domingo, 21 de novembro de 2010

A Elegância do Ouriço



Você é inteligente, mas não tem qualquer formação acadêmica, filha de camponeses pobres e analfabetos. Ao longo das décadas você leu Marx e Kant, aprecia Mozart, e ainda conhece profundamente a pintura holandesa do século 17. Você contrabandeia livros eruditos em sua bolsa de compras junto com nabos e comida de gato. Você é uma criatura monótona e invisível, e não confia em ninguém. Você é Renee Michel, a uma espécie de porteira em um prédio de ricos parisienses, aonde se desenrola toda a estória.

Você é precocemente inteligente, tem apenas doze anos de idade. Sua irmã estuda para conseguir um mestrado na Sorbonne, mas é uma pessoa fútil, sem talento e possuidora de uma personalidade estéril. Sua mãe é uma burguesa esnobe, socialista fake, enquanto seu pai é um alto funcionário do governo que tenta esconder sua desimportancia. Você leu Dawkins e conclui que a vida é apenas uma luta inútil de primatas para reproduzir seus genes. Cercada por tanto vazio e mediocridade, o que fazer? Você é Paloma Josse e esta determinada a cometer suicídio em seu aniversário de 13 anos se não descobrir o sentido da vida.

A estória toda sofre uma reviravolta quando um dos moradores do prédio, particularmente repugnante morre e alguém se muda: um japonês, rico, idoso, e enigmático, com nome de cineasta renomado.
Renee culta e civilizada, e Paloma em suas decepções diárias, finalmente encontram alguém a quem não conseguem enganar.
Certezas primárias são reformuladas a medida que a estória se aproxima da sua conclusão chocante.

Belo livro: inteligente, sarcástico, bem-humorado, por vezes trágico, com várias referencias á cultura japonesa aqui e ali. Acabei de reler o livro, pois gostei demais, após um intervalo de apenas 6 meses, entrou fácil na minha TOP 10 list de 2010.

3 comentários:

Patricia disse...

Adoro recomendações de livros! =) Valeu!

Lou disse...

Interessante!
Beijo

radiotux2009 disse...

valeu, gostei da sua resenha, me fisgou. o problema é o preço dos livros que chegam aqui, a desculpa é o frete.
madoka