quarta-feira, 24 de novembro de 2010

2666


Levei um bocado de tempo para ler este livro. Com esta folga toda que tenho á disposição normalmente leio um ou até dois livros por semana. Dependendo do volume ou da motivação, leio em poucas horas. Um catatau de 852 páginas da imensidão de 2666, talvez conseguisse fechar a última página em uns 10 dias de leitura dedicada. Talvez duas semanas. Mas desta vez foi tarefa difícil. Levei cerca de 5 meses, em uma leitura que ia e vinha de acordo com minha vontade pendular até atravessar seu longo caminho até o final.
Normalmente, se não consigo mergulhar nas entranhas de um livro, deito ele de lado e sigo em frente com outras obras mais motivantes. Mesmo que seja um autor que realmente aprecie. Entretanto, com 2666 não foi assim. Li umas cem páginas em um dia, me aborreci, deixei encostado na estante por algumas semanas, depois fiquei curioso e resolvi reiniciar a leitura do ponto aonde tinha parado. No capítulo "A Parte dos Crimes" quase broxei de vez, mas a prosa em determinados momentos era tão vigorosa, que acabei sentindo estimulado a tentar compreender todo o contexto, na esperança de que tudo fosse somar em algo bacana, então persisti.
E finalmente terminei! Olhando para trás, percebi que li as três primeiras partes (capítulos) do livro em cerca de umas 2 semanas. Em seguida, penei horrores de tédio com "A Parte dos Crimes" que me tomou uns bons 4 meses. E a parte final, a quinta, li em pouco menos de uma semana.

A minha principal motivação para lê-lo veio de criticas favoráveis, principalmente do Tony Belloto, de vários blogs e fóruns literários. Considerado pela critica especializada como o lançamento do ano, além de ser o último trabalho do badaladíssimo Roberto Bolaño antes da sua morte. Sendo que aparentemente, o manuscrito foi entregue ao seu editor, enquanto estava morrendo em um leito hospitalar.

Segundo a introdução, o autor tinha a intenção de que as cinco partes de 2666 fossem publicadas em cinco volumes separados, e lançados no mercado com um ano de intervalo. Mas após sua morte, sua esposa decidiu publica-lo num único tomo, numa forma que lhe pareceu ser mais adequada literariamente. Adequada, porém pesada como um tijolo. Não é livro com jeito (peso) de ler confortavelmente na cama, isso é certo. Talvez a ideia de separar em cinco volumes não fosse tão ruim, afinal.

Ok, ok, deixemos de enrolação e vamos á estória. Isso que é algo difícil de explicar. Qual das estórias é a estória? Se for julgar pelos quilos de palavras e páginas dedicadas á trama, então ouso afirmar que seria a respeito de uma série de assassinatos brutais que ocorreram numa cidade mexicana chamada Santa Teresa (depois de um goglada, descobri que é uma versão ficcional de Ciudad Juárez, situada na fronteira com os EUA, aonde de fato, aconteceram os crimes). Endereço de centenas de mulheres jovens que são brutalmente estupradas e assassinadas, durante uma década. Cada parte do livro, toca, uns mais outros menos, neste crime, e três das cinco partes tem como cenário exclusivo, a cidade de Santa Teresa.

Se for julgar pelo cerne do livro, o que (pelo menos para mim) é a verdadeira história, então trata-se da trajetória, da vida de um romancista alemão chamado Benno von Archimbald que foi tão procurado pelos críticos literários na primeira parte.

Bem. Vamos por partes como recomendava o velho Jack, o Estripador. :-)

Na primeira parte (A Parte dos Críticos), acompanhamos a saga de quatro literatas em busca de um misterioso, porém brilhante autor alemão, candidato ao Nobel de literatura, totalmente avesso a qualquer contato midiático, ou social.

Na segunda parte (A Parte de Amalfitano), ficamos na companhia de um excêntrico professor universitário de Santa Tereza, absorto em suas ideias malucas, quase alheio ao que se passa ao redor, incluído aí o perigo que sua filha adolescente se encontra em suas noites festeiras. O tal Amalfitano é tão pinel, que um dia resolve pendurar um livro de geometria num varal, por meses, para testar uma estranha teoria.

