uma baita dificuldade de admitir isso e chamar para mim a responsa quando dou uma mancada. Quando é cagada pequena dou uma disfarçadinha e sussuro uma desculpa, em voz baixinha, envergonhada e dou por resolvida a questão. Outras vezes, quando a barbeiragem é coisa imensa, fico ali como um japa, ridiculamente repetindo "gomen-nasais" infinitos como um disco engasgado naquelas vitrolas antigonas, na esperança de que isto emende o rasgado magicamente.
E sigo meu caminho…
Se a pessoa atingida não entender aquilo como um arrependimento verdadeiro e não tem humanidade para atender a um pedido sincero de perdão, o que posso fazer? Cortar um dedo fora? Suplicar perdão ajoelhado sob tampinhas de refri? Harakiri? Supliciar-me? Nah… Tô fora! Minhas atitudes de redenção tem limites racionais.

Admito que um tempo atrás, fazia pouco caso de minhas faltas, não me desculpava e procurava rapidamente esquecer do assunto em questão. A merda é que até aquelas pisadinhas de bola microscópicas as vezes me atormentavam o espírito e ficava naquela de ficar roendo o osso da consciência como um cão faminto tentando saciar a fome.

Ainda bem que a gente cresce, evolui, amadurece, sei lá… E aprende tanto a pedir desculpas, como a relevar e ser tolerante com certos tropeços alheios.
Mas é dureza...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Dialogando com as paredes

- Ei Carlo! Que cara é esta?
- Tô meio desanimado com o Twitter.
- Porque? Parecia que estava se divertindo tanto com a novidade.
- Ando desconfiado que estou legendando indiscriminadamente meus pensamentos naquele treco.
- Ué?! Isto é ruim?
- É que ando meio ranzinza estes dias…
- E?
- Teve gente pensando que estava indiretando através de alguns posts.
- Ah! Mas as pessoas se equivocam o tempo todo.
- Pois é, mas lendo novamente meus tuites fico imaginando se não estava mesmo.
- Você é muito desastrado!
- Yeps! Mas não sou cínico. Foi totalmente impensado.
- E o que aconteceu?
- Cabei unfoloado por alguém que prezava muito.
- Vixi!!!
- E foi 2X no mesmo dia pela mesma persona.
- Cê tem que ser mais cuidadoso como o que posta, já te falei.
- Humm… Tô ligado.
- E agora?
- O que posso fazer? Vou comer mais batatinhas e tuitar de menos...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Outro post insone...

Às vezes tenho ilusões de grandeza, de que estou a trilhar um caminho aberto a golpes de machete, no peito e na vontade. E tem muitos momentos que me falta energia até para levantar meus braços, mover um dedo do pé, quem sabe só ficar sentado à beira do Tietê, fitando o vazio de possibilidades concretas e desejando não ser um ponto de interrogação em forma de pessoa. Como é desafiador abrir mão do conforto que a inércia proporciona.
E quando menos se espera (geralmente de madrugada) surge uma coisinha chata rodando a minha mente como um mosquito perturbando o ambiente com o seu zunido, causando aquela suscetibilidade que diminui o humor, provocando insônia e aumentando ainda mais o estresse com as cousas bem próprias de um ex-deka.
É nesses momentos que dá uma vontade quase irresistível de repetir aquela caminhada em direção ao sol nascente…

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Cãopanheiro

Mais um vileiro é chacinado numa periferia miserável de Curitiba. Cadê os parentes? Os amigos? Algum conhecido? Só "humanos" assistindo a carniceira com a aquela habitual curiosidade mórbida?
Bem. Ao menos um cãozinho teve o respeito de velar a vitima dignamente.



sábado, 27 de fevereiro de 2010

Post insone...

