quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cena madrugueira

O sujeito perdeu de vez a razão. Adentrou furioso no boteco e já foi pedindo uma dose de amargura. Sem fazer careta, nem titubear, virou o copo num gole só. Repetiu a dose várias vezes até não caber mais de amargura dentro de si. Saiu balbucionando palavras sem nexo pelas ruas, caminhando torto, esbarrando em pedestres, virando lixeiras, importunando mendigos, e amaldiçoando sua insípida existência. De qualquer maneira ele era só mais um zero esquerda nesta vida mundana: morrer não seria nenhum problema, ninguém daria por sua falta. Entretanto, não tinha a menor ideia de como tudo tinha acabado assim. Porque tanta maldade, rancor, inveja, lhe pesavam na alma? Não sabia a resposta nem conseguia deixar de ser assim. Tantos anos sendo miserável, que bastava pensar de soslaio na felicidade para o coração latejar de dor.

3 comentários:

Leh disse...

Madrugueira é cheio dessas coisas...

Bananão tem muito disso... dia, noite, happy hour...

Êita, mas tem coisas boas também!


kisses

Patricia disse...

Amei, Carlo!

Lou disse...

Beber não resolve. Mas que amortece, amortece.
Beijo