quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ossama

Eu me mantenho descansado.

Estive dormindo

e acordei. Voltei

a dormir e, novamente,

acordei.

Muitas batalhas eu trilhei

no meu caminho.

Bombas foram lançadas

para implodir meu corpo.

Pedras foram atiradas

para ferir meus pés.

Mas não deixei o rancor me dominar.

Apenas chorei seco.

Apenas orei em silêncio.

Nas montanhas do Paquistão.

Estive dormindo na mesma cama

por longos anos imaginando

como seria bom queimar o meu passado com gasolina.

Reduzi-lo a pó como as torres gêmeas.

Hoje,

olhei o céu calmo de azul turquesa e antevi imensa jornada.

Balbuciei qualquer desabafo infantil.

Uma lágrima escorreu por minha face,

minha filha acorreu assustada aos meus braços.

Minha vida toda

pratiquei o mal, delirando por um bem maior.

Vi rostos cheios de ódio.

Que não valiam a pena.

Vi muito sangue e destruição.

Que não valeram um cêntimo de felicidade.

Alá, perdoa-me se puderes!!!

De repente!

Um estampido.

OSSAMA!!!

OSSAMA!!!

OSSAMA!!!

Uma voz que há muito não escutava me chama.

Nesta noite dormirei embalado ao som dos sonhos.

Abraçarei a minha mãe.

Um comentário:

Patricia disse...

Acho que foi a primeira e única homenagem ao dito cujo que li.