Na terceira parte ( A Parte de Fate), ficamos na cola de um repórter afro-americano, enviado para cobrir uma luta de boxe em Santa Tereza, mas acaba arrastado para dentro do submundo desta cidade, e por conseguinte, para as pessoas que podem (ou não) compartilhar da responsabilidade por muito dos assassinatos.

Na quarta parte (A Parte dos Crimes), durante umas trezentas e tantas páginas, são descritas de forma policialesca a descoberta de cada cadáver ligado ao crime dos assassinatos das mulheres em quase dez anos. A narrativa segue uma forma episódica, ora datadas, ora sequenciais. Chocante no início. Mas depois cansam, e se tornam tremendamente aborrecidas. Algumas vítimas são identificadas, outras não. Vários suspeitos são detidos, incluindo um alemão esquisito, que apesar da cidadania americana, resolve viver no México.
Este foi o capítulo mas difícil do livro, principalmente porque não existem muitos pontos interessantes, ou qualquer discussão paralela que valesse a pena. Salvo a estória da vidente. No geral, tudo parece se resumir a uma coleção de súmulas criminais narradas de forma oficial. É sempre igual: um corpo é encontrado, sua condição é descrita, alguns processos são acompanhados, e só. Encontramos muitos policiais e detetives diferentes tentando solucionar os crimes. Encontramos muitos criminosos. Seguimos a trajetória de um dos possíveis assassinos na prisão, testemunhamos uma sessão de tortura, de estupro entre presos, assassinatos, e a forma brutal de como a justiça é feita por trás das grades.
A única coisa que me motivava neste ponto, era tentar enxergar as amarras de fatos que poderiam ligar ao misterioso Archimbaldi, depois que esse passeio em Santa Teresa terminasse. Tinha a esperança de que no final, todas as peças se ajustassem logicamente como num desses policiais banais - mas não foi bem assim. Não mesmo. De qualquer maneira não foi surpresa alguma notar que o alemão (suspeito dos assassinatos) e o Archimbaldi tinham uma conexão, mas não foi exatamente este um elo fundamental.
É meio frustrante, mas você nunca vai saber quem é o responsável pelos assassinatos. Não saberá se o alemão misterioso tem algo haver com os assassinatos ou não. Não chega a qualquer conclusão para a estória do Archimbaldi. Exceto na primeira parte, você nunca mais vai ver ou ouvir os críticos literários outra vez. Nem vai descobrir o qual foi o destino do Amalfitano ou de qualquer outro personagem. Fiquei doido só de pensar a respeito. Me fez recordar com amargor do Lost e seus zilhões de pontas soltas.

Enfim, quando finalmente você termina a quinta e última parte, fica com a impressão de que a continuação da estória poderia retornar á primeira página, e por conseguinte continuar a ler o livro num ciclo interminável, e ainda assim nunca obter qualquer resposta para as perguntas que se faz pipocar no decorrer desta obra. É um romance bastante diferente, pelo menos para mim. Até agora não sei dizer ao certo se é bom ou ruim. Fui surpreendido pela liberdade do autor em ignorar a maioria das convenções narrativas da qual estou tão acostumado a encontrar em outros romances. Em 2666, os personagens são mal educados, entram e saem sem pedir licença ou serem apresentados. Falam em pensam ás vezes de forma ininterrupta, de assuntos tão dispares, nonsenses, por páginas e páginas sem qualquer conexão com o tema anterior. Por exemplo, em um trecho um personagem resolve alugar uma máquina de escrever, e de repente corta! Daí saltamos para o ponto de vista de um lojista e sua estória de vida. E do nada, sem qualquer explicação, ele (o lojista) desaparece, nunca mais aparece novamente, e pior, não tem qualquer influência em qualquer outra parte da narrativa. No cúmulo da insanidade, a narrativa não continua a fluir naturalmente do ponto aonde ele (o lojista) entrou ou saiu! WTF!!!

