terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carlo responde...

Alguns conhecidos no Japão me perguntam ultimamente, meio em tom de zombaria, como um cara como eu, totalmente cético com as cousas deste país latino, esta até certo ponto encarando com esportividade este interlúdio no bananão.
Well. Acredito que seja o fato de estar gostando de conviver com algumas pessoas por aqui. Recuperei aquele prazer de ficar a toa, conversando descompromissadamente qualquer tolice, fazer piadas, tirar sarro, ser motivo de sarro, berrar loucamente num jogo de truco, vibrar com um joguinho besta de sinuca em boteco, enfim, conviver maneiramente com os compatriotas. Por incrível que pareça esta sinergia me fazia uma baita falta.
E também voltei a ter aquele "jogo de cintura" com as cousas bananeiras.
Algo que necessariamente precisa ser exercitado quase ao extremo por aqui, sob pena de ficar louco de pedra. É preciso ter paciência iogue com as bananagens. O informalismo impera por estas bandas. Também a vagarosidade, os enroscos, a burocracia, a ignorância e outras pedras que ocasionalmente despencam no meio do meu caminho. Mas repito, o povo é muito gente fina e isso compensa em muito as cousas toscas que por vezes me tiram do sério. Não sei se é porque o nível das pessoas ao meu redor seja melhor, mas os brasileiros bananeiros são bem mais camaradas, mais solidários e até gentis. Muito diferente dos dekasseguis no Japão, aonde o individualismo e o egoismo muito grandes permeiam a comunidade como um todo e isso não é nada saudável. Talvez e muito provavelmente porque ao longo desta década tenham aportado compatriotas de péssimo nível (favelados mesmo), tanto educacional, quanto moral naquele belo país. Uma pena, realmente. A vida por lá seria bem mais fácil.

6 comentários:

Bah disse...

É, se pararmos para pensar, os dois países têm suas vantagens e desvantagens. Se tivesse totalmente perfeito por lá, não teria pq voltar não é mesmo? Que bom que vc está se acostumando rápido.

Kisu!

andreia inoue disse...

ainda bem q vc encontrou muita gente legal,e isso torna mesmo a vida mais facil em todos os sentidos,um abracaoooo.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

"Não sei se é porque o nível das pessoas ao meu redor seja melhor, mas os brasileiros bananeiros são bem mais camaradas, mais solidários e até gentis. Muito diferente dos dekasseguis no Japão, aonde o individualismo e o egoismo muito grandes permeiam a comunidade como um todo e isso não é nada saudável".

Eh a mais pura verdade. Tem gente que as vezes eu não sei se é gente de verdade por aqui... não entendo pq as coisas são assim entre a comunidade dekassegui.
Boa sorte ai!

Patricia disse...

Olha, eu nunca morei fora do Brasil e não tenho parâmetro de comparação. Mas conheço muitos gringos que aportaram em terras brasílicas e que nunca mais voltaram. Justamente por causa desse povo daqui. Povo doido, povo enrolado, povo prolixo, mas solidário e hospitaleiro. Povo que abraça todo mundo e recebe como irmão. É por isso que não tem guerra aqui. Se o Brasil fosse invadido, a gente fazia uma festa pra receber a galera e nem ia se dar conta do que aconteceu.

Tiklos disse...

É Carlo... sua vida irá mudar. Você estava "escondido" em Izumi e hoje já respira Kobe. Uma bela mudança, não é mesmo?
Eu gosto mesmo são das bananeiras e daquelas bem docinhas com as curvas nos lugares certos. Uma descascadinha e pronto...
Já os pataxós que foram ao Japão, como sempre conviveram apenas com macacos, não sabem nada das bananeiras. Deixem eles para lá.

Leh disse...

Carlo,

taí uma grande verdade!

O negócio aqui é mais ou menos assim (explicando bem, não todos, mas uma boa parte):

- se o(a) neguinho(a) nunca teve nada na vida... pronto! come mel e se lambuza! Compra de tudo, torra a grana! Acha que tá abafando! E ainda apronta!

- se o(a) cara adquire um pouquinho a mais de conhecimento no serviço, ele(a) se acha!

- se já teve alguma coisa na vida, aí ele(a) é o(a) tal!

- o mundinho dekassegui parece um BBB, joguinho prá todo lado, pra se sobressair de algum jeito. Pior que nem é pra ganhar um milhão!
Faz isso prá nada!

Poucos são os que tem consciência migrante, espírito de solidariedade nas mínimas coisas(mínimas mesmo, desde ajudar em serviço, dar uma dica ...), e união com os compatriotas. Parece que o egocentrismo impera, interesse e demagogia então, nem se fala!
Calor humano, dar boas vindas a um novo colega de trabalho é raro, geralmente já começa com um pré-conceito.
Tem certos ambientes de trabalho, que nem se cumprimentam...

Pior de tudo que quem faz isso... vai ver de onde saiu!
É tudo uma questão de nível!

E olha, em todas as esferas....

Essa é uma das razões que eu sempre disse amar o bananão!

Carlito, desabafei contigo! Talvez um pouco mais... Exagerei?

kisses, lindinho!