terça-feira, 30 de março de 2010

Poema Necrológico

Viver no bananão não é assim tão ruim como imaginava. Você pena, passa raiva com a falta de eficiência no atendimento ao público, filas, morosidade, incompetência; mas aos poucos acaba levando tudo na esportiva. Meio que se resigna com o estado das coisas e passa a não se importar tanto. Outro dia fiquei quase horas numa agencia do BB tentando resolver um probleminha banal. Que talvez com um pouco de boa vontade e organização seria resolvido em minutinhos. Mas até fiquei de boa, nem me esquentei, e ainda aproveitei o tempo ocioso para escrever este poeminha bobo enquanto esperava ser finalmente atendido, e ter meu problema resolvido meia-boca:



Cartão na mão,
chegou a mesa de atendimento,
pela milésima vez,
no Banco do Bananão.

A bancária abjeta,
disse-lhe como sempre,
para esperar, esperar e esperar,
e se pôs a conversar,
as banalidades de sempre,
como sempre,
com a também abjeta colega do lado.

Ele esperou, esperou e esperou…
Esperou um bocado,
e ainda mais um pouco.
Mas nada se resolveu,
então com um esgar negrumoso,
meteu a mão na mochila,
e sacou friamente,
um trezoitão sinistro.

A bancária seguinte,
tão amável,
tão solícita,
atendeu-o como um lorde,
com rapidez tudo resolveu,
enquanto a tia da limpeza,
com destreza e firmeza,
esfregava o chão molhado,
com sangue e vísceras esparramadas.

Cartão na mão,
tratativa resolvida.
Finalmente, finalmente!!!
Um cliente satisfeito,
deixa a agência do BB na Liberdade,
com um sorriso estampado em seu rosto…


1, 2, 3!!! Eu até que rimei em alguns versos. ;-)

domingo, 28 de março de 2010

O canto de um vagabundo...

Durmo ao relendo como um touro,
vivo ao sol como um condor,
fumando as guimbas que encontro,
pelas calçadas da Liberdade.

Sim! Sou miserável, sou mendigo, mas sou soberbo!
Tenho nesta viola sem cordas a minha riqueza:
Nestas noites estreladas de verão,
Canto serenatas aos meus amores tão distantes,
a lua, as estrelas, e as princesas orientais.
Quem ainda assim o amor celebra,
não pode ser tão desventurado.

Tenho por meu palácio as sinuosas ruas,
da Liberdade até a Sé,
por todos sou sabido,
e ali desfilo a gosto e destemor.

Não invejo ninguém,
nem sinto o ódio dos ressentidos,
Entretanto, nas cavernas sombrias do meu coração,
Pulsa sufocante aquela melancolia chorosa,
pelos dias existidos ao calor do sol nascente…

Agora o meu lar é a brisa que me afaga,
e a preguiça, a amada por quem suspiro,
e a loucura, a amante que me persegue.

Assim abro o peito ao meu destino indefinível,
e repouso ao luar serenoso,
respirando o ar da indiferença...

terça-feira, 16 de março de 2010

R.I.P Glauco + Geraldão

Puxa vida! Faz uma semana que me internei estudando para as provas do meu curso de masso e nem me liguei ao que acontecia pelo mundo. Não acessei ao site da Folha, muito menos assisti qualquer programa de tevê no período. Alimentei um par de posts neste blog e só. Hoje na sala de aula um camarada me diz que tinham capturado o assassino do Glauco. Puta merda! Nem tava sabendo que o Glauco tinha sido morto!
Já ri tanto das tirinhas do cara. Era fanzoca do Geraldão. Uma figura caricata, debochada e exagerada que representava grotescamente o tipico bananeiro classe mediano. E ainda tinha as charges políticas extremamente escrachadas. Com um simples quadrinho colorido o cara conseguia dizer tudo. E a gente entender tudo. Um poder de síntese fenomenal.
Caracas. Vou sentir muita falta dele. E do Geraldão…

Eita mundinho cão da porra! Só vomitando para suportar certas coisas...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Decisões...



Decisões flutuam,
Sob um mar de opções,
O ex-deka não sabe qual é o rumo,
Nem ao menos a direção.
Vai e volta ao zero,
Ciclo interminável...
Eita sina,
Destino ingrato,
Depende tudo da gente.
Ah! Se as coisas viessem instantâneas,
Dentro de uma embalagem de cup ramen,
Aí era só jogar água quente,
Esperar um pouco,
E servir-se...

sábado, 13 de março de 2010

Quero ser mais um...

e fazer parte disso tudo que sempre desprezei, odiei e nunca quis para mim.
Quero compartilhar do prazer masoquista daqueles que deglutem as cascas verdes das bananas do dia-a-dia numa só bocada, e sentem orgulho de não esgarem com o azedume desta realidade bem para lá de desgraçada.
Quero ser mais um em meio a manada a mugir em consonância com mediocridade, o mau gosto, a religiosidade vazia e a idiotia plena.

- Oh! Senhor que-tudo-pode!!!
Aqui estou humildemente prostrado aos seus pés, pronto a aceitar qualquer sacrifício. Tornai-me um Jó da modernidade, se assim for o seu celestial desejo.
Tudo que anseio é eliminar esta solidão arrebatadora que corrói meu espírito como soda cáustica.