2666 é inundado por sonhos. Parece até que todo mundo ali tem um sonho para contar logo que despertam. Sonhos vívidos e surrealistas, que muitas vezes não tinham nada a ver, tanto com a trajetória do próprio personagem, com outros personagens, ou com o próprio contexto.
Outro tema recorrente é a loucura, especialmente toda variedade de insanidade que envolve algum tipo de sacrifício em prol da arte.

Em minha humilde opinião, de leitor amador, medíocre, um romance como forma de arte e entretenimento tem de atender certas expectativas, regras, e 2666 é extremamente desestruturado, mesmo quando colocado diante das regras mais frouxas. É uma coleção incrível de centenas de estorietas bem contadas, bem escritas, mas mesmo assim, o fato de juntá-las e prensá-las entre duas capas, não faz com que seja um romance. Seria fantástico se a prosa genial deste livro tivesse sido combinada em um roteiro mais convincente, sem tantas pontas soltas e interrogações sem afirmações correspondentes.

Afinal, me pergunto: por que insisti em ler este livro? Porque ainda que não tenha gostado dele como um romance, tal como estou acostumado a ler, a apreciar, é muito bem escrito. Foi a prosa vigorosa, por vezes visceral, principalmente quando era colocada em prática para descrever mortes brutais, cenas violentas, filosofamentos malucos, pensamentos fluídos nonsenses, que me impulsionaram virar para a página seguinte, ainda que por muitos momentos espaçados.

Para encerrar, não posso recomendar abertamente 2666. Não é para qualquer um. É uma obra densa. Não chega a ser uma obra erudita. A linguagem é bastante compreensível. Mas... Mas talvez tivesse sentido mais sabor se fosse um cara mais escolado. Mais literata. De qualquer maneira foi uma viagem fantástica! Estou relativamente satisfeito, feliz, e, ainda que tenha sido exaustante, por vezes frustante, gostei!
Contudo foi uma viagem que talvez não tivesse quilometragem suficiente para repetir. Aí vai do gosto do freguês.

Uma pergunta ocorreu agora. Que diabos será que significa o título do livro: "2666"? Não tenho a menor ideia. :-P

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Muito álcool e pouca fé

Vim das quebradas. Lugar maldito e miserável. Cresci brincando de massinha com a própria merda, banhando em mijo, numa caçamba de lixo qualquer, respirando o mesmo ar sujo que putas, drogados e marginais suspiravam, enquanto minha mãe dava a bunda por míseras moedas que o meu pai gastava com drogas e álcool. Nascer para mim foi como se um canalha masoquista cravasse com prego uma passagem de ônibus, direto pra Puta-que-pariu-do-Inferno, bem no meio da minha testa.
Penei, mas sobrevivi, como as ratazanas que se multiplicam num lixão a céu aberto e um dia esbarrei com Deus enquanto caminhava perdido à noite através da chuva que caia pesada como chumbo e ensopava até os ossos, por um caminho aonde as pessoas morrem de AIDS só de pisar, e o crack rouba teus amigos no instante em que você escarra pro lado. Pois é, foi isso, um dia Deus estava á toa e por falta de fazer absolutamente nada, resolveu perder tempo comigo por um breve instante, escutei palavras solenes que aqueceram meu coração na escuridão e me fizeram chorar incontrolavelmente. Ele dizia para não atravessar a rua como tantos outros ali faziam; e desapareceu subitamente no breu da noite ao som do plim-plim da Globo anunciando que a novela das 8 iria recomeçar. Então, um clarão cegou-me com sua luz esfuziante do outro lado da avenida. Eram as portas abertas de um igreja. Dali mesmo pude sentir o cheiro adocicado da fé de fanáticos inocentes. Imaginei que fosse um milagre. Um sinal. Não percebi sobre o púlpito grandes lobos sedentos de niqueis, arautos da oportunidade, bradando ameaças divinas a respeito de um Deus implacável, que iria pegar, rachar o cu mais do que rachado do fiel tornado infiel que não pode conceder o dízimo a contento e a tempo. Afinal, este é o combustível que move as sagradas engrenagens da Igreja Universal dos Santos Cordeirinhos Que Balem Mansamente.
Muitos décimos. Muito dinheiro. Como se Jesus fosse um profeta do capitalismo selvagem. Ganância descabida forrada por um verniz descorado de amor ao próximo. Como o pastor ali presente, um ex-marginal-drogado, que fumou tanto, cheirou tanto, injetou tanto, pecou tanto, que um dia por milagre se fez filho do Senhor em meio á alvas nuvens de cocaína. Que aberração! Devia ter continuado a explorar as bucetas secas das suas putas que eram vendidas por poucos reais. Devia ter continuado a limpar carreiras brancas com suas fuças. Devia ter continuado a matar, roubar e estuprar. Seria menos bandido.
Naquele momento poderia ter entendido as coisas, mas de tanto o espirito estar embosteado com aquela dança, oração e cantoria em louvor, confundi a voz de Deus, com os grunhidos ferozes do Capeta disfarçado de clamores sagrados diante de uma bíblia que tremia diante de tantas blasfêmias.
- Esta possuído! Esta possuído! Peguem o pênis deste garoto e apertem com toda força até ele gozar sangue! Apontou o Pastor, dedo em riste na minha direção. A turba cercou-me e não houve maneria de escapar.
Meu corpo vibrou, tremeu, meus lábios passaram a expelir palavras incompreensíveis, numa voz rouca e estranha.
- Quantas vezes tê falei para não bater punheta na frente de estranhos? O diabo esta sempre atento. Sisudo. Orelhudo. Deus também. Vou te salvar! Vou te afogar no evangelho. Só não falhe com o meu décimo! Ou o Senhor não irá lhe conceder perdão.