Não existe palavra melhor do que "insanidade" para definir a quantidade de horas, MUCHAS HORAS MIESMO que perdi em filas de bancos e serviços públicos variados para regularizar minha situação neste país maravilhoso e tropical, andando de um canto ao outro nesta calorenta San Pablo, derretendo como sorvete de banana ás margens plácidas do Tietê. Claro que em pleno século XXI a gente fica imaginando porque diabos muitas guias, documentações, papéis, não poderiam ser escaneados, enviados e recebidos via internet, mas…

Somos bananeiros, gostamos de dificuldade, gostamos de aglomeração, gostamos de filas e principalmente gostamos de perder tempo a toa. Desburocratizar processos banais faria com que boa parte do nosso estilo de vida decaísse para aquela monotonia nipônica de ficar sobrando muito tempo para trabalhar, estudar, produzir, enfim…


As cousas até que estão correndo nos trilhos. Imaginava que viver em Sampa fosse algo muito semelhante a folhear as páginas de uma densa enciclopédia da criminalidade. Aquela coisa de tensão insuportável, faveladinhos apavorando no pedaço, balas perdidas, assaltos, etc. Mas não. Tranquilo. Nenhum incidente. Tá bão até. Estaria supimpa se a bomba de água do vizinho não ficasse rangendo tão alto a ponto de me despertar e vir aqui neste computador escrever este post ranzinza ás 2:44 da madrugada. Mas tudo bem. Faz parte. É bom ir me acostumando com certos detalhes infames.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A dura vida do meu broda curitibano

Apesar de ficar nessa de malhar o Orkut sempre que tenho oportunidade, foi através desta rede de banalidades toscas que acabei revendo um amigo das antigas, de muito tempo atrás, de uma época que tínhamos muitos sonhos, muitas esperanças quanto ao futuro.
A última vez que o avistei foi no finalzinho da década de 90, quase no início do terceiro milênio. Um par de anos anos antes, tudo que a gente queria era passar no vestibular, fazer uma faculdade, diplomar e arrumar um trampo bacana. Enquanto isto os mercados emergentes implodiam, a bunda da Feiticeira rebolava nas tardes da Band e pairava no ar a dúvida se os computadores entrariam em colapso na virada do ano, levando consigo o mundo organizado ao caos. Mas tudo bem. Ao som dos Ramones, Red Chilli Pepers e Almir Rogério, a vida era um pouco mais amena e o mundo lá fora que se fodesse.
O tempo passou. O bug do milênio não aconteceu e acabei ingressando numa faculdade pública. Pouco mais de um ano, fui me cansando das constantes cobranças familiares, do curso chato, do colegas manés, da namorada favelada metida a patricinha e do trampo mal remunerado; e de uma hora para outra larguei tudo e me mandei para o Japão sem dar satisfações para ninguém. Minha vida se tornou uma sequência de longas e aborrecidas jornadas de trabalho, raros yasumis, porém menos conturbada e miserável.
Meu broda não teve sorte melhor. A grana não deu para pagar a faculdade particular, casou com a namorada grávida, vieram as dívidas, o estresse da vida adulta e uma constante depressão. Além disso havia aquela nostalgia dos velhos tempos que lhe afligiam duramente a alma. Até que não conseguiu refrear aquela atitude juvenil de ficar com várias pessoas, drogar-se e encher a cara até acabar estirado na calçada. Acabou só e internado numa clinica de desintoxicação pela família. Saiu uns meses depois e ao reencontrar a filhinha nos braços da esposa, emocionado, caiu em prantos e decidiu assumir sua responsabilidade. Trampa até hoje como programador, ganha o suficiente para alugar um apartamento de três quartos numa periferia sombria de Curitiba, sustentar mais uma filha e a sogra inválida que acabou morando junto. Não tem carro. Não sai para viajar, única e exclusivamente por falta de grana. Descer a serra do mar para uma praia pelo menos uma vez por ano, é uma vitória.
Já bastante calvo e obeso para a idade. Passa os fins de semana assistindo programas podres na tevê aberta, lixo como o big brothers bananões, auditórios com apresentadores afeminados, jogos de futebol do coxa rebaixado. Até apareceram outras loiras saradonas e turbinadas, mas nenhuma que chegue aos pés da "nossa" Feiticeira. O rock que a gente curtia parece não existir mais, os Ramones devem estar todos mortos e enterrados e o RHCP não lança algo que preste há anos. Curitiba não é mais a cidade (de bom) modelo. As praças não são mais os cartões postais vistosos do século passado. Andam atulhadas de vileiros (malacos curibocas). Fedem a moradores de rua, mijo, merda e coisas podres. Mas de qualquer forma ele nem tem como passear com a família toda junta, a esposa enfermeira faz plantão no hospital todo fim de semana para complementar a renda. Dureza a vida do meu broda. Sobrevive e existe. Ponto final.

