segunda-feira, 27 de junho de 2011

Festa de despedida

Periferia de Sampa. Noite gelada de junho. Barraco lotado. Churrasco queimando na laje. Bebida à vontade. Conversas, gargalhadas, berros. Blá-blá-blá. Rá-rá-rá. Mulheres cochicham, a macharada conta causos do Japão. Crianças correm para lá e pra cá. Uma mamãe gostosa, um bebê florescendo. Um, dois, três adolescentes chapados. Fumaça. Cigarro vagabundo. Latas de cervas amassadas escorrendo líquido no chão. Rostos nipos e brasas. Carros, motos. Vrum, vrum, vrum!!! Menina feia, bunda abundante. Moleque safado aproveita o espaço apertado para dar uma encochada na mestiça gatinha do lado. Pastel, torrada, guaraná Dolly, tsukemono, pudim, makizushi, bolo de banana, carne, muita carne, uma bagunça de comida e sabores se esparramam pela mesa longa e farta. É mais uma festa despedida. 3 manos voltam ao Japão. Caracoles, que inveja dos caras. Por que porra não estou comemorando minha ida tamém? Ainda tô indeciso. Ir ou ficar, eis a questão. Tento entrar no ambiente, relaxar, mas não me sinto a vontade. Bebo, bebo, bebo. Wow!!! Num átimo as ideias ficam mais sebosas e a prosa deslancha. Acabo conhecendo 3 minas. Mas agora não lembro do nome de nenhuma. Uma tá gravida. Tem belos olhos azuis puxados. Cabelo curto. E um piercing esquisito na língua. A outra é uma nikei com pedigree. Magrinha. Comedida, mas sorri com facilidade enquanto digo gracinhas. Faz jornalismo e parece ser inteligente. É leve, descontraída. Destoa totalmente do ambiente. A terceira bebe como se o mundo fosse acabar hoje a noite. Gostei dessa, apesar do hálito forte de cachaça. Um dos camaradas que se despede só enxuga. Tá triste. Vai deixar a mulher e o filhinho que acabou de nascer por aqui. As coisas noutro lado do mundo ainda tão incertas.
Puxo papo, por mera falta do que fazer com uma moça cujo nariz parece ser de um tucano. Ela até que é graciosa. Tem 24 anos. Trabalha no Supermercado Extra. Quer muito namorar um nikei. Fico olhando para ela, mas não me interesso muito. Em 1 segundo esqueço seu nome. Mas não tenho vontade de perguntar novamente. Ela fica meio sem entender porque deixei a conversa morrer no meio do caminho. Mas também não insiste e some no meio do algazarra. Sei lá porque, de repente bate uma deprê do diabos. Queria saber apreciar mais a vida. Sem essa de ficar observado a festa do lado de fora da janela com os olhos de um espírito sinistro numa noite fria e chuvosa. Seria bom ter uma companheira legal para compartilhar as coisas boas que existem nesse mundo. Mas esta difícil me sintonizar com uma alma gêmea. Tamém tô muito podre. Muito gordo. Muito bêbado. Sem nenhum animo. Agora, mesmo se publicasse um anúncio de destaque na minha testa, nem a mais feia entre as estragadinhas iria se dispor. Música, álcool, risadas. E eu ficando cada vez mais entediado…

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quitter


Meus amigos dizem que tô desistindo muito fácil. Que existem oportunidades por aí. Só procurar, insistem. Me indicam empregos. Mas foda-se tudo.
Cansei. Encheu o saco. Sou muito infeliz aqui.
De volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído. Terremoto, tsunami, desastre nuclear, recessão econômica, daijoubu! Lá ao menos não terei o inconveniente de ficar desviando de cocô de cachorro na calçada.
Não te odeio Bananão, mas também não lhe amo.
Então vamos deixar para a próxima.
Quem sabe...