Desfaleci de tanta dor e deslizei por uma melodia suave que parecia flutuar sobre um mar de uma água muito azul e pacífica.
Minha vó chamava lá de longe. Deixa de brincar criança, venha papar a tua sopa. Hoje tem bananinha frita!
Durou pouco o sonho bom.
Num átimo despertei com os berros do Pastor apontando o caminho para o reinos dos céus com a sua pica ereta indicando a direção, pois as suas mãos estavam ocupadas contando o dinheiro das oferendas. O rebanho seguia obediente em fila. Em um momento de breve lucidez compreendi que não era nada daquilo que procurava e saí direto para um boteco.
Tomar cachaça tudo acalma.
Santa cachaça. Tomar no cu também. Se você é das quebradas. Você tenta fingir que é humano. Finge, mas sabe que não é. E tem um medo estranho que pensem que não saiba.
- Japa, você não anda meio cansado de viver?
- Não me canso de nada. Sou um otimista!
- Eu quero morrer!
- Te aconselho a ler aqueles livros.
- Aqueles?
- Pois é. Aqueles.
- Japa, eu preciso me decidir.
- Sério?
- Sim. O meu percurso esta cheio de curvas, pedras, ratos, buracos, degraus, sujeira, cocô de cachorro, mato, cheias, cheias, cheias, cheias, cheias…
- Tsc, tsc. Tão jovem e tão chorão…
- O que posso fazer? Sonhar? Seria devorado vivo pela realidade!
- Fala a verdade, apesar de tudo a vida não é bonita?
- É bonita, é bonita e é bonita! Hey japa! Este conselho ao menos serviu para lembrar de uma bela canção.
- Então pegue aquele revolver.
- Ficou louco???
- Não. Dê um tiro na minha cabeça.
- Por que?
- Porque não sei se terei como comprar mais cachaça amanhã… Só suporto isto tudo bebendo cachaça feito água.
- Cadê o teu otimismo agora?
- Dura enquanto durar a cachaça. Cabei de tomar o último trago.

Que cara estranho! Caí fora rapidinho. Andei torto por alguns minutos. Logo meu corpo se dobrou como um pedaço de papel higiênico, caí tremendo e gemendo dores na calçada. Uma moça me acudiu.
- Você tá bem moço?
- Acho que vou morrer…
- Vou chamar a ambulância.
- Não, não! Chupa a minha benga, que se for morrer, que seja feliz.