Hikaru no Go

Hai! É um manga japonês. Bem velhinho por sinal, já tem mais de década que foi lançado no Japão. A estória gira em torno de um garoto simpático chamado Hikaru Shindo que ao remover uma mancha de sangue em um tabuleiro encontrado no sótão do avô acaba libertando um fantasma chamado Sai, um lendário jogador de Go que viveu á milênios atrás e teve uma morte dramática provocada por uma terrível traição palaciana.
A primeira vista parece ser uma estória meio bobinha e banal. Ledo engano, é passar a ler os primeiros capítulos para se encantar, e não largar mais a mão de querer acompanhar a saga desta inusitada dupla: Hikaru em busca de conhecimento para se tornar profissional no jogo de Go, e Sai (o fantasminha amigo) em busca da libertação e paz para sua alma atormentada.
Existem zilhões de possibilidades de baixá-lo na internet. Eu mesmo confesso que assisti a versão animê através de uns vídeos que encontrei boiando no PB. Mas outro dia, ao comprar a ultima Sexy numa banquinha na Luis Góes e acidentalmente acabar batendo os olhos numa edição caprichada deste manga genial recém lançado pela editora JCB, não pude deixar de levar um exemplar para casa:


Leia, leia, leia! Pois alem de ser uma diversão muito bacana, ainda serve como uma forma bastante lúdica de aprender Go, um jogo de tabuleiro fantástico, o único que computador algum ainda não conseguiu derrotar fortes oponentes humanos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Carlo meets Bah

E a Bah acabou contando toda a estória. Que doidera este negócio de pisar em solo nacional depois de década. Tava jetlegado mesmo, pois não lembro de nada direito. Nem sabia que estava de gorro nesse calor escaldante de San Pablo. Aquela parte da dança na chuva então... E apesar de meio zuado começamos de boa, com uma amiga muito gente fina que nunca tinha conhecido pessoalmente recebendo a gente lá no Cumbicão.
Gostei do cartaz do Dú, que por problemas logísticos não apareceu por lá:



Minha cara estava bem parecida com esta bananinha, por sinal. Um daqueles momentos Kodak inesquecíveis!

O ex-deka e o rio Tietê

O ex-deka ia descendo calmamente o rio Tietê quando da margem escutou um gargalhar zombeteiro. Ele estranhou a princípio, depois ficou levemente irritado, mas preferiu ignorar o barranco maroto.
- Porque diabos este idiota não me deixa em paz? Toda vez que me nota, ri descaradamente como se fosse o rei do bananão, sendo que é somente um mero assento para o traseiro de pescadores tresloucados que sonham um dia pescar algo, além de entulho nestas águas pútridas!
Refletia distraidamente, até o momento em que teve de desviar no último instante de mais um monte de merda que flutuava como um iceberg sob a água escura e densa do rio.
- Ufa! Mais um pouco e o meu barquinho ia para o saco!
Suspirou aliviado.

Deu uma vista rápida para os lados. Além da margem parecia haver muitos segredos. Especulou que talvez houvessem tesouros, amores, estabilidade e quem sabe fortuna grandiosa. Mas e as armadilhas do desconhecido? O ex-deka resolveu deixar para lá, não se arriscar e prosseguiu no seu rumo (sabe Deus qual) bem no meio do rio. Antigos hábitos são difíceis de abandonar. Passou anos remando assim no Japão. Porque mudar? Então continuou no seu barquinho a deslizar monotonamente sob a água marrom, no sentido da correnteza, nunca contra. Não era uma atividade prazerosa, mas era só o que sabia fazer. Vez ou outra descansava a mente estressada com o seu futuro postando coisas incoerentes no seu blogue, sem qualquer preocupação com o ridículo que os obscuros habitantes da margem poderiam concluir de seus textos. Também escreveu loucos poemas em belas folhas brancas. Mas quando faltou papel higiênico durante o trajeto, e suas necessidades fisiológicas forçaram seu intestino evacuar, descobriu utilidade melhor para os papéis, principalmente naqueles que já havia rabiscado os tristes versos que o seu cotidiano bisonho inspirava.

Bastaram poucos dias navegando pelo Tietê para o ex-deka notar diferenças abissais com os rios nipônicos. Lá os barrancos não gargalhavam, não tinha que se preocupar em desviar de galhos traiçoeiros e espinhosos, não havia icebergs bostilentos, nem tantas curvas, a água era límpida e não cheirava a esterco.

