domingo, 6 de maio de 2012

Kyukei

 Bucho cheio. Tentando relaxar. Recostado no banco duro da sala de kyukei, com a expressão de quem pretende transmitir toda a mensagem de um espírito angustiado sem realmente desejar fazê-lo, converso distraído com a única braza bonitinha da fábrica. Tô apaixonado, mas não quero estar, não quero mais rolo com mulher-peoa, tento não brincar, tento não sorrir, não imaginar coisas engraçadas. Mas o instinto xavequeiro esta permanentemente ligado em modo 'on', não tem jeito, basta um filé mignon entrar no radar para meus lábios se moverem sozinhos, disparando um monte de besteiras. Ela se contorce de tanto rir, me empolgo e fico ali exercitando minha capacidade de mentir inventando um cara que, definitivamente, nunca existiu, nem existirá. Ela gosta, relaxa, passa a curtir mais a conversa. Caracas! Como são tolinhas estas peoas.

Queria ser um tolo simplório como a maioria dos dekas também, aí bastaria casar com uma tola dessas, procriar peõezinhos tolos, construir uma família de tolos e viver feliz como peão tolo neste Japão pelo resto de uma vida operária tola. Mas eu… Sinceramente não consigo me manter ancorado a porto algum. Tenho um espírito cigano que nunca me mantêm preso a nada. Sempre me canso das coisas. Tô sempre de mudança.

Verdade, verdadeira, só quero abraçá-la como quem precisa de um colete para escapar de um afogamento eminente. Carência afetiva é uma bosta mesmo. Tento transmitir algo sincero, mas sou cínico demais para isto. Essa tá laço, mas não sei se vou ou se fico.

2 comentários:

Patricia disse...

Vai perder alguma coisa se ficar? :)

banzai disse...

´construir uma família de tolos e viver feliz como peão tolo neste Japão pelo resto de uma vida operária tola.´ hahahaha Carlo, só quem já morou aqui algum tempinho sabe o que vc tá falando. É phoda, colega.
Quanto a peoa, porque não dar uma chance pro seu coração heim? Nada sério, só um namorico? Se a nossa vida aqui já é difícil à dois, imagine só.
Madoka