Apaguei. A ambulância me recolheu. O hospital estava abarrotando de gente. Acordei no corredor. Fedia urina, vômito e defecação por todo canto.Tinha um japa coberto de sangue. Parecia ser o mesmo que estava no buteco.
- Enfermeira, o rapaz aí esta bem?
- Não. Mais um. Outro ninguém que morre. Este deu um tiro na própria cabeça.
- Que bosta. Aqui é tão igual aonde vivo. Só morre ninguém.
- Parece que o ninguém se chamava Carlo. Disse a enfermeira enquanto procurava alguns reais metidos entre documentos na carteira do suicida.
- Que sortudo! Ele tava mesmo querendo sumir de vez.

domingo, 21 de novembro de 2010

A Elegância do Ouriço



Você é inteligente, mas não tem qualquer formação acadêmica, filha de camponeses pobres e analfabetos. Ao longo das décadas você leu Marx e Kant, aprecia Mozart, e ainda conhece profundamente a pintura holandesa do século 17. Você contrabandeia livros eruditos em sua bolsa de compras junto com nabos e comida de gato. Você é uma criatura monótona e invisível, e não confia em ninguém. Você é Renee Michel, a uma espécie de porteira em um prédio de ricos parisienses, aonde se desenrola toda a estória.

Você é precocemente inteligente, tem apenas doze anos de idade. Sua irmã estuda para conseguir um mestrado na Sorbonne, mas é uma pessoa fútil, sem talento e possuidora de uma personalidade estéril. Sua mãe é uma burguesa esnobe, socialista fake, enquanto seu pai é um alto funcionário do governo que tenta esconder sua desimportancia. Você leu Dawkins e conclui que a vida é apenas uma luta inútil de primatas para reproduzir seus genes. Cercada por tanto vazio e mediocridade, o que fazer? Você é Paloma Josse e esta determinada a cometer suicídio em seu aniversário de 13 anos se não descobrir o sentido da vida.

A estória toda sofre uma reviravolta quando um dos moradores do prédio, particularmente repugnante morre e alguém se muda: um japonês, rico, idoso, e enigmático, com nome de cineasta renomado.
Renee culta e civilizada, e Paloma em suas decepções diárias, finalmente encontram alguém a quem não conseguem enganar.
Certezas primárias são reformuladas a medida que a estória se aproxima da sua conclusão chocante.

Belo livro: inteligente, sarcástico, bem-humorado, por vezes trágico, com várias referencias á cultura japonesa aqui e ali. Acabei de reler o livro, pois gostei demais, após um intervalo de apenas 6 meses, entrou fácil na minha TOP 10 list de 2010.

sábado, 20 de novembro de 2010

Malogrado

Tivesse um treisoitão carregado na minha mão,
brincaria feliz feito Deus,
ou Diabo,
espalhando morte e dor,
sem dó,
sem titubeio,
às pessoas que me feriram.

Quiçá tivesse um poder mortal,
um raio invencível.
Seria feliz,
muito feliz,
desintegrando pessoas que odeio,
num mero piscar de olhos.

Mas nada tenho em minhas mãos,
assim nada posso fazer,
a não ser alimentar fantasias fatais,
protagonizando meus inimigos que aí vicejam,
florescem e abundam
como urtigas no meu caminho,
quando mereceriam estar,
mortos e enterrados,
na cova do meu passado.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Nunca Serão

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pensamentos funestos

Tenho às vezes a nítida impressão de que tudo o que surge no meu caminho são migalhas de um grande bolo, do qual as outras pessoas mais afortunadas se fartam com grandes fatias.
Estou tentando combater pensamentos assim, pois sei que isto é algo que me faz patinar na vida e não me causa felicidade. Merda! Tô passando por uma fase de depressão muito acima do que jamais tive de suportar. E já se fazem meses que estou congelado nesta droga de estado mental.