Mas aqui, para além das margens, e dos arbustos que encobrem a sua visão, vez ou outra escuta risos alegres que parecem convidá-lo a participar de uma grande festa. Pena que o ex-deka não sabe mais o que é ser feliz. E não tem a menor disposição para estacionar sua combalida condução na margem lamacenta. Muito menos animo para escalar o barranco e assim deixar seu mundinho restrito e miserável para trás. Parece que o pobre diabo só sabe mesmo conduzir mecanicamente seu barquinho bem no meio do rio, em qualquer rio, em qualquer parte da galáxia.
.
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Afê, tava aborrecido, triste, ficando doido de pedra quando escrevi este texto absurdo umas semanas atrás, que acabei não publicando por puro esquecimento. Desde então muita água rolou pelo Tietê, e dentre várias coisas que andei metendo as caras, cabei me inscrevendo na insuspeitável academia de forró de uma professora mucho loca chamada Viví Charlan, conhecida da Deusidete, a tia simpática que arruma a bagunça na pensão aonde me hospedo. Lá esta lotado de muita gente boa e alegre. Alem de aprender a requebrar o meu corpo todo duro e desajeitado, estou me divertindo beça, feliz como um pinto ciscando a macarronada cheirosa que todo domingo a vizinha do lado apronta para o almoço em família.
Forró is magic! Believe!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A revelação

Estirado como um lagarto aborrecido na cama dura de uma pensãozinha em San Pablo, o ex-deka lançava um olhar suplicante para o teto descascado em busca de uma epifania que há dias perseguia e nunca se revelava. Entretanto, não se apercebia o pobre diablo que assim tão centrado, certas revelações jamais se revelam. Até parece que a busca pela verdade suprema dificilmente surge assim em um estalo, sendo necessário muita dor sofrida, dúvidas tortuosas e sensações escabrosas para se atingir a verdadeira iluminação. Bastante irritado, quase chorando, o ex-deka sentiu uma imensa solidão e autopiedade. Também lhe sobreveio como um raio, sentimentos esmagadores como saudades de lá e um arrependimento de profundezas incomensuráveis.
Não era nem um pouco aceitável para ele, que havia planejado tão minuciosamente o seu retorno, assim como quem vai assaltar um trem pagador, que suas projeções deitassem em terra tão facilmente como um frágil castelo de cartas. Como se logo que foi descarregado no Cumbicão, tudo ficasse instantaneamente desconectado, embaralhado, e pior, absolutamente sem norte.
Porque ele não teve logo a ideia de procurar no You Tube pela "pior profissão do mundo" e então resolver de uma vez por todas, suas dúvidas sobre qual rumo tomar neste decantado país latino?



Brincadeira galera! Não foi tão dramático assim. Um pouquinho menos. O Carlo tá por aê no bananão, fazendo um curso de massoterapia, tocando a vidinha de pobre bananeiro e esperando que tudo dê certo no final como naqueles filmes de roliudi que ele tanto adora socar a bucha. E não esta mole não!
Porra! Meus dedos estão pedindo água depois da aula prática de hoje. Me desejem sorte, tô achando que vou precisar de muita, além de gelo para aliviar a dor na mão...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Simpatia Gaúcha

Semana passada descobri um lugar porreta para estufar o bucho. É o restaurante "Simpatia Gaúcha". Pela merreca de 8,5 mangos come-se um grude muito bão até aquilo fazer bico e sair rolando dali que nem barril cheio. Além do tradicional arroz, feijão e zoião; tem banana frita, linguiça torrada, amassado de batata, mandioca frita, salada e a especialidade da casa: um picadinho de buchada cheirosinho que eles chamam de estrogonófiu. O banheiro é limpo. O atendimento é ótimo, e apesar dos atendentes só falarem baianês dá para se comunicar legal, pois são muito simpáticos e atenciosos. Destaque para a graciosa Ronivete que apesar da gafe em me confundir com chinês na minha primeira visita, tem um conhecimento enciclopédico sobre o BBB, novelas, e sempre me traz a garrafinha de água mineral (R$2,00) na temperatura ideal.
Tô rangando por lá praticamente todo dia. Se você tiver perdido pelos lados do metrô Santa Cruz, e tiver com fome, recomendo fortemente que dê uma passadinha no Simpatia, fica na Domingo de Morais, no ladinho de uma borracharia.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

