segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Menino da Domingos

Vim das quebradas,
sou filho parido de uma puta,
com um drogado,
família inglória,
lar partido,
sem memórias,
sem carinho,
nem amor.

Sou mais um piá da rua,
menino á toa,
sem estudo,
sem alegria,
sem saúde,
nem amor.

No meu coração assombra o cinismo,
daqueles que não alimentam qualquer esperança,
nem sabem o que será do dia de amanhã.

Não me olhe!
Não me note!
Não quero a tua piedade!

Quero comida!
Quero esmola!
Quero crack!
Quero cola!

Meu ventre ronca raivoso e vazio,
mais uma vez durmo com fome,
sem janta sem ceia á dias.

Meu destino é perambular,
solitário e perdido,
por esta Domingo de Morais,
suja, imunda e sombria,
como tudo na minha vida...

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