Meu racional aconselha esperar, ter calma, refletir melhor, antes de qualquer outra coisa. Que tudo isto é uma mera alteração de padrões neuroquímicos do meu organismo. Nada mais. Que o jeito é tocar o barco com paciência, continuar com meus remédios, ingerir menos álcool, alimentar-me direito, ser mais sadio. Principalmente não esperar milagres. Pois embora seja pessimista por natureza, tenho às vezes um certo pendor a alimentar grandes sonhos que se apagam como a chama de uma vela diante da mais leve brisa de dificuldade que surge pela frente. Preciso ser mais perseverante. Ter mais atitude, atirar a efemeridade no lixo e valorizar aquelas coisas que importam de verdade. Este é o caminho.

By the way, feliz aniversário para mim.

domingo, 14 de novembro de 2010

Faca na caveira!

Tropa de elite, osso duro de roer. Pega um, pega geral, e também vai pegar você! Eu tamém fui "pegado" por este filme fodão. Muito bom! O final foi digno de um daqueles filmes catarse, tipo Rambo, Charles Bronson.
Saí do cinema com uma estranha sensação de vingança. Uma vingança contra tudo isto que esta bem aí do nosso lado, cheira mal, dá nojo e odiamos até o ultimo fio de cabelo: políticos corruptos, marginália, policiais bandidos, enfim, toda esta fauna horrorosa que enfeia a nossa Gloriosa Nação do Bananão.

Afirmo e reafirmo com todas a letras, "Tropa de Elite 2" é o primeiro filme de ação falado em bom português do qual adquire-se o tíquete sem risco de arrependidão. Papo sério. Muito bem feito sob todos os sentidos! Retrata com fidelidade dilacerante tudo aquilo que infelizmente existe por aqui. Se fosse limado a parte da vida pessoal do Capitão, seria praticamente um documentário. De quebra me fez lembrar os bons momentos de "Desejo de Matar". Do qual assisti toda a franquia sanguinolenta quando era apenas uma criança pequena em Ponta Porã e vibrava com a truculência implacável do Paul Kersey, o exterminador da marginália gringa. Yes!!! O Capitão Nascimento é o nosso Bronson. Agora estamos salvos! Pelo menos na ficção cinematográfica.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Provérbio nigeriano

Se o seu rosto está inchado pelas duras pancadas da vida, sorria e finja ser um homem gordo.

sábado, 6 de novembro de 2010

Saúde

Confirmou-se aquilo que já era percebido a algum tempo. Minha saúde esta em petição de miséria. 17 kg de sobrepeso. Triglicérides a 300 mg/dL, quando o desejável seria abaixo de 150. Colesterol em 264 mg/dL, quando o desejável seria abaixo 200. Sístole de 154, diástole a 94 de pressão sanguínea. Existe ainda uns danos menores, uns arranhões, contusões, causadas por um episódio recente, mas isso é o de menos. O que me causa certa preocupação é o coração. Quando ele parece um bate estacas. Sinto as artérias pulsarem violentamente, se esticarem, como se estivessem amarradas a um cavalo selvagem. Suo frio. Tenho tonturas. E a visão chega a embaçar.
Nunca tive isso antes. Fato é que nesses últimos meses andei exagerando. Quando não bebo demais, como demais, ou durmo demais. A vida aqui é boa demais. E aí quem vai se importar com a saúde, com o próprio bem-estar, antes que seja tarde, o corpo se injuriar e enviar sinais de que esta tudo desmontando? Foda!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Hospital

Recepção,
corredores brancos,
sala de espera,
pacientes,
idosos,
feridos,
doentes,
tristeza,
caretas e esgares,
histórias,
nostalgia.

Silêncios preocupantes,
silêncios mortificantes,
murmúrios,
gemidos;
brancura,
vermelhidão,
bandagens,
desconforto,
cansaço,
sono,
expectativa,
dores,
esperança,
angustia,
doenças…

Formulário,
mais formulários,
paciente impaciente,
enfermeiras apressadas,
exames,
mais exames,
raio X,
mais raio X,
médicos robotizados,
aparelhos,
recomendações,
advertências,
receitas.

Chuva,
metrô,
preocupação...