sábado, 30 de janeiro de 2010

Uebas!!!

Opa! Dá uma vontade (masoquista) desgramada de escrever um diário de bordo deste meu reencontro a este maravilhoso, belo e tropical país of ours, mas foram tantas escorregadelas em cascas de bananas pelas ruelas desta San Pablo city que os posts se tornariam longos e imprecantes relatos carregados de palavras de baixo calão e muito chororô de saudades daquela ilha bacana, terra do picatchu e do Doraemon. Resolvi limar fora muita coisa neste texto. Tinha muita imundície verbal, até mesmo para um blog mau escrito, pérfido e medíocre como este. Um verdadeiro cocozinho flutuando perdido no meio de um vasto oceano chamado WWW.
E poderia ofender aqueles que vestem a sacrossanta camiseta verde-amarela da brasilidad, que amam este paraguay grandão apesar de tudo. Gosto não se discute. Amor menos ainda. E francamente, não entendo muito de gosto, muito menos de amor para ficar atirando pedras naqueles que gostam e amam. Além do que ficar espalhando negatividade, pessimismo, e críticas talvez "sem" tanto fundamento seja coisa de gente frustrada e triste.
Mas caracos. O fato é que todo dia saio da pensão da D. Marina com aquele animo colossal, sorrisão na face, uma baita energia de fazer algo acontecer, mas logo dou de cara com longas filas, atendentes e funcionários que não sabem aquilo que deveriam saber, atrasos, enganos, desinformação, incerteza, incompetência, preguiça, má-vontade, malcriação; e para completar o belo cenário: lluvia, mucha lluvia… Parece que a única cousa certa em San Pablo é a chuva. Todo dia desaba um toró daqueles. Acho que se enganaram e trocaram o nome desta ciudad. Alguém tem que avisar aos paulistanos que esta ciudad se chama San Pedro na verdad. San Pedro, la futura Atlântida de la américa latina, la ciudad dadonde los cabalos não correm deitados, e los burros tienem que ser lijeros para não se abogarem nas águas cor de toddy que vienem rapiditas e mortales como uno tsunami destruidor por estas calles sinuosas.

Mas eita nóis. Uma semana como bananeiro e tudo bien. Pero no mucho. As vezes tenho a sensação de ter acabado de cair fora de um carrossel a mil por hora. Tudo ainda esta girando alucinadamente ao redor. A cabeça dói a ponto de ficar zonzo. As cousas todas parecem entrar em colapso a qualquer momento. Pra piorar ainda acordo toda madrugada achando que estou atrasado para o trampo no bentoya. Uia!!!
E como este mundo é pequeno para o dekassegui. Perambulando por aê sem quaisquer pretensões, já esbarrei com uma porção dessas pobres almas depenadas.
Um deles, o F., esta vendendo assinaturas da Globo Net num shopping aqui pertinho. Chegou em dezembro ultimo com o help do governo japonês e se instalou com a família nos fundos da casa dos pais. Dá graças aos céus por ter arrumado trampo tão rápido. A esposa esta se virando como doméstica. Com três filhos não dá mesmo para facilitar. Só reclama disfarçadamente da velocidade da internet bananeira (principalmente da qual ele vende a assinatura), lenta como uma tartaruga morta, comparada com a hiper-super-veloz hikari nipônica.

Fui numa escola que fornece cursos de programação e cabei encontrando outro, o J., 45 anos, quer aprender C#, certificar-se e tal, e fazendo assim alimenta esperanças de entrar no mercado de trabalho como programador. Dios mio, se ele soubesse como funciona o tal do mercado informático. Se perguntasse ao Magalhães no florescer de seus 28 aninhos, que inclusive é formado em SC; e que neste mês completa dois anos de pensão da Dona Marina e vive apertado para pagar as contas todo mês. Mas quem sabe da fortuna de cada um? Torço por ele. De qualquer maneira já desacorçoei da ideia.

O K. diz que juntou uma grana boa. Alugou uma banquinha de jornais e revistas há umas quadras da pensão da D. Marina, comprou uma casinha no Capão Redondo e diz ai que esta feliz e realizado, após mais de uma década gloriosa labutando como deka, coroada com um retorno bancado pela grana do governo japo, prá variar…

O mais legal de todos foi o Shin-Chan. Gente boa. Torrou toda a grana labutada na vida loka por lá (Japão) mesmo. Depois de meses desempregado, adivinhem. Também tascou a mãozona esperta nos trezentões e aqui esta. Com uma mão da família esta reconstruindo a vida. Com a outra esta fazendo bicos ocasionais. Conheci ele na primeira aula de um curso que estou fazendo para matar o tempo e o cabra, caipira como eu, só que lá de Mirandópolis, e muito esperto, já foi me passando as dicas de como dar um jeito para acelerar as coisas por aqui. É muita informação. Pretendo dar uma ajeitada nelas e mais tarde juntar tudo num post só. Vai que acabe tendo utilidade para outro maior abandonado como yo.

É isso. Se virem um caboclo perambulando perdido pelas ruas de San Pedro, empunhando trêmulo um guarda-lluvia meio desmontado, olhando assustado para os lados, para as diagonais, para cima, e para baixo; soy yo, el Carlo, el trépido dekassegui recém retornante, mas que já quer retornar rapidinho para perto do calor aconchegante do sol nascente. Que saudades meu Deus!!!

7 comentários:

Leh disse...

Carlito!!!

aprendeu rápido o idioma... kkkk
Mas vai se acostumando... Normal! Sair do primeiro mundo para o terceiro...

Rapidinho você, hein? Já encontrou um montão de ex-deka nessa Veneza (prá ficar chique), vai ver até fãs seus. Quanta história em tão pouco tempo! Vai dar um livro (digital, claro) que tal?

Nada como um dia após o outro, uma história (ou várias) todo dia.

Cá prá nós, assunto pra post não vai faltar!
Tá ficando bom!

Mas olha, independente de estórias e histórias, continuo desejando muito sucesso, seja onde for!


kisses, lindinho!

andreia inoue disse...

desculpa carlo,mais me acabei de sorrir com esse post,
desejo q o tempo melhore para o seu lado.
super abracao.

Antonio Rebordao disse...

Que tudo corra pelo melhor!

Xaum disse...

kkk... É bro ! Me senti assim tbém qdo cheguei aqui.

Bem lá no começo do meu blog tem um post no qual relatei sobre este sentimento anti Brasil.

Mas tenha força véi, daqui à pouco tu entra no clima e já era.

Sucesso ae !

Pequenas Cousas disse...

Carlo. vou te dar uma dia, nao sei se ainda vale a pena.
Veja como esta o negocio de Taxi.
Parece que tem que fazer um curso, depois voce pode tentar ser motorista de frota.
Ou pagar a diaria de um carro.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

hahahah
eu ri mto com seu relato. Mesmo sendo um tema complicado, dificil, o humor ta de primeira. Bem legal a Ironia fina, da boa.
Talvez mta gente que nunca veio ao Japao tenha lido seu post e nao entendido sua mensagem. Acha que eh drama, que eh exagero, etc. Mas a gente so sabe que o doce eh doce porque ja provou algo salgado. Vc tem referencias de dois estilos de vida, dois paises, duas realidades. Um lado eh melhor, o outro nem tanto e vc postou com sinceridade.
Afinal, o paradisiaco Brasil existe , mas para quem vai passar uma semana em Fernando de Noronha.

Boa sorte ai na Veneza Brasileira, Carlo

camis disse...

acho que eu vou pro japao... rs