lulla.avi

O roteiro tem a profundidade de uma poçinha de lama, absurdamente linear e chatíssimo. Personagens caricatos, atores canastrões, o afã em mostrar o lula como um messias iluminado o tempo todo e a produção tosquérrima, compõe uma película inassistível, mesmo para quem for ao cinema com uma viseira petista. O filmeco do presidente é tão ruim que não seria digno de ser exibido numa sessão da tarde de uma segunda-feira chuvosa numa San Pablo alagada. Não dá para confundir o troço com a sétima arte. É pura propaganda do petê disfarçada de filme.
A única coisa no conjunto da "obra" que apreciei foi o cão dos Silva, achei bastante criativo colocarem uma Lassie com pelo brilhante, escovado, esbanjando energia no meio da caatinga devastada pela seca. A vida podia ser miserável para a esfomeada família Silva, mas pelo jeito grana para uma suculenta ração canina devia sobrar.
Ufa!!! Ainda bem que não gastei dinheiro com ingresso, assisti aqui, no conforto de um quartinho na pensão da D. Marina ao arquivo lulla.avi que baixei via wirelles emprestada da vizinha.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carlo responde...

Alguns conhecidos no Japão me perguntam ultimamente, meio em tom de zombaria, como um cara como eu, totalmente cético com as cousas deste país latino, esta até certo ponto encarando com esportividade este interlúdio no bananão.
Well. Acredito que seja o fato de estar gostando de conviver com algumas pessoas por aqui. Recuperei aquele prazer de ficar a toa, conversando descompromissadamente qualquer tolice, fazer piadas, tirar sarro, ser motivo de sarro, berrar loucamente num jogo de truco, vibrar com um joguinho besta de sinuca em boteco, enfim, conviver maneiramente com os compatriotas. Por incrível que pareça esta sinergia me fazia uma baita falta.
E também voltei a ter aquele "jogo de cintura" com as cousas bananeiras.
Algo que necessariamente precisa ser exercitado quase ao extremo por aqui, sob pena de ficar louco de pedra. É preciso ter paciência iogue com as bananagens. O informalismo impera por estas bandas. Também a vagarosidade, os enroscos, a burocracia, a ignorância e outras pedras que ocasionalmente despencam no meio do meu caminho. Mas repito, o povo é muito gente fina e isso compensa em muito as cousas toscas que por vezes me tiram do sério. Não sei se é porque o nível das pessoas ao meu redor seja melhor, mas os brasileiros bananeiros são bem mais camaradas, mais solidários e até gentis. Muito diferente dos dekasseguis no Japão, aonde o individualismo e o egoismo muito grandes permeiam a comunidade como um todo e isso não é nada saudável. Talvez e muito provavelmente porque ao longo desta década tenham aportado compatriotas de péssimo nível (favelados mesmo), tanto educacional, quanto moral naquele belo país. Uma pena, realmente. A vida por lá seria bem mais fácil.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carlo, o incendiário...

Usando um fogão bananeiro pela primeira vez depois de década. Giro o botão do gás e busco um dispositivo/botão/alavanca/ANYTHING para faiscar a chama. Nada a primeira vista. Continuo procurando aqui, ali e nada ainda. Então resolvo girar TODOS os botões que encontro no painel. Nada. Coço a cabeça dura. Começo a ficar angustiado, mas aê noto uma caixinha de aspecto vagamente familiar junto a janela.
- Raios que me partam!!! Fósforos???
Risco, risco e risco, mas a caixinha meio úmida não permite fagulhar coisa alguma. Tava quase desistindo, quando percebo o palito finalmente queimar. Sinto o calor da chama bem próxima do dedo, e por puro reflexo atiro o fósforo. Uma labareda gigante toma conta do fogão. Troço lindo! Sorte que deu tempo para dar uma afastadinha bem na hora de salvar minhas sobrancelhas!

Aí D. Marina surge toda esbaforida na cozinha:

- Você nunca ligou um fogão antes?!?
- Err… Já. Mas foi no século passado. Tinha esquecido completamente.
- Percebi...

Pois é. Tô me acostumando. Agora sei ligar um fogão bananeiro sem causar incêndio. Também não estou mais jogando papel higiênico no vaso. Vivendo e aprendendo...