domingo, 28 de março de 2010

O canto de um vagabundo...

Durmo ao relendo como um touro,
vivo ao sol como um condor,
fumando as guimbas que encontro,
pelas calçadas da Liberdade.

Sim! Sou miserável, sou mendigo, mas sou soberbo!
Tenho nesta viola sem cordas a minha riqueza:
Nestas noites estreladas de verão,
Canto serenatas aos meus amores tão distantes,
a lua, as estrelas, e as princesas orientais.
Quem ainda assim o amor celebra,
não pode ser tão desventurado.

Tenho por meu palácio as sinuosas ruas,
da Liberdade até a Sé,
por todos sou sabido,
e ali desfilo a gosto e destemor.

Não invejo ninguém,
nem sinto o ódio dos ressentidos,
Entretanto, nas cavernas sombrias do meu coração,
Pulsa sufocante aquela melancolia chorosa,
pelos dias existidos ao calor do sol nascente…

Agora o meu lar é a brisa que me afaga,
e a preguiça, a amada por quem suspiro,
e a loucura, a amante que me persegue.

Assim abro o peito ao meu destino indefinível,
e repouso ao luar serenoso,
respirando o ar da indiferença...

Um comentário:

Patricia disse...

Eita, Carlo. Tá achando lírica na anti-lírica, é?