sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Homem ao sol

Diariamente passo por ali, faz parte do meu caminho até o metrô. Durante meu caminhar não consigo deixar de notar um homem com suas roupas gastas, velhas, puídas. Está sempre fumando e rindo, barba por fazer, cabelos desregrados. Parece que não teve muita sorte na vida. Esta ali com sua manta imunda e sacolas de plástico aonde parece carregar tudo o que possui. Não dá para saber o que esta esperando. Talvez alguns trocados, restos de comida, alguma bituca de cigarro. É um tipo muito feio. Daqueles que nasceram para serem fodidos pelo destino. Uma garrafa de cachaça repousa na sua mão. Bebe o álcool e ri. Seus dentes são negros e podres. Sua pele esta encardida de tanta sujeira. Balbuciona algumas palavras e gargalha com vontade. Gesticula os braços, rodopia loucamente sobre o lixo espalhado na calçada. Até parece um artista famoso dançando sobre um palco grandioso, iluminado, de um teatro suntuoso. Uma louca e macabra celebração. Me admira tanta tranquilidade diante de uma situação tão adversa. Não possui casa, mulher, dinheiro, emprego. Nada. Apenas está ali. Apenas existe. Apenas rasteja. Abandonado na rua. Esperando algo sob o sol. Contudo, aparenta a felicidade radiante de um príncipe.

2 comentários:

radiotux2009 disse...

olá Carlo,
o fotojornalista Steven Hirsch fotografa e grava as histórias de vários "homens ao sol". E ele tem um blog: Crusty Punks.blogspot.com, onde ele guarda todos os registros e fotos. Vale a visita.
fico curiosa porque os "homens ao sol" são os que não se adaptam à vida capitalista, não tem um teto, e vivem sem pensar no amanhã. São pobres, sujos, violentos até, rebeldes, sofridos...porém livres né!!
homem ao sol, gostei do post , vale a reflexão.
abs
madoka

Patricia disse...

Amei. Adoro lírica e antilírica!