- Senhor Todo Poderoso, escutai-me!!!
Estou disposto a qualquer sacrifício. Abraçar a hipocrisia, a falsidade, até torcer para o Corintians, se assim procedendo seja possível implodir com minhas couraças afetivas e amar tudo aquilo que tanto abomino!
Quero ser mais um lunático imbecil a brandir lemas petistas. Mais um surdo a apreciar funk. Mais um cego a enxergar beleza nessas mulheres-frutas que abundam esses programas televisivos que tanto me enojam. Quero ser mais um iletrado a perceber literatura nos livretos da Bruna Surfistinha.
Não quero mais fingir. Quero ser um autentico mané. Desprezível e ignorante. Acreditar piamente em todas as palavras que escuto. Enxergar auréolas opacas sobre santos de pau-oco. Comprar bençãos de vendilhões da fé sem pestanejar. Avistar vestes esplendorosas encobrindo o barbudo rei desnudo. Saltitar o reboletion e ser um star para a macacada.

Cansei de contemplar a vida com os olhos profundos do racionalismo. Botar a cabeça para esquentar até sair chamas pelas fuças. Quero sumir de vez com este existencialismo amargo que assombra o meu ser.
É tudo muito trágico.
O amor parece não existir mais. Virou só mais um substantivo a entupir slogans de marketing enganosos. É preciso ser muito otário para acreditar em algo. Mas é preciso acreditar para ser feliz. Então quero ser mais um otário.
Amém...

quinta-feira, 11 de março de 2010

I am sorry!

Uma dessas coisas que aprendi vivendo foi a fodeza que é ter de pedir desculpas. É preciso enterrar o orgulho sob cascalhos. É admitir que tu és um vacilão. Que esta bem longe de ser perfeito. Que comete deslizes. Que pô, tu es humano, e não existe nada mais humano que errar.

Confesso que tenho uma baita dificuldade de admitir isso e chamar para mim a responsa quando dou uma mancada. Quando é cagada pequena dou uma disfarçadinha e sussuro uma desculpa, em voz baixinha, envergonhada e dou por resolvida a questão. Outras vezes, quando a barbeiragem é coisa imensa, fico ali como um japa, ridiculamente repetindo "gomen-nasais" infinitos como um disco engasgado naquelas vitrolas antigonas, na esperança de que isto emende o rasgado magicamente.
E sigo meu caminho…
Se a pessoa atingida não entender aquilo como um arrependimento verdadeiro e não tem humanidade para atender a um pedido sincero de perdão, o que posso fazer? Cortar um dedo fora? Suplicar perdão ajoelhado sob tampinhas de refri? Harakiri? Supliciar-me? Nah… Tô fora! Minhas atitudes de redenção tem limites racionais.

Admito que um tempo atrás, fazia pouco caso de minhas faltas, não me desculpava e procurava rapidamente esquecer do assunto em questão. A merda é que até aquelas pisadinhas de bola microscópicas as vezes me atormentavam o espírito e ficava naquela de ficar roendo o osso da consciência como um cão faminto tentando saciar a fome.

Ainda bem que a gente cresce, evolui, amadurece, sei lá… E aprende tanto a pedir desculpas, como a relevar e ser tolerante com certos tropeços alheios.
Mas é dureza...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Dialogando com as paredes

- Ei Carlo! Que cara é esta?
- Tô meio desanimado com o Twitter.
- Porque? Parecia que estava se divertindo tanto com a novidade.
- Ando desconfiado que estou legendando indiscriminadamente meus pensamentos naquele treco.
- Ué?! Isto é ruim?
- É que ando meio ranzinza estes dias…
- E?
- Teve gente pensando que estava indiretando através de alguns posts.
- Ah! Mas as pessoas se equivocam o tempo todo.
- Pois é, mas lendo novamente meus tuites fico imaginando se não estava mesmo.
- Você é muito desastrado!
- Yeps! Mas não sou cínico. Foi totalmente impensado.
- E o que aconteceu?
- Cabei unfoloado por alguém que prezava muito.
- Vixi!!!
- E foi 2X no mesmo dia pela mesma persona.
- Cê tem que ser mais cuidadoso como o que posta, já te falei.
- Humm… Tô ligado.
- E agora?
- O que posso fazer? Vou comer mais batatinhas e tuitar de menos...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Outro post insone...

Às vezes tenho ilusões de grandeza, de que estou a trilhar um caminho aberto a golpes de machete, no peito e na vontade. E tem muitos momentos que me falta energia até para levantar meus braços, mover um dedo do pé, quem sabe só ficar sentado à beira do Tietê, fitando o vazio de possibilidades concretas e desejando não ser um ponto de interrogação em forma de pessoa. Como é desafiador abrir mão do conforto que a inércia proporciona.
E quando menos se espera (geralmente de madrugada) surge uma coisinha chata rodando a minha mente como um mosquito perturbando o ambiente com o seu zunido, causando aquela suscetibilidade que diminui o humor, provocando insônia e aumentando ainda mais o estresse com as cousas bem próprias de um ex-deka.
É nesses momentos que dá uma vontade quase irresistível de repetir aquela caminhada em direção ao sol nascente…